quinta-feira, setembro 13, 2007

"Put the cream on the ball" ou "Bolinhas da ASAE"



Após um período de loooongas férias (mas só de blog, que de trabalho foram só 2 semanas) estou de volta!
Esta última semana de férias passada no Algarve/Allgarve, mais precisamente em Portimão/Foryouhand mostrou-me uma realidade terrífica para mim: já não há bolas de Berlim com creme na praia! Essa instituição que é a "bolinha", vendida por homens e mulheres vestidos de branco, com geleiras ao ombro e que calcorreiam a praia milhentas vezes por dia faz parte do meu imaginário de infância, em que eu comia, sem exagero, 3 ou 4 bolinhas com creme de uma assentada só, regadas com uma garrafa de água fresquinha e que acabava, invariavelmente, no WC mais próximo.
Ora eu só como bolas de Berlim na praia; só lá é que me sabem bem, pronto. Passo então o ano todo a "sonhar" com as toneladas de bolas com aquele creme maravilhoso. No ano passado não fui ao Algarve/Allgarve e por isso não comi bolas de Berlim; este ano estive em Albufeira/Allbufeira em Maio mas ainda não era a época das bolinhas. Era natural que eu estivesse cheia de vontade de trincar uma daquelas bolas maravilhosas com que sonho o ano todo mas só como na praia porque só aí faz sentido para mim. E eis quando, depois de 2 ou 3 anos sem ouvir aquela buzina de calhambeque e o pregão "Olhá bolinha!", eu dou um salto da toalha, corro para o vendedor que carrega a geleira e me apercebo que só há bolinhas sem creme! O senhor que chega antes de mim para comprar bolinhas (com creme) fica espantado quando o vendedor lhe responde à sua pergunta "não tem com creme?", "não, a ASAE não permite."
Mas quem é esta ASAE, que proíbe um dos ex-libris das nossas praia algarvias? Ok, o creme com o calor pode estragar-se e é para bem do consumidor que se apertou a fiscalização, mas convenhamos que as bolinhas com creme não chegam a durar uma hora dentro das geleiras. Não foi só uma vez que verifiquei que o vendedor nem a meio da praia chegava com a geleira cheia, alguns banhistas desapontados porque já não havia mais bolinhas, situação que o vendedor prontamente resolvia, dirigindo-se para o ponto de abastecimento. Fiquei triste, embora isso não me impedisse de comprar uma bola sem creme todos os dias, e saboreá-la como se estivesse a comer uma verdadeira bola de Berlim. Sim, porque me recuso a chamar "bola de Berlim" a uma bola que é em tudo igual a uma bola de Berlim mas sem a essência da bola, o creme. Por isso, proponho que se chamem à bolas sem creme que se vendem na praia "bolas da ASAE".
É de notar que a ASAE deve estar a pensar em abrir um franchising, uma vez que parece que também andam a chatear o pessoal que cozinha o cabrito no forno de lenha (aí será "cabrito no forno à moda da ASAE", isto é, no forno sem ser de lenha), que faz empadas em casa e que são mil vezes melhores que as que se fazem nas padarias e hipermercado, e que tem salsa no seu quintal e até a quer vender na praça mas não pode, não há facturas nem guias de transporte.
Por favor, há estabelecimentos comerciais que, apesar de terem instalados todos os procedimentos de higiene, HACCP e ISO qualquer coisa, são bem mais sujos que as nossas cozinhas. Atenção, acho bem que fiscalizem, ainda bem que fecharam todos aqueles restaurantes chineses e pastelarias que tinham bolor nas batedeiras do pão. Mas deixem em paz as bolas de Berlim da praia, o cabrito no forno (que eu nem aprecio mas que acredito que, para quem gosta, saiba um trilhão de vezes melhor se for feito em forno de lenha e na travessa de barro) e as empadas caseiras. Agradecida.

sábado, junho 16, 2007

epiderme


(s.f), do Lat. epiderme < epidermís; camada celular que cobre a derme e que com ela forma a pele; parte exterior dos corpos organizados; pele

Mais uma vez, uma palavra para um jovem actor que se aventurou, desta vez, pelas artes da literatura. Tive o previlégio de assisitir ao lançamento do livro, que foi o culminar de uma dura luta para o trazer à luz do dia. Sem apoios (entenda-se patrocínios), fora dos circuitos de publicação habituais, mas com grande apoio dos amigos. E isso vale mais que um patrocínio.
Ainda não o li, mas tenho a certeza que, quando o fizer, vou gostar. Porque sou frequentadora do blog dele e gosto. Porque já o vi actuar e gosto. Porque o conheço e gosto da pessoa que ele é.
Parabéns pela persistência, por não desisitires, por não teres baixado os braços, mais uma vez. Que seja o primeiro de muitos livros, cá estaremos para apoiar! C'um camandro!
Eu já tenho um! E autografado!!!

segunda-feira, junho 04, 2007

Afinal Lisboa até tem umas coisas interessantes...


Pois é, há muito tempo que não vinha ao meu cantinho "postar" umas palavrinhas... O tempo não tem sido muito e a inspiração também não.
Há cerca de um mês levaram-me a passear por Lisboa; Lisboa e não "Lxboa", que era a que eu conhecia, a Lisboa dos centro comerciais. Não, desta vez andei a pé em Lisboa, por aqueles bairros antigos que tanto me fizeram lembrar Castelo Novo e Alpedrinha. Por momentos esqueci-me que estava na nossa capital. Fomos à Feira da Ladra, ao Panteão Nacional (mas não pudémos entrar...), à Sé (aí pudémos entrar, mas fomos logo corridos porque estava a fechar), fomos até ao Castelo de São Jorge. Percorrer Lisboa a pé, andar por aqueles bairros, e ainda por cima com um guia cheio de conhecimentos, foi muito bom. Sim, o passeio foi bom mas a companhia foi excelente! Bebemos uma ginjinha maravilhosa que me arrumou logo a um canto (ando a faltar aos treinos!), jantámos na Casa do Alentejo, onde assistimos a um concerto de crianças de Leste que cantavam muito afinadas naquela língua estranha que eles falam.
Foi sem dúvida uma tarde e uma noite muito bem passadas. Foi bom conhecer uma faceta de Lisboa que eu não conhecia e que me fez gostar mais um pouquito dessa cidade que tanto me "assusta" por ser tão diferente do ambiente onde cresci.
Lembro-me muitas vezes desse Sábado e tenho pena de não voltar a sentir todo aquele encantamento enquanto percorríamos as ruelas dos bairros de Alfama e Mouraria; porque sei que se voltar lá não vou sentir a mesma coisa, pelo menos não vou sentir com a mesma intensidade. Este é um dos momentos que eu gostava de reviver. Tenho que me render às evidências: afinal Lisboa até tem umas coisas interessantes... :)

domingo, fevereiro 04, 2007

Como não podia deixar de ser... o aborto: sim ou não?


Quem é vivo sempre aparece, e eu ainda ando por aqui e, tcharam!, apareci. E como não podia deixar de ser, cá vou eu deitar mais uma acha para a fogueira, já bem acesa, do aborto.
No referendo de 1998, eu votei "Sim"; não me recordo exactamente qual era a questão que era colocada mas sei que o meu "sim" me colocou do lado dos pró-aborto. Este ano a coisa está um pouco balançada; quando me perguntam o que vou votar, eu não respondo "Sim!" com a convicção que respondi a essa mesma pergunta há 9 anos atrás. No entanto, a minha orientação de voto é a mesma de 98; passo a explicar (embora a isso não seja obrigada, mas é bom para mim, de modo a organizar um pouco os meus próprios argumentos). Eu não sou a favor do aborto a pedido, do género "ah e tal, não usámos preservativo, isso tira o prazer, e olha, engravidei, vai-se lá saber como nem porquê, e por isso hoje não dá para ir ao cinema porque vou ali fazer um aborto mas amanhã podemos combinar"; há que haver um pouco de consciência quando se fazem as coisas, não sou a favor, sou mesmo CONTRA que se utilize o aborto como método contraceptivo. Depois há a outra face da moeda: o casalinho até usa preservativo mas o dito método não é 100% eficaz e rebenta. A rapariga engravida, mas tem 15 anos, tem planos para o futuro e ter uma criança enquanto acaba o liceu não faz parte deles. Ora se tomam todas as precauções, não acho justo que a vida da rapariga (e também a do rapaz, se for um rapaz minimamente responsável) seja marcada por uma experiência negativa que é ser mãe à força, só porque não tem dinheiro para ir a uma clínica a Espanha ou porque não lho farão num hospital público, uma vez que não encaixa nos casos enumerados pela lei como sendo "elegíveis"(?!) de fazer aborto legal. E atenção, porque a experiência é negativa para a mãe e para a criança, porque é difícil uma rapariga com 15 anos ter maturidade para ser mãe. Algumas mentes mais puritanas dirão (e disseram-mo)" ah, mas para ter relações já tem maturidade!", eu respondo: o referendo é sobre o aborto, não é sobre com que idade se tem maturidade para ter relações sexuais; cada um sabe de si e não há uma idade para iniciar a vida sexual. O que importa é que quando se comece, se tenha toda a informação, se tenha a noção das consequências que advêm da falta de planeamento familiar. Neste caso, o casalinho tinha a informação e utilizou os métodos. Teve azar, deve pagar por isso pondo no Mundo uma criança que pode nunca vir a ser feliz, que se calhar será abandonada e acabará morta de fome, ou então explorada, violada ou presa? Eu acho que não. Mas atenção, isto não é obrigatório! Conheço vários casais que tiveram este "azar" mas que optaram por ter a criança, e não se arrependem. E acho muito bem, liberdade de escolha acima de tudo.
E acho que é por isso que eu vou votar "SIM", para que possa haver liberdade de escolha, para que não haja milhentas crianças abandonadas nas ruas ou em instituições onde não passam de mais uma boca para alimentar, à espera que alguma alma caridosa as adopte, e quando essa alma surge, estão cerca de 3 anos à espera que a nova família a venha buscar.
E depois temos os casos dos recém-nascidos que são abandonados dentro de sacos de plástico, deixados em jardins públicos ou atirados ao rio, com a probabilidade mínima de serem encontrados com vida. Isso não será uma forma de aborto?
Acho que fazer ou não um aborto vai da consciência de cada um; acho que não deve ser feito a pedido sem antes aconselhar a mulher/rapariga, tentar perceber as suas razões mas se essa for a decisão dela, ela deve poder tomá-la, sem se sujeitar a ter de o fazer num vão de escada qualquer, por uma pessoa que pode perceber tanto de medicina como eu de motores de automóveis.
Se o "Sim" ganhar, o aborto não vai ser obrigatório, os apoiantes do "Não" podem continuar a optar por não o fazer, mas ao menos as mulheres que optarem por fazê-lo vão ter alguma hipótese de o fazerem com o mínimo de condições. E desenganem-se aqueles que pensam que fazer um aborto é como ir arrancar um dente: custa mas tem que ser. Quando estava a estudar em Aveiro, numa das nossas famosas "Noites do lar" escolhemos como tema o aborto (penso que foi em 1996 ou 1997), só para chatear as freiras. O convidado dessa noite foi um padre que tinha um programa de rádio, penso que foi o Frei Bento Domingues, mas não tenho a certeza. Uma das minhas colegas perguntou qual era a posição dele em relação ao aborto. A resposta dele foi simples: ai de quem se referisse como uma criminosa a uma mulher que tenha feito um aborto. Dizia ele que tinha paroquianas que o tinha feito e que lhe tinham contado, em confissão. E, dizia ele, "não imaginam a dor e sofrimento que transpareciam dos olhos daquelas mulheres. Elas já são suficientemente castigadas, não precisam de mais.". Lindo!
Outra coisa, os apoiantes do "Não" dizem que, em Portugal, nenhuma mulher foi condenada por ter feito um aborto. Pois não, mas sentaram-se no banco dos réus. Foram julgadas. Foram levadas a tribunal. Infelizmente, já me sentei no banco dos réus (mas não sou uma criminosa!) e não é uma sensação agradável. Não fui julgada, foi "apenas" um debate instrutório, mas acreditem que não é nada agradável. Não acho justo que uma mulher que já sofre com toda a carga psicológica de quem fez um aborto, tenha que passar pela humilhação de se sentar no banco dos réus.
Mas atenção, digo não, completamente NÃO, ao aborto recorrente. Há mulheres que o fazem, como se fosse um método contraceptivo. Não é e é uma prática que pode levar à morte ou à infertilidade da mulher, por isso deve ser uma decisão tomada em consciência.
Por tudo isto, sinto que estou balançada mas como sou a favor da liberdade de escolha, acho que sabem qual será o meu voto.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Natal, Natal, Natal, Natal... e Ano Novo!

Pois é, já se passaram as Festas... É sempre uma época de grande alegria para a terrinha, vê-se gente que já não se via há que tempos, aparecem sempre festas e jantaradas, é o tal "banho de gente" que eu esperava, depois do Imago.
Houve festa da nossa (do Fundão) associação cultural A23; estava lá toda a gente (até parecia uma daquelas festas VIP), foi muito boa, a festa.
Já a Passagem de Ano... digamos que a nossa Câmara Municipal não esteve muito bem. Era quase meia-noite, o povo fundanense acorre em magotes ao Pavilhão Multiusos para ver o fogo de artifício, o INEM estava a postos com as habituais ambulâncias. Tudo à espera, será que já é meia noite, e de repente ouvem-se barulhos de foguetes lá ao longe. Sim, lá ao longe, na Aldeia de Joanes, no Alcaide, na Covilhã, em todo o lado menos no Pavilhão Multiusos...
Este foi o nosso fogo de artifício (aquele pontinho de luz é a Lua, não é um foguete solitário, antes fosse), um fogo de artifício capaz de competir com o de Sidney ou do Funchal... Miséria!
Mas mesmo sem fogo de artifício, foi uma passagem de Ano porreira, com camarão e tudo!
Agora tenho um Ano Novo pela frente, prontinho a estrear, como se fosse um caderno com as folhas em branco, que daqui a uns tempos vão estar cheias de rabiscos e letras e desenhos. Nós é que preenchemos as folhas do nosso Novo Ano... será? Será que somos apenas nós que empunhamos a caneta com que vamos escrevendo as páginas da nossa vida? (esta altura é sempre muito reflexiva para mim) Talvez esteja a arranjar desculpas para as coisas que nem sempre correm como eu queria, apesar de eu tentar que corram. E lá entra o meu maldito karma, é sempre o meu bode expiatório para explicar determinadas coisas que me acontecem e que eu não consigo explicar. Será que estou a tentar "sacudir a àgua do capote"? Hum, acho que não. Normalmente assumo as consequências dos meus actos e sei ver quando uma coisa acontece por minha culpa - o que não é o caso, neste caso. Quando as coisas falham por nossa culpa, sempre podemos bater no peito, mea culpa, e tentar não fazer asneira na próxima vez. Mas e quando fazemos tudo bem, ou pelo menos não fazemos mal, e mesmo assim as coisas nos saem ao contrário? Pronto, acontece e tal, para a próxima corre melhor. Mas e quando estas situações já são recorrentes e fogem da nossa responsabilidade e controlo? Como é que podemos fugir das garras maléficas de um mau karma? Provavelmente na próxima encarnação, mas, e se não houver próxima encarnação? Se calhar isto não é mau karma, é mesmo má sorte.
E como se costuma dizer, "que o melhor de 2006 seja o pior de 2007". Esperemos que sim!

sábado, novembro 25, 2006

O Adamastor


Estou a escrever este post deitada na minha cama! Altamente espectacular! Viva o wireless!
Hoje choveu que Deus mandou; parecia uma versão moderna do Dilúvio. Não que eu saiba como foi o Dilúvio original, ainda não andava por cá nessa altura, ou se andava, não me lembro... Bem, de qualquer maneira, choveu muito. E "ventou"(será que esta palavra existe?) também.
Eu gosto dos dias de chuva, principalmente quando não tenho que sair de casa. Gosto de ouvir a chuva cair no telhado, as gotas de água a bater nos vidros da janela e a escorrer lentamente, deixando um carreiro, como se fossem lágrimas. Só não gosto do vento. Além de me irritar, assusta-me, o barulho do vento a passar nas frinchas das janelas e das portas, parece que anda um monstro lá fora, a rondar, a espreitar, assim tipo o Adamastor n'"A Mensagem" de Fernando Pessoa:

"O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse, «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo,
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse,
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes,
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!» "

Nunca gostei muito de Fernando Pessoa mas lembro-me sempre do "Mar Português" quando o vento sopra com força, talvez porque tive uma professora de Português no liceu que tinha o dom da palavra, e que descrevia tão bem as situações que nós quase conseguíamos visualizá-las.
Quando está vento, imagino o Mostrengo, leia-se Adamastor, com o sobrolho franzido, a rondar a minha casa, dando toques nas janelas e nas portas, abanando as àrvores. E sinto aquele "medo" bom, que me faz puxar o edredon até às orelhas e fechar os olhos com força, dando graças a Deus por ter uma casa e não estar a dormir na rua.
Começou a chover outra vez. O Adamastor deve estar a chegar...

domingo, outubro 29, 2006

O passado, este país distante...



Há um escritor, cujo nome agora não me lembro, que se refere ao passado como um "país distante". Eu digo mais, é um país distante, onde as pessoas são estranhas, apesar de vagamente familiares.
Nestes dias tenho andado especialmente saudosista, talvez influência do tempo ou do avanço da idade, não sei... Por isso, resolvi ir buscar os meus cadernos onde durante anos escrevi os meus pensamentos e as minhas histórias. E foi uma viagem estranha, diria mesmo perturbante. Fui eu que escrevi tudo aquilo, fui eu que vivi aquelas situações, e ao ler tudo aquilo acabei por reviver algumas delas; mas foi estranho, porque não me reconheci naquela adolescente. Lembro-me de algumas das situações que estavam ali relatadas, tenho a chamada "memória de elefante", inclusive da roupa que usava ou da data em que aconteceu determinada situação. Mas não me reconheço nas reacções daquela miúda que eu era.
Quando fui buscar a caixa onde guardo esses cadernos, ia decidida a lê-los de fio a pavio; no entanto, ao iniciar a leitura, comecei a ficar perturbada. E ainda mais perturbada fiquei quando me apercebi que estava a ficar perturbada ao recordar acontecimentos que datavam de há mais de 10 anos! Chego à conclusão de que o passado deve ficar onde pertence, no passado. Não que me arrependa de alguma coisa, "arrepende-te do que fizeste, não do que não fizeste", apenas são coisas que não fazem sentido no presente, pertencem, claro está, ao passado. No entanto, ao mesmo tempo foi bom recordar isso. Sentir no peito quase o mesmo que senti quando escrevi tudo aquilo. Sentir que houve qualquer coisa que mexeu muito comigo, que me fez rir e que me fez chorar, chorar muito.
Talvez neste momento me sinta um pouco vazia, porque não há nada que me faça rir ou chorar com a mesma intensidade, mas ao menos já houve. O que não é nada mau, para prémio de consolação...

domingo, outubro 22, 2006

E chove e chove e chove... E o Imago já lá vai...


Já voltou a chuva, ou melhor, já veio a chuva; tendo em conta o pouco que choveu o ano passado, penso que será mais correcto dizer que "a chuva veio" em vez de "a chuva voltou". Bem, adiante...
Está um daqueles Domingos feitos exclusivamente para ficar em casa a ver filmes. O barulho da chuva a bater no telhado e nas caleiras é quase hipnótico, dá vontade de não sair de casa.
O Imago já lá vai, foi um pretexto para inaugurar a Moagem, a meu ver um pretexto um pouco forçado, mas enfim... O espaço está engraçado e tal, mas para o Imago a que nós, fundanenses, estamos habituados é inadequado. Aquelas escadas de metal são um perigo, principalmente quando estão regadas de cerveja; estava a ver a altura em que iriam ceder com o peso de tanta gente a subir e a descer.
Depois aquela cena elitista chamada "guest list"; por amor de Deus, é um festival de cinema e música, não é uma festa do jet-set. Não?
De qualquer maneira, foi bom o Imago ter sido realizado naquele espaço pois permitiu a ascensão de outro espaço que estava esquecido na memória das gentes fundanenses (pelo menos na minha estava): a tasca da estação! Um espaço remodelado e bastante agradável, onde o pessoal que não constava da famosa "guest list" se reunia para beber umas minis e comer umas bifanas, bem boas por sinal. Um espaço imortalizado pelos Jerónimo e os Cromagnon no seu êxito "A Tasca do Sr. Zé da Estação" mas que não era um ponto de encontro muito habitual do pessoal mais jovem. Gostei da tasca.
Não assisti a uma única curta ou concerto, fui pelo convívio,pelo banho de gente nova; gosto de cinema mas confesso que não sou uma cinéfila erudita, gosto dos filmes comerciais que saem em DVD, não sei apreciar o cinema como arte, mea culpa.
Agora resta esperar pelas férias do Natal para ter mais um banho de gente, desta vez de gente amiga. Porque nesta terrinha, fora destes acontecimentos, não se vê ninguém. Será a tão falada desertificação? Talvez, mas desde que, de tempos a tempos, eles voltem, está tudo bem.

sábado, setembro 16, 2006

Mééé mééé, os Chocalhos estão de volta!


Ah pois é, mais uma vez a chocalhada está nas ruas. É o evento mais esperado do ano, juntamente com o Imago e as férias do Natal. Encontra-se toda a gente (mesmo aquela que não queremos encontrar), bebe-se ginja, come-se a primeira filhó do ano, pelo menos é o meu ritual!
É bom andar por aquelas ruas cheias de gente bem disposta, quer seja por feitio ou por acção da ginja e/ou outros adjuvantes do bom humor; ver aquelas casas reconstruídas mas ainda com a alma das gentes da Beira, uma cara nova mas um coração "velho", ainda com a traça e as memórias originais.
Transformam-se garagens e lojas em pequenas tascas onde se vende de tudo, desde argolas e ginja a bordados e fios e brincos e t-shirts. Mas acima de tudo, sente-se nas ruas a boa disposição, a alegria, quem sabe o orgulho de ser beirão.
É o terceiro ano que vou aos Chocalhos, e manda a tradição que no Sábado haja lá jantarada, com a morcela e a chouriça e a entremeada grelhadas. Hum, adivinha-se noite looooonga...

segunda-feira, setembro 11, 2006

Remember, remember, the 11th of September...


Faz hoje 5 anos que ocorreram os atentados ao WTC.
Neste dia é quase impossível não deixar aqui uma pequena homenagem a todos aqueles que estavam no local errado à hora errada. Que sorte ser portuguesa e estar a trabalhar em Portugal nesse dia fatídico, há 5 anos atrás.
Ontem a televisão pública "bombardeou-nos" com documentários sobre os atentados, testemunhos de sobreviventes, teorias da conspiração. Para mim, foram 2 horas "non-stop" que me horrorizaram e me fizeram pensar (mais uma vez) que realmente não fui feita para viver neste mundo...
No primeiro documentário ouviam-se testemunhos de pessoas que estavam nas Torres naquele dia, pessoas que conseguiram fugir dos atentados mas que não conseguiram fugir dos fantasmas. Impressionou-me. Uma sobrevivente contava que lavou as calças que usava nesse dia durante anos porque sentia que isso a ajudava a livrar-se do mal, dos fantasmas, dos traumas. São artefactos que os ajudam a manter a sanidade. Mais uma vez passaram as imagens de pessoas desesperadas, que ao verem-se sem saída, atiraram-se das janelas, escolhendo uma morte certa em vez de uma morte certa. Imagino o desespero daquelas pessoas; ter que escolher entre morrer asfixiado ou queimado, ou morrer esborrachado no chão. Qual delas a melhor?
O segundo documentário era uma reconstituição do que se terá passado a bordo do vôo 11 da American Airlines, o primeiro a embater nas Torres. Foi atrofiante! Senti o meu coração bater mais forte; eu já gosto pouco de andar de avião, imaginar-me dentro daquele avião só aumentou a minha fobia. O desespero das hospedeiras, que apesar do medo que sentiam ainda conseguiram acalmar os passageiros. O avião abanava por todo o lado, ao ser pilotados por 5 fanáticos de uma seita dos Islão, os Salafitas, que podiam perceber de sequestros mas não sabiam nada sobre como pilotar um avião. Ouvir as chamadas originais das hospedeiras, a voz de pânico com a certeza que iam morrer foi horrível!
O terceiro documentário falava da teoria da conspiração que se gerou em torno dos atentados. A ausência de destroços do avião que embateu no Pentágono. A catadupa de viagens de políticos dos EUA que estavam marcadas para 11 de Setembro de 2001 e que foram canceladas. Os avisos que um mayor de uma cidade qualquer recebeu para não viajar nesse dia. As observações de que a queda das Torres parecia uma implosão controlada. Isto ainda é mais horrível. Pensar que havia pessoas que podiam estar avisadas e que nada fizeram. Para quê? Com que intuito? Para favorecer quem?
Não sei se acredito nessas teorias da conspiração, apenas acredito que não há coincidências.
E quando penso no 11/09 vêm-me à memória as imagens daqueles desgraçados que caíam ao longo das Torres, esbracejando, como se isso os impedisse de se esborracharem no chão. As imagens dos bombeiros que perderam a própria vida a tentar salvar outras vidas. Isso é que é altruísmo.

segunda-feira, junho 26, 2006

Parabéns pela "Castro"!


Uma palavra para um jovem actor que se aventurou pelas artes da encenação. Tive o previlégio de assisitir à estreia da peça, que foi o culminar de uma dura luta para a trazer à luz do dia. Gostei porque é uma peça dura, porque a história de Inês de Castro não é só uma história de amor, é também uma história de ódio, de corrupção dos valores e da moral, um lado da mais famosa história de amor da nossa História que pouca gente viu. E agora, graças a ti, vê a luz do dia (e do palco!). Parabéns pela persistência, por não desisitires, por não teres baixado os braços. Que venham mais, cá estaremos para apoiar! C'um camandro!

quarta-feira, maio 24, 2006

Coisas que se vão aprendendo ao longo da vida...

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

E começas a aprender que beijos não são contratos, e presentes não são promessas. (...)

E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.

Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.

Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. (...)

Descobres que as pessoas com quem te importas na vida são tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vemos.

Aprendes que paciência requer muita prática.(...)

Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não dá o direito de seres cruel.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.

Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu será em algum momento, condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido,o mundo não pára para que o consertes.

E, finalmente,

Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E percebes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor e tu tens valor diante da vida!

E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!"

Shakespeare

sábado, abril 29, 2006

Introspecção

Uma pessoa tem que se conformar. Às vezes é difícil, principalmente se uma pessoa não é conformista, como é o meu caso. Mas como já referi noutro post, é preciso saber parar. Parar, pensar e ver se vale a pena continuar. Parei, pensei e vi: não vale a pena continuar.
Isto leva-me a pensar que nem sempre se consegue aquilo por que se luta. Então de que vale lutar? Talvez para que, quando olharmos para trás, sem termos conseguido aquilo pelo qual tanto lutámos, possamos suspirar e dizer " fiz o que podia, ao menos isso". E a nossa consciência fica tranquila, e podemos dormir bem à noite, embora o objecto da nossa luta possa vir assaltar-nos os sonhos e pôr tudo em polvorosa. O que vale é que acordamos e está tudo no mesmo sítio, os estragos foram temporários e apenas no sonho.
Continuo a dizer que os humanos são bichos muito complicados, há regras e convenções para tudo, há medos e inseguranças em procurar coisas que são quase instintivas. Mas temos que ter cuidado para não ferir susceptibilidades, olha o socialmente correcto, olha o que as pessoas vão pensar... Antes estava-me borrifando para isso, para o que as pessoas pensavam. Mas tinha 14 anos, era o que se chama uma "teenager inconsciente"; mas conseguia quase sempre aquilo por que lutava. Algures entre essa época e o presente perdeu-se qualquer coisa, talvez a ingenuidade própria da adolescência, que não convém estar presente na idade adulta porque corremos o risco de passarmos de ingénuos a estúpidos.
Às vezes apetece-me fingir que tenho 14 anos e borrifar-me para as convenções e ser criança - porque é mais fácil para uma criança dizer o que sente porque para as crianças não há convenções nem susceptibilidades para ferir. Se calhar devíamos agir mais como as crianças, pelo menos no que toca a expressar sentimentos; nem quero imaginar nas oportunidades que se perdem por medo de mostrar o que se sente. Faz-me lembrar um daqueles mails-maravilha que andou a circular por aí há uns tempos, era sobre guardarmos determinadas palavras e objectos para ocasiões especiais que podem nunca acontecer. Não sei se o reenviei mas fiquei a pensar nele. E realmente devemos dizer aquilo que sentimos quando o estamos a sentir, não devemos esperar pela ocasião A ou B, porque não sabemos se essas ocasiões vão acontecer. E é aqui que entra a criança que há em nós; para as crianças não há ocasiões especiais, as crianças pura e simplesmente dizem o que lhes dá na bolha quando bem lhes apetece. E era assim que os adultos deviam ser, em determinadas situações. Talvez fôssemos mais sinceros uns com os outros e não digo que o Mundo inteiro seria melhor, mas talvez alguns mundos mais pequenos fossem mais felizes.

quarta-feira, abril 26, 2006

Não é preciso dizer mais nada, pois não?

"Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
o antes, o agora e o depois
por que você me deixa tão solto?
por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
só abro pra você mais ninguém
por que você me esquece e some?
e se eu me interessar por alguém?
e se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora?
Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora?"

Caetano Veloso

segunda-feira, abril 17, 2006

The way you made me feel...


"If I should die this very moment
I wouldn't fear
For I've never known completeness
Like being here
Wrapped in the warmth of you
Loving every breath of you
Still in my heart this moment
Or it might burst
Could we stay right here
Until the end of time until the earth stops turning
Wanna love you until the seas run dry
I've found the one I've waited for

All this time I've loved you
And never known your face
All this time I've missed you
And searched this human race
Here is true peace
Here my heart knows calm
Safe in your soul
Bathed in your sighs
Wanna stay right here
Until the end of time
'Til the earth stops turning
Gonna love you until the seas run dry
I've found the one I've waited for
The one I've waited for

All I've known
All I've done
All I've felt was leading to this
All I've known
All I've done
All I've felt was leading to this
Wanna stay right here
'Til the end of time 'till the earth stops turning
I'm gonna love you till the seas run dry
I've found the one I've waited for
The one I've waited for
The one I've waited for

Wanna stay right here
'Til the end of time 'till the earth stops turning
I'm gonna love you till the seas run dry
I've found the one I've waited for
The one I've waited for
The one I've waited for"

Gorecki - Lamb

Que bem que se estava lá...

domingo, abril 16, 2006

Há coisas que nunca mudam... e ainda bem!


Os anos passam mas há coisas que permanecem imutáveis. Ontem foi uma noite em que isso ficou bem claro para mim, assim como ficou claro que são essas coisas que nunca mudam que servem de pontos de referência quando a vida se torna um turbilhão de coisas novas e nem sempre agradáveis. Foi bom ver que os anos passam, que nós crescemos mas que as borgas são iguais, os risos são iguais, o à-vontade é o mesmo; é como se nunca nos tivéssemos separado, como se ainda andássemos no liceu, como se o tempo tivesse parado só por aquela noite.
É bom ver que há amizades que nunca se perdem, é bom saber que aquele ombro está sempre ali, é bom saber que realmente nos conhecemos.
No livro de Antoine de Saint-Exupéry, "O Principezinho", o meu livro favorito de todos os tempos, a raposa diz "se queres um amigo, prende-me a ti.". E eu ontem tive a noção de que os laços de amizade que unem as pessoas são mais fortes que a distância e que o tempo. E que estamos, e estaremos, presas umas às outras para todo o sempre!

sábado, abril 08, 2006

Ainda há coincidências?...

Continuando na onda do post anterior, talvez eu não tenha sido assim tão má na outra vida. Acho que, afinal, por vezes aquilo que queremos não é o melhor para nós. O problema é que temos, ou pelo menos eu tenho, o defeito de lutar por aquilo que queremos, mesmo que esteja escarrapachado à nossa frente que o objecto da nossa luta (seja ele um amor, um amigo ou um par de botas) não é o mais indicado para nós. Como conseguir saber quando desistir, esse é o problema...
Agora, quando nos aparece um desafio e nós o aceitamos, devemos ir até ao fim? Devemos desistir à primeira adversidade? Ou devemos arriscar um pouco mais, correndo o risco de fazermos figura de urso ("quanto mais te baixas, mais o cu se te vê", é o que me diz o meu pai), até termos a certeza de que é uma luta por uma causa perdida? Acho que o importante é ficarmos em paz com a nossa consciência, é termos a consciência de que fizémos tudo o que podíamos, até mesmo um pouco mais do que devíamos, para conseguir vencer o desafio. Se conseguirmos e valer a pena, óptimo; se não, temos pena.
Há coisas que sabem melhor quando são difíceis de alcançar, quando dão trabalho, quando exigem de nós um esforço "hercúleo"; mas não exageremos! Há limites para tudo, e há que saber parar.
Esta foi a minha reflexão de ontem sobre um novo desafio que me foi colocado, e a conclusão a que cheguei é que tinha que parar, que tinha feito tudo o que estava ao meu alcance e não tinha vencido. Mas hoje, precisamente hoje, após a decisão tomada ontem, recebo uma espécie de sinal, como que a dizer "alto lá!". Será coincidência? Ainda há coincidências?...

quinta-feira, abril 06, 2006

Uma reflexão profunda... ou não!


Ok, confesso que não tenho prestado muita atenção a este meu cantinho mas os afazeres da vida às vezes a isso obrigam...
Ultimamente tenho-me debatido com uma questão que pode ser ridícula para uns, pertinente para outros, ou completamente estúpida para a maioria das pessoas: o karma!
O karma é definindo na Wikipédia como "do sânscrito कर्म karmam; em pali, Kamma) significa ação. Deve-se no entanto notar que não há muita consistência de uso do termo ou de interpretação de seu significado. As religiões utilizam o termo Karma para expressar um conjunto de ações dos Homens e suas consequências. Este termo, na física, é equivalente a lei: "Para toda ação existe uma reação de Força e Sentido contrário". Neste caso, para toda ação tomada pelo Homem ele pode esperar uma reação. Se praticou o mal então receberá de volta um mal em intensidade equivalente ao mal causado. Se praticou o bem então receberá de volta um bem em intensidade equivalente ao bem causado. Dependendo da doutrina e dos dogmas da religião discutida, este termo pode parecer diferente, porém sua essência sempre foca as ações e suas consequências."

Ora bem, eu não sei se acredito no karma e na reencarnação, mas às vezes acho que quero acreditar para sentir que talvez venha a ter a oportunidade de fazer uma data de coisas que nesta vida já não vou conseguir fazer, como por exemplo, tirar Medicina e ter irmãos (entre outras). Por outro lado, acreditar na reencarnação leva-nos à problemática do pagamento pelas más acções que se cometeram; deverá uma pessoa pagar por aquilo que fez na mesma vida em que prejudicou outras pessoas ou essa dívida é "carregada" às costas até ser considerada saldada?
Olhando para o que me tem acontecido nestes últimos meses, acho que essa dívida pode levar mais do que uma vida a pagar e concluo que fui muito muito má noutra vida...

quinta-feira, dezembro 01, 2005

O regresso

Após meses de ausência estou de volta às lides "bloggistas". Meses cheios de coisas para fazer que me impediram de me sentar um pouco em frente a este computador e escrever. Não que não tenha sentido necessidade, senti e muito. O desabafo anónimo por vezes ajuda. Mas os afazeres diários não o permitiram.
Fui "mãe" de uma tese de mestrado, cuja "gravidez" durou 1 ano e meio (quase como um elefante!), e digamos que foi um parto difícil. Mas a minha "cria" já nasceu, está bem de saúde e foi bem recebida, que é como quem diz, foi aceite!
Agora que já não tenho que me preocupar com a tese, começo a pensar noutras coisas. E dou por mim a pensar que se calhar preferia continuar preocupada com a tese... Durante o tempo que durou a escrita, não pensava em mais nada a não ser em acabá-la. Era uma ânsia que me consumia, dias e noites sentada numa cadeira em frente a um computador, a ver linhas e linhas de texto, imagens, esquemas surgirem diante dos meus olhos... Não pensava em mais nada, não tinha tempo. Mas agora, voltam à minha cabeça imagens que eu jurava estarem já enterradas. Talvez eu me tenha apercebido (de novo) da injustiça da vida em determinadas situações. E a frase mais vezes repetida na minha cabeça é camoniana: "Os bons vi sempre passar/ Na vida grandes tormentos/ E os maus vi sempre nadar/ Em mares de contentamentos". Mas não devia ser assim! Não me conformo com certas situações. Não consigo aceitar que o mal seja recompensado com o bem. Mas pelos vistos as coisas funcionam assim. E é isso que não consigo aceitar.
De qualquer maneira, se calhar como uma forma de me encaixar nesta injustiça que povoa as nossas vidas, penso que "tudo acontece por uma razão" e que por vezes aquilo que desejamos para nós não é o melhor.
Acho que estes meses foram um refúgio, difícil e esforçado é certo, mas foram um refúgio. Tive a falsa sensação de que tudo estava bem, que todos os fantasmas estavam enterrados, que o passado era passado e nunca jamais voltaria a interferir com o presente. Estava enganada.

"Águas passadas não movem moinhos". Será?

segunda-feira, julho 04, 2005

13 Linhas para Viver

"1 – Amo-te não por quem tu és, mas por quem eu sou quando estou contigo.

2 – Nenhuma pessoa merece as tuas lágrimas e quem as merece não te fará chorar.

3 – Só porque alguém não te ama como tu desejas não significa que não te ame com todo o seu ser.

4 – Um verdadeiro amigo é quem te pega a mão e te toca o coração.

5 – A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca o poderá ter.

6 – Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estás triste, porque nunca se sabe quem poderá enamorar-se do teu sorriso.

7 – Podes ser somente uma pessoa para o mundo, mas para alguma pessoa tu és o mundo.

8 – Não passes o tempo com alguém que não está disposto a passá-lo contigo.

9 – Quem sabe Deus queira que conheças muita gente errada antes que conheças a pessoa certa para que, quando no fim a conheças, saibas estar agradecido.

10 – Não chores porque já terminou, sorri porque aconteceu.

11 – Haverá sempre gente que te magoe. Assim, o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem confias.

12 – Converte-te numa pessoa melhor e assegura-te de saber quem és antes de te dares a conhecer a alguém.

13 – Não te esforces tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperas.



TUDO ACONTECE POR UMA RAZÃO"

Gabriel García-Márquez

Que é como quem diz, "há males que vêm por bem". ;)