"Enough is enough"
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| "O Grito", Edvard Munch |
Às vezes andamos no limbo, na fronteira entre a escuridão total e o deslumbramento da luz...
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| "O Grito", Edvard Munch |
Palavras botadas com sabedoria por
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10:43 p.m.
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Ora aí está outra vez o dia 14 de Fevereiro. Um dia enervante, pintado de rosa e vermelho (duas cores que, a meu ver, não combinam) e de amor meloso que escorre pelas ruas. Não tenho nada contra o amor, nada mesmo, mas confesso que me enervam um pouco os rituais deste dia: as filas à porta dos restaurantes, cujas mesas estão preparadas para 2 pessoas (o que torna difícil um grupo de amigos ir jantar fora nesse dia) e o olhar apaixonado dos casais sentados no restaurante, que provavelmente não olharam verdadeiramente um para o outro nos últimos tempos.
Como já referi num post anterior, acho que as manifestações de carinho devem ser espontâneas e inesperadas; de certeza que há membros de um casal que passam o dia dos Namorados à espera de manifestações de carinho inesperadas. Esta frase é uma contradição, "à espera de manifestações de carinho inesperadas"... Mas muitas vezes é o que acontece. Por isso não gosto do Dia dos Namorados, para mim é um dia hipócrita. Se algum dia eu o passar com a minha cara-metade, não vou comemorar este dia porque todos os dias serão de manifestação de carinho (que bUnitooooo!!), porque simplesmente não acredito nele. O amor deve ser celebrado sempre, não em dias marcados.
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Bachelorette
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3:22 p.m.
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Estou de novo com o pé ao peito (dois pés, dois joanetes... sim, os meus pés são irmãos gémeos) e por isso tenho tempo de sobra e pouco para fazer com ele. Não andei a ouvir Rob Zombie mas sim a arrumar as "caixas" no meu "sotão", a separar o que tem importância do que tem importância relativa (que são duas coisas bem diferentes) e posso dizer que estou "renovada", é como se tivesse feito uma espécie de "recauchutagem" da alma.
Confesso que ainda estou enferrujada na escrita; apetece-me escrever mas, ou não sei bem sobre quê ou se sei, não sei como iniciar a abordagem do tema. Talvez a culpa seja dos 8 dias consecutivos a usar calças de "andar-por-casa" e polares, sem saber o que é respirar ar puro, a não ser os escassos minutos em que ponho a cara fora da janela e inspiro com força. Isto tolda-me o espírito. Mas melhores dias virão.
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12:29 p.m.
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Tenho medo de me estar a tornar numa pessoa amarga. Quando olho para o título do blogue e para tudo o que já escrevi chego à conclusão que é bem mais "darkness" que "wonder". E confesso que isto me começa a assustar.
Começo a não ter paciência para determinadas coisas, começo a ver que há sítios onde antes me encaixava e agora já não me encaixo. Começo a sentir-me sozinha mesmo estando rodeada de muita gente, e tenho medo que a minha amargura esteja a "vir ao de cima" e a afastar as pessoas de mim. Talvez não de uma forma física mas de uma forma emocional.
Sinto-me triste, desenquadrada, sem saber muito bem onde me devo encaixar. Penso em tudo o que tentei conquistar e não consegui; antes não me incomodava por aí além mas agora incomoda-me, pesa-me como se trouxesse o Mundo às costas. Sinto-me revoltada por me ver negadas coisas que parecem tão fáceis de obter para outras pessoas, como iniciar a minha própria família ou ter alguém com quem ir de férias ou a um concerto a que me apeteça assistir.
Olho para os filhos dos meus amigos e sinto uma ternura imensa por eles, e ao mesmo tempo uma pena enorme.
Olho para os amigos de longa data que se afastam cada vez mais por vicissitudes da vida e pergunto-me onde anda aquele sentimento de amizade incondicional, aquele "amor sem sexo" que vale tanto nos tempos de liceu. Óbvio que os tempos de liceu já lá vão, e de facto essa cumplicidade é naturalmente transferida para um/a companheiro/a, que passa a ser o nosso amigo incondicional que nos acompanha a todo o lado. Mas e quem não o tem? Continua a procurar os amigos do liceu mas apercebe-se que já não é a mesma coisa.
Sinto-me cheia de mágoas e coisas más que me magoam as entranhas e me fazem ter dificuldade em respirar; dói-me a garganta, parece que tenho uma garra que me aperta, durmo mal e sonho imenso, sonhos assustadores e estranhos e chego à conclusão que algo está errado comigo.
Não queria que este cantinho se transformasse num "muro das lamentações" mas de facto não consigo escrever sobre coisas alegres e felizes. Por isso vou fazer um retiro por tempo indeterminado. Talvez volte ou talvez não. Se não voltar, a todos os que me foram acompanhando nestes relatos, bem hajam.
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9:29 p.m.
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9:18 p.m.
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E pronto, mais um sonho que fica arrumado a um canto. A medicina junta-se ao doutoramento, ao trabalhar na investigação, ao marido e aos filhos, sem falar dos irmãos. Olho para esse canto e dou por mim a pensar: "mas é para isto que estou guardada?"
Analisando a minha vida posso dizer que sonhos concretizados são poucos mas tentativas de os concretizar, muitas! E isso dá-me alguma paz de espírito. Obviamente que realizei alguns sonhos, mas neste momento estou na fase "copo meio vazio", só vejo o que não consegui concretizar.
Neste momento acho que a insatisfação própria do ser humano é uma porcaria, e que ser acomodado é que é fixe, pelo menos uma pessoa não se chateia nem se desilude. Confesso que começo a ficar farta de desilusões, farta de perseguir sonhos e não os conseguir realizar, por isso acho que vou deixar de tentar. Estou cansada. Tenho mesmo que gostar daquilo que tenho em vez de ter aquilo de que gosto, é para isso que estou guardada.
O que vale é que acredito na reencarnação, e sei que na próxima vida vou conseguir estas coisas todas, o que irá fazer de mim alguém muito cansado mas muito feliz. Isto se não reencarnar numa minhoca e passar a vida a escavar túneis na terra molhada.
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9:17 p.m.
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| Imagem: kimcats |
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9:59 p.m.
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Nestes tempos conturbados de crise e FMI e desemprego, começo a questionar-me se ser perseverante é uma qualidade ou um defeito.
Como disse no post anterior, sinto que há algo mais para mim e continuo a lutar e a procurar, embora não saiba muito bem qual é o alvo da minha busca. Sinto-me incompleta e talvez seja por isso que procuro sempre lutar por alguma coisa. É uma forma de me sentir "viva"; o sentimento de expectativa de algo faz-me correr uma espécie de adrenalina nas veias, mas uma adrenalina boa, que não me assusta nem me provoca pânico. É quase uma adrenalina calmante, por mais contraditório que possa parecer; é o sentir que estou a fazer algo por mim, que não me sento à espera que a vida me dê algo, que parto à luta pelas coisas. Sinto uma espécie de orgulho de mim própria.
A 3 dias de iniciar mais uma demanda por um sonho antigo (posso dizer " a iniciar mais uma vez", tendo em conta que é a 4ª vez que tento) começo a pensar se estarei a fazer a coisa certa. Quer dizer, eu sei que é uma coisa que eu quero desde sempre, mas agora eu estou um pouco diferente, já vivi outras coisas; a minha vida agora é muito diferente da vida que eu tinha quando tentei pela última vez entrar em Medicina, estava no 2º ano da Universidade, prestes a passar para o 3º, já lá vão 13 anos. Agora tenho outras responsabilidades, outra idade, mas o gosto e o sonho da Medicina continuam cá. Se calhar com outra calma e sem a urgência dos 20 anos. Mas ainda continuam por cá.
Nesse último ano que tentei entrar no curso de Medicina, e mais uma vez falhei, o meu pai disse-me "deixa lá filha, não está no teu karma". E essa frase tem-me passado pela cabeça muitas vezes nestas últimas semanas. Estarei a forçar uma coisa que não está destinada a ser? Será que deveria parar de lutar? Saber desistir é uma virtude...
Imagino como será se conseguir entrar. O momento em que vou saber o resultado. A minha reacção. A decisão nada fácil que vou ter que tomar, seguir o sonho ou escolher a segurança e o conforto. Claro que digo a toda a gente que tenho tempo para decidir (e tenho), que não vale a pena estar a morrer de véspera como o perú, que posso nem sequer chegar à fase final e posso nem sequer entrar, por isso não vale a pena estar a mortificar-me com decisões que nem sequer sei se vou ter que tomar. Mas minto se disser que não penso nisso de vez em quando, ultimamente cada vez mais. E minto também se não disser que me aquece o coração imaginar que finalmente consigo.
Tenho medo de não conseguir tomar uma decisão. Com a crise que vivemos, com o desemprego a aumentar, com os tempos difíceis que se avizinham, marcados por frases "quem tem emprego que o agarre bem!", tenho medo de não conseguir tomar uma decisão. Tenho medo de largar tudo e depois não ser capaz (porque agora eu tenho 33 anos, 11 passados a trabalhar num hospital e já sei o que me espera) e tenho medo de me acobardar e ficar para sempre a pensar " e se eu tivesse ido?". Sei que não quero ficar a trabalhar para sempre onde trabalho. Sei que quero fazer outras coisas, que a rotina está a matar-me aos poucos, que a desmotivação cresce todas as semanas. Sei que há algo mais para mim, que eu não posso estar guardada para isto, tem que haver mais.
Estas dúvidas que me assaltam fazem-me pensar que afinal, se calhar já não quero assim tanto ir para Medicina. Ou então é o peso das responsabilidades que assumi. E é por isto que não sei se faço bem em tentar uma 4ª vez. Porque estou a ter que lidar com a possibilidade de entrar e ter que tomar a decisão mais difícil da minha vida (até agora).
Sem dúvida que saber desistir é uma virtude. Mas como é que sabemos que chegou a hora de desistir? Começo a ficar confusa e a pensar demais nas coisas, tento racionalizar tudo quando sei perfeitamente que há coisas que não podem ser racionalizadas.
Sei que isto são os nervos que começam a dar sinal, apesar da minha aparente calma e descontracção estou a "fervilhar". Mas independentemente do resultado, sei que tenho que fazer isto. Para exorcizar este fantasma de uma vez por todas. Só espero ter maturidade suficiente para tomar uma decisão. Se a isso me vir obrigada.
Palavras botadas com sabedoria por
Bachelorette
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11:52 p.m.
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9:28 p.m.
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| imagem: proverbiospedra.blogspot.com |
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Bachelorette
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9:27 p.m.
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Olho para a coluna do lado esquerdo do blogue e apercebo-me que em 2010 escrevi menos de um terço dos posts de 2009. Claramente 2010 foi um ano pior em termos de escrita. Motivo? Passam-me vários pela cabeça mas não sei qual será o principal: preguiça, falta de inspiração, muito para dizer mas falta de organização de ideias. Não sei. O que sei é que escrevi muito menos que o ano passado. 2009 está em vantagem nesse campo.
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4:27 p.m.
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Agora que tenho tempo livre (demais, diga-se de passagem) podia escrever mais. De facto já tentei iniciar três textos mas depois aquilo não me soa bem e amachuco a folha de papel, que é como quem diz, apago o rascunho.
A inércia é uma chatice porque traz mais inércia, e quanto menos faço menos me apetece fazer, embora eu deteste estar sem fazer nada. Isto é um pouco contraditório mas tendo em conta que já não saio de casa há quase uma semana, não apanho ar puro nem sol nem chuva, é normal que o meu raciocínio se encontre um pouco toldado.
Neste momento o meu pé esquerdo é o centro do meu mundo, e isso é triste. Tudo o que faço (ou melhor, que não faço) é em função do meu pé: levanto-me às 9h30m para tomar o antibiótico, porquê? Por causa do pé. Alguém me vem visitar, porquê? Por causa do pé. Apetecem-me pratos de que eu já não me lembrava, porquê? Por causa da "depressão" que o meu pé me inflige por não poder sair de casa. O meu pé é o meu mundo. Felizmente espero que não seja por muito tempo, tanto que o outro pé está a ficar ciumento e sobrecarregado; tem-me doído mais do que o habitual e tem razão, afinal está privado de sair e não tem culpa nenhuma. Também a vez dele chegará, temos que ser uns para os outros, e ele lá se vai aguentando.
Como estou fechada em casa não vivencio nenhum situação que mereça algum tipo de comentário ou reparo; o contacto com o mundo faço-o através de televisão, da net e de alguns amigos que vão aparecendo ou telefonando. No entanto, apetece-me escrever. Mas sem assunto é difícil. E com sono pior ainda. Vou dormir. Talvez amanhã corra melhor.
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12:25 a.m.
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E pronto, lá fui à faca. Não foi o drama que eu pensava que poderia ser, foi tudo muito calmo e controlado, o bloco operatório é apenas uma sala cheia de máquinas com um candeeiro que faz lembrar as colmeias.
Não gostei da anestesia geral, deu-me uma "moca" brutal que demorou horas a passar; pelos vistos a anestesia tem uma componente analgésica da famílias dos opiáceos e por isso estive quase 7 horas sem conseguir dizer nada de jeito, a saltitar entre o estado de vigília e um sono falso e desagradável. Se é isto a "moca" de heroína eu nunca me viciarei numa coisa dessas!
Agora passo os dias a saltar da cama para o sofá, do sofá para a cama, vejo televisão o dia todo (dou graças pela TV Cabo, havia de ser bonito gramar com as "Tardes da Júlia" o mês todo...) e dou uns passeios pela casa com as minhas novas amigas canadianas, a Sheila e a Nancy. São umas queridas, fazem-me companhia e apoiam-me imenso mas são pouco faladoras e também não comem nada de jeito. Feitios...
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11:25 a.m.
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Os domingos deprimem-me. Sempre me deprimiram, já desde os primórdios da minha infância. Na altura marcavam o final de um ciclo interminável de dois dias em que não havia escola e em que era ramboiada de manhã à noite. Depois passaram a ser o dia de viagem de regresso a Aveiro, para mais uma semana de aulas numa cidade que eu odiava. Agora não marcam o dia que precede o início das aulas mas muitas vezes ainda é o dia de viagem de regresso mas desta vez a casa, o que é igualmente deprimente, principalmente depois de um fim de semana com os amigos. E continua a deprimir-me, mesmo que não tenha saído no fim de semana. Até no verão, quando estou de férias, é um dia deprimente; numa escala menor, mas ainda assim deprimente.
Lembro-me que, quando estive em Viena, passei lá um domingo e verifiquei que é exactamente igual ao domingo em Portugal. Andei a passear pela cidade e dei comigo a pensar "é tal e qual lá"; não se via viv'alma nas ruas, parece que aos domingos desce um manto de depressão sobre o Mundo.
Nos domingos não me apetece fazer nada, fico melancólica e talvez por não ter muito que fazer, os meus pensamentos viajam por sítios que não deviam e vão buscar coisas que deviam ficar sossegaditas, enterradas algures nas circunvalações cerebrais mais profundas. Talvez seja o poder hipnótico do fogo na lareira ou o calor que dela emana, o facto é que começo a divagar. E não gosto nada de divagar aos domingos, principalmente quando está a chover.
Houve uma altura em que aos domingos chorava sempre. Não me recordo bem porquê, mas sei que saía sozinha para tomar café, os meus amigos ou estavam em casa a ressacar ou tinham saído com os respectivos pares (nunca percebi muito bem porque é que aos domingos saíam sozinhos, podiam escolher outro dia da semana para estarem a sós ou até irem variando de dia da semana) e depois vagueava pelo Fundão, autêntica cidade-fantasma. Só se viam casalinhos a passear pelas ruas, a ver as montras, parecia o dia de S. Valentim. E aquilo enervava-me um bocado. Sentia-me mesmo sozinha.
Agora não, os tempos mudam, a idade também, e mesmo que estejam de ressaca, os amigos acabam por aparecer ao domingo, afinal as bebedeiras já não são tão fortes (o corpo já não aguenta tanto) e o café faz milagres quando estamos de ressaca. De qualquer maneira, os pensamentos continuam a vaguear, talvez porque o ritmo de domingo é um ritmo mais lento e modorrento.
Chego à conclusão que não gosto de estar sem fazer nada, o que me vai trazer muitos dias melancólicos nos próximos tempos. Se calhar é melhor não acender a lareira.
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4:57 p.m.
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12:03 p.m.
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11:26 p.m.
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Não gosto de falar ao telefone. É verdade, sou mulher e abomino falar ao telefone. Eu preciso de contacto visual; pela expressão de uma pessoa eu consigo perceber o rumo da conversa, coisa que é difícil perceber pelo telefone (embora com pessoas que já conheço muito bem consiga fazê-lo). Daí se percebe que falar com pessoas que não conheço ou que conheço não muito bem provoque em mim um certo desconforto. Se conheço a pe
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12:27 a.m.
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| Praia da Ribeira do Cavalo, Sesimbra |
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6:58 p.m.
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Embora não seja fanática da teoria do destino, em que se defende que nascemos com o nosso percurso de vida traçado, tenho que me render às evidências e aceitar que quando o destino se orienta numa determinada direcção, é quase impossível mudá-lo.
Sempre acreditei que nascemos com uma linha orientadora traçada, mas que o destino somos nós que o fazemos; vamos sempre parar àquela linha mas o caminho que percorremos até lá chegar, somos nós que o traçamos. É como a história daquele senhor que vai à bruxa e esta lhe diz que vai morrer num acidente de avião; ao ouvir isto, o senhor evita o dito meio de transporte e durante anos consegue escapar ao trágico destino. Até ao dia em que cai um avião em cima da sua casa e o senhor morre. Moral da história: por mais voltas que demos, vamos sempre parar à linha orientadora.
Eu sempre quis ser médica. Lembro-me que, quando o hospital da Covilhã estava a ser construído, sempre que ia para Aveiro, e da estrada via o local das obras, dizia "Um dia ainda hei-de trabalhar ali...", semana após semana, durante 4 anos. E de facto aconteceu, não como médica, mas fui lá parar. A minha linha orientadora apontava para ali e eu lá fui parar.
O facto de não acreditar em coincidências também reforça a minha "rendição" ao poder fantástico do destino. Para algumas pessoas, destino e karma são a mesma coisa; eu considero que são duas "entidades" distintas, mas é apenas a minha interpretação. Talvez para mim o karma tenha uma conotação mais pesada, como um fardo que se traz de uma outra existência, uma penitência que tem que se cumprir por erros passados. Para mim o karma é sempre mau, embora saiba que não é assim; a mim soa-me sempre a coisa ruim. Já o destino parece uma coisa mais leve, o destino pode ser bom, embora nem sempre seja.
Às vezes fazemos tudo o que está ao nosso alcance para mudar o rumo das coisas; no entanto aparecem sempre empecilhos, pequenas pedras na engrenagem que nos impedem de atingir o nosso objectivo. Conseguimos retirar algumas dessas pedras, resolver alguns dos contratempos, mas eles continuam a aparecer como cogumelos. Nessa altura temos que nos render às evidências: não está no destino que determinado acontecimento tenha lugar. E apesar de acreditar que somos nós que traçamos o nosso destino, a linha orientadora está lá. E não vale a pena gastar energia para a tentar mudar, por mais voltas que dermos, vamos sempre, mas sempre, lá parar...
"Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar
Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar..."
Palavras botadas com sabedoria por
Bachelorette
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6:35 p.m.
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