sábado, maio 01, 2010

"Linha orientadora" ou "capricho do destino"

Embora não seja fanática da teoria do destino, em que se defende que nascemos com o nosso percurso de vida traçado, tenho que me render às evidências e aceitar que quando o destino se orienta numa determinada direcção, é quase impossível mudá-lo.
Sempre acreditei que nascemos com uma linha orientadora traçada, mas que o destino somos nós que o fazemos; vamos sempre parar àquela linha mas o caminho que percorremos até lá chegar, somos nós que o traçamos. É como a história daquele senhor que vai à bruxa e esta lhe diz que vai morrer num acidente de avião; ao ouvir isto, o senhor evita o dito meio de transporte e durante anos consegue escapar ao trágico destino. Até ao dia em que cai um avião em cima da sua casa e o senhor morre. Moral da história: por mais voltas que demos, vamos sempre parar à linha orientadora.
Eu sempre quis ser médica. Lembro-me que, quando o hospital da Covilhã estava a ser construído, sempre que ia para Aveiro, e da estrada via o local das obras, dizia "Um dia ainda hei-de trabalhar ali...", semana após semana, durante 4 anos. E de facto aconteceu, não como médica, mas fui lá parar. A minha linha orientadora apontava para ali e eu lá fui parar.
O facto de não acreditar em coincidências também reforça a minha "rendição" ao poder fantástico do destino. Para algumas pessoas, destino e karma são a mesma coisa; eu considero que são duas "entidades" distintas, mas é apenas a minha interpretação. Talvez para mim o karma tenha uma conotação mais pesada, como um fardo que se traz de uma outra existência, uma penitência que tem que se cumprir por erros passados. Para mim o karma é sempre mau, embora saiba que não é assim; a mim soa-me sempre a coisa ruim. Já o destino parece uma coisa mais leve, o destino pode ser bom, embora nem sempre seja.
Às vezes fazemos tudo o que está ao nosso alcance para mudar o rumo das coisas; no entanto aparecem sempre empecilhos, pequenas pedras na engrenagem que nos impedem de atingir o nosso objectivo. Conseguimos retirar algumas dessas pedras, resolver alguns dos contratempos, mas eles continuam a aparecer como cogumelos. Nessa altura temos que nos render às evidências: não está no destino que determinado acontecimento tenha lugar. E apesar de acreditar que somos nós que traçamos o nosso destino, a linha orientadora está lá. E não vale a pena gastar energia para a tentar mudar, por mais voltas que dermos, vamos sempre, mas sempre, lá parar...

"Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho
se faz caminho ao andar

Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar

Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar..."

António Machado
poeta espanhol

quarta-feira, abril 14, 2010

Danke schön, Wien!

Os brasileiros têm uma fixação pela Europa. Basta ver uma ou duas novelas produzidas do lado de lá do Atlântico para nos apercebermos que, para eles, a Europa é um mundo cheio de coisas boas. É na Europa que existem as melhores lojas, a água Evian é um "must" para eles (eu já provei e acho que é uma bela porcaria, viva a nossa Luso, Vitalis ou Glaciar!) e estudar na Europa é uma mais-valia para o currículo de qualquer "brasuca".
Eu vivo na Europa (acho que Portugal AINDA pertence à Europa, embora por vezes não pareça) mas também sinto um fascínio por essa "outra" Europa que fica para lá de França, que era a fronteira da "minha" Europa.
Alguém escreveu ou disse, um dia, que quando viajamos, trazemos sempre connosco um pedaço dos sítios que visitámos, e que a nossa personalidade vai sendo construída com esses pedaços. Em suma, cada sítio que visitamos muda-nos um pouco. Estes dias passados em Viena mudaram-me, mas acho que foi mais que um pouco, foi mesmo muito. Não sei bem porquê; talvez porque me senti bem num país que não é o meu, numa língua que não é a minha. Talvez porque me senti adaptada a uma realidade que me é estranha. Talvez porque caminhei nas ruas e andei no metro e me diluí no meio daquela gente toda, sem sentir que era uma "estrangeira". Pode parecer estranho e infantil, mas senti-me invencível, orgulhosa de mim por conseguir viver como minha uma rotina que não é a minha; consegui sentir que fazia parte de uma cidade que não é minha. Consegui "fundir-me" com Viena. E gostei da sensação.
Andar naquelas ruas cheias de edifícios magníficos e imponentes, respirar aquele ar cheio de História, ir à ópera (que foi um momento tocante, a minha primeira ida à ópera foi em Viena!), ouvir o "Danúbio Azul" tocado na terra do seu compositor. Ouvir a minha música clássica preferida (Air Suite nº3, de Bach) tocada ali, a uns metros de mim foi arrepiante, não consegui conter as lágrimas; esta música traz-me à lembrança um dia específico da minha infância, um dia sem nada de especial mas em que eu me lembro de ouvir esta música na rádio, num anúncio a um banco, enquanto me vestia e a minha mãe me preparava o pequeno almoço. Realmente, o que se leva da vida é o que se goza.
Sinto-me diferente, não sei se para melhor, mas seguramente diferente. Perdi o medo de voar. Perdi o medo de estar "sozinha" numa terra estranha, perdi o medo de não saber desenrascar-me. (ah, esse hábito tão português do "desenrascanço" foi uma preciosa ajuda para mim!)
Estes dias em Viena fizeram-me crescer como pessoa. Este crescimento provoca alguma dor e desconforto, mas faz parte de qualquer tipo de crescimento, de termos a noção que estamos diferentes. Que, de alguma maneira, mudámos de pele. Agora tenho mais um pedacinho de outra cidade dentro de mim. E isso faz de mim uma pessoa diferente da que eu era há uma semana. E essa mudança faz-me ter noção que aquilo que eu quero nem sempre é aquilo que eu preciso, que aquilo que eu quero pode não ir de encontro às minhas expectativas, que aquilo que eu quero pode não ser o "conto de fadas" com que sonho. Por tudo isso, agradeço a essa cidade maravilhosa (que não é no Brasil mas sim na Europa) que, por algum motivo que eu não entendo, me fez crescer mais um pouco. Danke schön, Wien!

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Uma data que odeio...

Odeio o dia de S. Valentim. Enerva-me haver um dia em que existe a suposta obrigação de se demonstrar amor e carinho pela cara-metade, quando isso devia ser feito todos os dias. Enerva-me não poder ir jantar fora nesse dia porque não se consegue uma mesa no restaurante. Enervam-me os coraçõezinhos e os peluches e o cor-de-rosa todo que pinta esse dia. Enerva-me. Não quero com isto dizer que me enervam as manifestações de amor e carinho, enerva-me é o floreado todo em volta disso. Quando se gosta, gosta-se e demonstra-se com palavras e gestos; pessoalmente não aprecio manifestações de amor e carinho que envolvam ursinhos cor-de-rosa com folhinhos. Acho muito mais bonito e, por que não dizê-lo, romântico, jantar num bom restaurante; passar uma noite num belo hotel; telefonar à hora do costume, supostamente a quilómetros de distância, e depois de desligar o telefone bater à porta de casa. Mas isso pode e deve ser feito durante o ano inteiro, não só no dia de S. Valentim, que, como já disse, odeio.
No liceu era um dia (claro está!) enervante; de manhã, quando chegávamos, lá estava o belo do marco do correio cheio de corações, prontinho a receber as arrebatadas cartas de amor dos alunos, escritas em folhas cheias de corações, algumas perfumadas, metidas em envelopes com o nome do destinatário e a turma. Já não me lembro se era no fim da manhã ou da tarde, mas sei que numa aula qualquer o professor distribuía as cartas e para alguma pessoas era humilhante, pois não recebiam nenhuma. Nos intervalos comparavam-se cartas e tentava-se descobrir quem era o remetente; como boas cartas de amor, muitas não tinham assinatura.
Eu apenas recebi uma carta de amor no dia dos Namorados, e ainda por cima era a gozar. Talvez por isso eu não goste do dia de S. Valentim, se calhar é uma espécie de "trauma". No entanto, recebi algumas fora dessa data; e essas eram a sério.
Só passei um dia dos Namorados com namorado, e mesmo assim as coisas já não estavam bem, por isso posso dizer que nunca comemorei um dia de S. Valentim (já referi que odeio esse dia?) a preceito, o que não é de todo mau: nunca recebi os malfadados ursinhos de peluche cor-de-rosa nem as caixas de chocolates em forma de coração.
Claro que não acho mal que se comemore o dia de S. Valentim; isto tem alguma razão de ser, como o Natal ou o dia da Mulher. Parece que o imperador romano Cláudio II proibiu a realização de casamentos no seu reino com o objectivo de formar um grande e poderoso exército, pois acreditava que os jovens se não tivessem família, alistariam-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano, Valentim, continuou a celebrar casamentos (em segredo), mesmo com a proibição do imperador; este descobriu e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens enviavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Valentim foi decapitado no dia 14 de Fevereiro de 270. Ou seja, o dia dos Namorados é a comemoração da morte do bispo Valentim... Hum, estou confusa.
Krakauer escreveu que "a felicidade só é real se é partilhada", o que me deixou a pensar; se duas pessoas viverem uma mesma situação de maneira diferente, se a felicidade sentida por uma das partes não for sentida pela outra, essa felicidade deixa de existir. Esfuma-se. Desaparece. A felicidade é sempre sentida de maneira diferente; para mim a felicidade está em pequenas coisas, pequenos momentos. Rir da mesma coisa; gostar da mesma música; o formigueiro na barriga quando as mãos se tocam; o enroscar dos pés; o sorriso ao acordar; o espreguiçar na cama. Pode não ser sentida da mesma maneira ou nas mesmas coisas, mas se não é sentida de todo deixa de fazer sentido. Talvez o dia de S. Valentim sirva para um casal reforçar essa partilha da felicidade. O que não faz com que eu passe a gostar mais desse dia. Não gosto. Ponto.

sábado, janeiro 16, 2010

Noutra pele

Apetece-me escrever, mas não consigo organizar ideias. Já comecei três textos mas chego a meio e perco-me. As ideias estão lá, o pior é organizá-las...
Ontem li um texto que um amigo meu escreveu; era um monólogo bastante longo, cheio de sentimentos não muito bons, mas cheio de sentimentos. Era um texto que eu poderia ter escrito. Não me identifiquei com a narradora (felizmente, apesar de tudo, não me posso queixar da minha vida) mas identifiquei-me com o texto. E verifico que me falta fluidez nas palavras. Sei o que quero escrever mas não o consigo fazer.
Tenho lido pouco, talvez por isso não consiga escrever como antes. A leitura facilita a escrita, sempre ouvi dizer.
Talvez se me pusesse noutra pele as palavras saíssem mais facilmente; na pele de um homem, em vez de uma mulher. Dizem que os homens são mais racionais, não se deixam levar tanto pelas emoções; isso poderia ajudar-me a organizar as ideias e talvez conseguisse, finalmente, construir um texto. Mas acho que não consigo pôr-me na pele de um homem, embora tenha alguma curiosidade em saber como eles vêem as coisas; como será ver o mundo sem nos deixarmos levar pelas emoções?
Isto enerva-me um pouco, sempre foi tão fácil para mim escrever. No liceu escrevia textos que deixavam os professores abismados; eram textos cheios de metáforas (como já disse uma vez, isto não é defeito, é feitio) e com muitos segundo sentidos, a interpretação dependia sempre de quem lia. Agora, ou pelo menos durante esta semana, tenho tido alguma dificuldade em conseguir escrever. Se, neste momento, estivesse numa aula de Português no liceu e me pedissem para escrever um texto, acho que iria ter uma avaliação negativa.
Tenho dois livros "na forja" para ir comprar: Pedro Paixão, "Do mal o menos"  e José Luís Peixoto; em relação a este último não sei que livro comprar. "Morreste-me" parece ser um bom livro mas não sei se consigo neste momento ler sobre a morte de um pai, invariavelmente irei colocar-me na pele do escritor (aí está!) e não quero fazê-lo, não agora, o tempo virá... Talvez compre "Cemitério de Pianos", parece-me mais pacífico.
Preciso de ler. Urgentemente. Algo me alimente o espírito, que me ajude a organizar-me por dentro, que me ajude a encontrar de novo o caminho para a escrita. Algo que me ponha noutra pele, numa pele mais organizada, numa pele que consiga escrever de uma forma natural. Algo que me ponha, de novo, na minha pele de "escritora inata".

Por ora, é o melhor que consigo fazer.

domingo, dezembro 27, 2009

2009, o ano do Aquário. E 2010?...

E pronto, está passado o Natal. Os neurónios natalícios lá deram um arzinho da sua graça, a neve ajudou um pouco, e consegui sentir o Natal. Confesso que estava a ficar assustada com a perspectiva de passar pelo Natal como "cão por vinha vindimada", que é como quem diz, com indiferença.
Agora vem a azáfama da passagem do Ano. Diziam os profissionais da astrologia que 2009 era o ano do Aquário, que coisas maravilhosas iriam acontecer, a todos os níveis. Não me posso queixar de 2009, mas, como boa aquariana, estava à espera de um ano assim recheadinho de coisas altamente espectaculares com as quais nem me atreveria a sonhar! Realmente 2009 foi melhor que os anos anteriores: fiz novos amigos, reforcei amizades antigas, fui a sítios a que nunca tinha ido, passei fins de semana espectaculares; até que foi um ano recheado mas não senti, sinceramente, que fosse "O" ano do Aquário. Talvez porque tenha nascido no primeiro dia do signo, e com o reforço do meu ascendente Capricórnio, eu não seja uma aquariana pura. Agora que penso nisso, tendo em conta que demorei quase 3 dias para nascer, eu até seja mais capricorniana que aquariana...
Como sempre, olho para o Ano Novo como um caderno em branco, no qual poderei escrever o que me apetecer, ou então fazer desenhos, ou jogar ao galo. Um ano que começa é quase como um "renascer", é ter a possibilidade de não cometer os mesmos erros (há tantos erros à disposição...) e de aprender com eles. É crescer mais um pouco, é ter novos objectivos e ter vontade de os concretizar.
Este ano, as previsões dos profissionais de astrologia vão na mesma direcção: para os nativos de Aquário, 2010 será "ano de concretizações", "colher frutos do que se iniciou em 2009", "boas perspectivas financeiras e de carreira profissional". Podem ser balelas, mas que dão alento, lá isso dão! De facto, este ano pode não ter sido o que eu estava à espera, posso não ter concretizado sonhos antigos, mas sinto que mudei como pessoa; sinto que cresci em muitos aspectos, sinto que encaro as coisas de maneira diferente.
Por isso, quando soarem as doze badaladas no dia 31 de Dezembro, estarei rodeada de bons e grandes grandes amigos, pronta para receber o Novo Ano, com tudo o que de bom e mau (se tiver que ser) que ele trouxer. Acima de tudo, espero que 2010 me traga aquilo que preciso, pois muitas vezes aquilo que queremos não é bem aquilo que precisamos.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Natal, Natal, Natal, Natal...

E pronto, cá estou eu de volta. A decisão foi tomada, bem ou mal, a dúvida já não me come as entranhas. Uma sensação de alívio invadiu-me o espírito e a minha cabeça voltou a encher-se de coisas mais interessantes. Enfim, liberdade!!


Estamos quase no Natal. Este ano passou a uma velocidade estonteante; ainda ontem estávamos a comemorar a passagem do ano e hoje estamos a uma semana do Natal...
Ainda não decidi se gosto ou não do Natal. Quer dizer, gostar até gosto. No Natal costuma estar frio e eu adoro o frio que nos faz ficar com as bochechas e o nariz vermelhos; adoro as luzes de Natal que iluminam as cidades, a música natalícia que se ouve na rua, o constante vai-e-vem das pessoas que compram as últimas prendas. Gosto de todo o ritual da preparação da consoada, a escolha da ementa, o decorar da sala. Adoro de acender a lareira (como eu gosto de lareiras...), ficar a olhar para o fogo, quase hipnotizada pela dança das chamas. Mas não sei se gosto do Natal em si, da véspera, do dia. A família que se junta pelo Natal é pequena, não há crianças, a noite passa assim quase como uma noite normal, com a diferença da ementa, do serviço de mesa, do local da refeição (trocamos a cozinha pela sala). E sinto-me sempre melancólica. Invariavelmente penso nos meus futuros natais...
O dia de Natal é um tédio, a televisão passa filmes que todos os anos são "estreias" (quantas vezes teremos visto "Música no Coração", "Sozinho em casa" e todas as sequelas, "Shrek" e por aí fora), e pronto, está o Natal passado.
Este ano ainda não decorei a árvore de Natal. Costumo fazê-lo no dia 8 de Dezembro, é uma espécie de ritual, mas este ano não se proporcionou e a vontade também ainda não apareceu. Conto que até 5ª feira ela apareça, se não vai mesmo sem vontade.
A par do "desleixo" em relação à decoração da árvore, também as prendas estão atrasadas; costumo ter as prendas compradas por altura do 8 de Dezembro, mas desta vez ainda me faltam, deixa lá ver... todas! Conto tratar disso durante os próximos dias, se não vou chegar à véspera sem um único presente para oferecer.
Este ano nem me lembro de desejar boas festas às pessoas; vou a uma loja e só quando a empregada educadamente me deseja "boas festas" é que eu me apercebo que estamos no Natal.
Não sei que se passa este ano, mas cheira-me que deve ter a ver com a malvada gripe, que tanto stress me provocou e que deve ter feito com que os meus neurónios "natalícios" tenham tirado férias. Espero que regressem ao activo rapidamente, de preferência antes da véspera de Natal.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Aviso aos leitores


Alguns dos leitores deste blog têm-me questionado acerca do meu silêncio. Achei por bem passar por aqui para me justificar perante vós, que afinal são quem dá sentido a este cantinho "à beira-net plantado".

Não tenho escrito porque para escrever é preciso ter as ideias em ordem (e daí talvez não...) e neste momento apenas uma coisa me ocupa a mente (infelizmente), coisa essa da qual não quero falar mais para não vos maçar, e que começa com um "g", termina com um "A" e tem no meio, dispostas aleatoriamente, as letras "ripe".

Por isso, para que este blog não se transforme num "newsletter" concorrente do Gripenet, abstenho-me de escrever enquanto não tomar uma determinada decisão acerca do tal assunto tabu.

Espero que compreendam e que tenham paciência, em breve voltarei a escrever, de preferência com a cabeça cheia de outras coisas.


Como (muito bem) disse Miguel Esteves Cardoso, "qualquer decisão, por muito estúpida, é mais benéfica do que a dúvida mais inteligente." Realmente a indecisão come uma pessoa por dentro...

terça-feira, setembro 29, 2009

"I think I'm broken. Can you fix me...?"


Sempre tive um certo fascínio pelo karma. Escrevi posts sobre isso, sobre a sua influência inabalável na vida de uma pessoa; depois achei que se calhar até podia reverter um mau karma (que sempre achei que tinha) e comprei um livro sobre isso. Li o livro, achei-o muito interessante, tentei pôr algumas das "dicas" em prática mas é tudo muito bonito, do ler ao fazer vai uma grande distância.
Agora acho que estou "noutra fase da minha vida" e já mudei um pouco a minha ideia sobre esse tema. Em conversa com uma amiga psicóloga (conversa esta que já decorreu há uns bons meses) em que falávamos sobre acontecimentos/comportamentos repetitivos na vida de uma pessoa, ela deitou por terra a minha teoria do karma. Segundo ela, todas as situações que nos parecem quase um dejá vu não se devem a nenhuma entidade como o karma, mas sim a erros repetitivos de comportamento. Na altura tentei esgrimir argumentos com ela (cheguei à conclusão que não é fácil esgrimir argumentos com uma psicóloga) e disse-lhe que não podia ser, que tinha que haver alguma entidade superior que nos empurrasse para aquelas situações, que estava escrito algures nas estrelas ou em qualquer outro corpo celeste que uma determinada pessoa estava "condenada" a uma vida de fracasso profissional ou emocional. Ela manteve-se fiel à sua teoria: erros comportamentais repetitivos.
Não voltei a pensar nisso, ela que "fique com a bicicleta", o karma é que tem culpa e a resignação é o que nos resta. Mas agora que penso nisso (o tempo de chuva dá-me para isto, a melancolia começa a surgir...) tenho que dar alguma razão à minha amiga psicóloga. Realmente é muito mais fácil pôr as culpas no karma quando alguma coisa não corre como nós queremos, é difícil olharmos para dentro de nós e descobrir que afinal a causa de todo o sofrimento por que passamos somos nós próprios. É difícil porque supostamente seria muito mais fácil acabar com esse sofrimento, afinal se somos nós que o provocamos, é só querermos e acabamos com ele; muito mais simples do que seria se a causa fosse algum agente externo, fosse ele terreno ou celeste. Mas o problema reside precisamente aí: porque é que, se somos nós a causa de todo o sofrimento por que passamos, não conseguimos acabar com ele?
Claro que tenho uma resposta para isso, mas envolve forças ocultas e invisíveis, e acabamos por voltar ao mesmo... De qualquer maneira, acho que maus pensamentos atraem coisas más; se uma pessoa é um fracassado profissional, vai ter sempre uma atitude derrotista e essa atitude vai atrair ainda mais fracasso. Não é à toa que quando nos sentimos bem, parece que as coisas boas vêm todas ter connosco. A atitude com que enfrentamos a vida dita, em certa parte, o rumo que esta toma.
É evidente que nem sempre se consegue ter uma atitude positiva para com a vida quando esta insiste em não correr da forma que nós desejaríamos, é o efeito "bola de neve" e quebrar esse ciclo vicioso é tramado. Mas há que conseguir. A bola de neve também se desfaz quando bate numa pedra. O facto de termos tido uma indigestão depois de comermos uma feijoada não significa que cada vez que comermos uma feijoada vamos ter uma indigestão.
Acho que o meu comportamento repetitivo é pensar que consigo "arranjar pessoas estragadas" por algum acontecimento menos bom nas suas vidas . Devo pensar que tenho uma espécie de "toque de Midas" ou de dedo terapêutico do E.T. e que consigo acabar com o sofrimento de uma pessoa. É quase como se pensasse que posso mudar o Mundo, acabar com a guerra e com a fome e com a pobreza e com a solidão. E quanto mais "estragada" uma pessoa está, mais eu me empenho em "arranjá-la". Claro que esse empenho não é recompensado, eu não sou uma "mecânica de pessoas" e não consigo "arranjá-las". Acabo por me afastar e resignar-me a aceitar mais um falhanço na minha missão de "arranjar pessoas".
E chego à conclusão de que eu própria sou uma "pessoa estragada"; o meu comportamento repetitivo é tentar arranjar "pessoas estragadas" porque eu própria quero ser "arranjada". Sei que isto é um pouco rebuscado, mas faz algum sentido. Ou não faz?

Parafraseando (que bela palavra!) Carlos Drummond de Andrade, "A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

domingo, setembro 27, 2009

A "provavelmente melhor noite do ano"!


Este post poderia ter o título alternativo "A todos os que marca(ra)m a minha vida" mas seria um título muito melodramático e piroso, embora o facto de não ser esse o título não impeça que o próprio post seja melodramático.
Não, não é uma despedida das lides bloggistas; eu gosto de escrever, sempre gostei, e de facto alivia a alma. Às vezes a fluidez na escrita é muito maior que a fluidez na fala; talvez seja um "aliviar de alma" cobarde mas serve.
É Domingo, mais um Domingo depois de um fim de semana cheio, e mais uma vez a sensação de vazio apodera-se de mim. É o ver partir os amigos, aqueles que marcaram e que fazem parte da minha vida, e sentir um aperto no estômago. Mas já me vou habituando, a vida é feita disto mesmo, de partidas e regressos; e enquanto existirem regressos estamos nós bem.
Fui à praia (mais uma vez), senti a areia nos pés, a àgua salgada a bater nos tornozelos e o sol a queimar na pele. A última vez este ano. E talvez por isso tenha sentido isso tudo de uma maneira diferente.
A noite foi mais uma vez animada, as pessoas fazem a festa quando estamos com quem nos sentimos bem. Foi uma noite completamente improvável, como diria uma amiga minha, "uma noite completamente sinceramente!"; acabámos a noite (ou começámos o dia?) numa pastelaria chamada "Flor de Cantanhede" (porque será que em todas a terras há uma pastelaria/padaria chamada "Flor do/a/e (nome da terra)"?) a comer sandes de fiambre em pão quentinho acabadinho de sair do forno, acompanhados com o motivo da nossa deslocação a Cantanhede: nada mais nada menos que o próprio Fernando Alvim!!
Acho que são estes momentos que nos marcam, este partilhar de experiências, o rir e chorar juntos. Olhei para as pessoas que estavam na mesa, algumas já as conheço há mais de uma década, outras conheço-as há menos tempo mas já fazem parte do grupo de "pessoas que marcaram a minha vida", e senti-me bem. Senti-me unida a elas, cúmplice naquele momento que partilhávamos, já ao raiar do dia.
Realmente não são só os momentos que nos marcam, as próprias pessoas também o fazem, muitas vezes sem o saberem. Quantas vezes não teremos nós marcado a vida de alguém sem sabermos, quantas vezes não teremos sido motivo de alegria ou de tristeza (faz parte da vida...), quantas vezes não teremos sido o último pensamento de alguém antes de adormecer ou o primeiro ao acordar. Muitas vezes não temos noção do impacto que temos na vida das outras pessoas, a importância que elas nos dão, a importância que elas próprias têm para nós. Se tivéssemos essa noção, talvez déssemos mais importância a nós próprios e talvez fizéssemos mais para sermos merecedores dessa importância.
Não é fácil exteriorizar sentimentos, ao expormos assim o nosso interior sentimo-nos mais fragilizados e com maior tendência para ferir quem se atrever a espreitar.No entanto, acho que não há que ter medo dessa exposição, pois não é vergonha nenhuma mostrar preocupação e carinho por alguém. Nós somos animais sociais, temos que ter contacto humano; é claro que muitas vezes esse contacto magoa, mas não podemos ter medo dele, nem todo o contacto termina em ferida.
Muitas vezes não é fácil lidar com essa importância que os outros nos dão, temos alguma tendência para "não ligar nenhuma" e deixar andar, "logo lhe passa". Erro crasso. Nunca devemos deixar ao "Deus dará" um sentimento como esse, se alguém nos dá importância devemos pelo menos ser merecedores dela; isso não significa que retribuamos, mas que ao menos não a ignoremos.
Dei conta disto este fim de semana; tenho uma certa tendência para não mostrar o que sinto e sempre pensei que "era problema meu", que ninguém se ia importar. Mas não; as pessoas importam-se, as pessoas vêem para além da pele, espreitam para o nosso interior; pelo menos aquelas que marcam a nossa vida todos os dias. Este fim de semana aprendi também que é preciso não ter medo de falar com essas pessoas, que mesmo que aquilo que tenhamos para dizer até as possa magoar vamos sempre ter importância para elas. É por tudo isso que elas nos marcam. Todos os dias. Toda a vida.

P.S. - Talvez este texto esteja um pouco confuso, mas tendo em conta as singelas 4 horas de sono que tenho em cima, é fácil perceber que fluidez é coisa que neste momento não existe nas minhas circunvalações cerebrais. Mas (acho que) o contéudo está lá.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Vírus "travestido"?


Telejornal de hoje: "A primeira vítima mortal do vírus da gripe A H1N1 morreu de infecção bacteriana generalizada". Ou seja, a primeira vítima mortal do H1N1 não morreu da infecção por H1N1. É de mim, ou há nesta notícia uma certa bipolaridade...? Ou será que o vírus H1N1 já ascendeu à condição de bactéria?
Esta notícia irritou-me. Não sei porquê, mas fiquei mesmo irritada. A comunicação social tem como papel informar a sociedade, não "desinformá-la", que é o que parece que estão a fazer.
A história da "primeira vítima mortal do vírus H1N1": emigrante em França, transplantado renal há 14 anos, começa a fazer rejeição do orgão. Desenvolve uma infecção abdominal grave, que degenera em pneumonia. É internado na UCI do hospital de S. João do Porto, onde estão internados doentes com gripe A; o que acontece? Apanha gripe A. Passados uns dias, acaba por morrer. De quê? De gripe A. E a tal infecção abdominal grave que o levou à UCI? Não tem nenhum papel? Não, o mau da fita é o H1N1. Vamos todos encharcar-nos de Tamiflu e imunizar-nos com vacinas feitas "à pressão" para que o mauzão do vírus H1N1 não nos faça mal.
Vem a ministra da Saúde fazer o anúncio da primeira morte causada pelo vírus H1N1; logo a seguir há uma conferência de imprensa no S. João, onde a responsável pela UCI desmente que a causa da morte tenha sido a infecção pelo H1N1, tendo sido a infecção bacteriana generalizada (septicémia) a responsável pela falência dos orgãos do paciente.
Até aqui tudo bem, é necessário fazer autópsia para saber em concreto a causa da morte de uma pessoa, e quando a ministra fez o anúncio ainda não estaria na posse de todas as informações (digo eu...). Mas a partir do momento em que a responsável da UCI do S. João vem a público esclarecer quais as causas da morte, porque é que esta notícia continua a ser dada sob o cabeçalho "Gripe A"? Por acaso a televisão tinha o som baixo, mas se calhar a notícia foi mesmo dada como uma amiga minha sugeriu: "imagino que foi dito bem alto: "A 1A VITIMA MORTAL DO VIRUS DA GRIPE A MORREU ... (e depois num tom mais baixinho) de infecção bacteriana generalizada"...". Já está claro que não foi o vírus H1N1 que matou o senhor, por favor tirem aquele cabeçalho quando falam neste caso. O senhor morreu de uma septicémia, coisa que acontece a milhares de pessoas no Mundo. Não alarmem as pessoas. Chamem as coisas pelos nomes.
Vírus e bactérias não são a mesma coisa, embora a maneira como as notícias estão a ser dadas assim dê a entender. Infecção bacteriana generalizada provocada por um vírus? Qualquer dia vêm dizer que os antibióticos é que são bons para matar o H1N1, qual Tamiflu qual carapuça. E com jeitinho basta encher uma malga com água e um punhado de sal, deixar à cabeceira da cama durante 3 dias e depois deitar essa água pela cabeça abaixo, repetindo três vezes "viruzinho, viruzinho, vai para aquele vizinho!" para ficarmos imunes a todas as maleitas. Claro que pode dar-se o caso de o H1N1 ter-se "travestido" para bactéria, porque a vida dos vírus é uma seca, as bactérias são muito mais fixes, pelo menos são mais complexas e têm metabolismo e não precisam de outras células para se reproduzirem, enquanto que os vírus não passam de uns pedaços de RNA ou DNA com uma cobertura sem graça. Aí sim, acredito que o vírus H1N1 "travestido" para bactéria tenha causado a tal "infecção bacteriana generalizada".

domingo, setembro 20, 2009

Banda Summer Sessions End 09 ou "E pronto, já se foi o verão..."


Parece que o final do Verão já lá vem. E como sempre, os Chocalhos marcam essa viragem no calendário das estações do ano. Este ano com uma variante: a câmara municipal pôs à disposição dois autocarros gratuitos para transportar os "chocalheiros" até Alpedrinha, evitando assim os engarrafamentos provocados pelos "transumantes" que pretendem estacionar. Ou não... Foi giro ir no autocarro; estive uma hora na paragem à espera porque já não tinha lugar no autocarro das 23h e quando finalmente embarcámos, ia cheio de putos com litrosas na mão e uma grande dose de imaturidade (própria da idade) que se manifestava nos gritos e atitudes, claro está, imaturas.
Quando lá chegámos, lá levámos o famoso "banho de gente"; conversa-se com este e com aquele, encontram-se pessoas que não vemos há anos.
Mas este ano, a despedida do Verão teve outro requinte: teve direito a festa com DJ e tudo! A Banda Summer Sessions End 09 foi uma séria concorrente do Sasha Summer Sessions, mas em bom! Houve anjos de asas negras, bailarinas insufláveis com saias havaianas, karaoke, música dos anos 70, 80 e 90, comida e bebida com fartura, plumas e máscaras, cenas sado-maso com "pom-pons" de fitas prateadas, D'Artacão, Tom Sawyer e Michael Jackson, acantonamento na sala de jantar com colchões tripartidos e sacos cama, almoço ao som de música pimba. Só faltaram mesmo os anões, os cavalos e os homens nus!
O Verão foi tão em cheio que mereceu uma despedida em grande; é o adeus dos (muitos) dias passados na praia, das "bolas de berlim da d. Aurora, que têm o creme por dentro e o açucar por fora!", dos gelados de bola a pingarem para cima da roupa, do sol a queimar até às 19h, do cheiro a protector solar, do cheiro a mar, do cheiro a férias.
Foi boa, a despedida, embora as despedidas, por norma, não sejam boas. Fica sempre a saudade, mas como dizia Gabriel García-Márquez, "não chores porque acabou, sorri porque aconteceu". E eu sorrio a este Verão, que foi cheio de sol, mar, bolas de berlim, amigos e noites divertidas, sorrio com os dentes todos que tenho na boca e com a esperança que mais verões assim virão.
Agora fica o vazio do Outono, a estação mais melancólica das quatro estações; é o adormecer da Natureza, como se o Verão fosse hibernar para ganhar forças. E espero que para o ano que vem o Verão venha com energia renovada e que seja pelo menos tão bom quanto este.

P.S. - Rai's partam os Domingos, principalmente depois de um fim de semana tão cheio como este, um daqueles fins de semana que quando acabam deixam uma sensação de vazio e a triste percepção de que aqueles de quem gostamos e com quem nos sentimos bem estão longe.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Aaatchiim! (óinc)


Agora que entramos em contagem decrescente para o fim do verão (e ainda agora chegou o verdadeiro verão…) e a euforia das férias começa a dissipar-se, as pessoas começam a “cair na real” e a aperceber-se do caos que se aproxima: a época da gripe.
Portugal é um país de “épocas”: é a época dos incêndios, é a época da caça, é a época da gripe. Qualquer dia fazem-se cerimónias da abertura da época dos incêndios e da gripe, penso que em relação à caça haverá um qualquer ritual que marca o início da, claro está, época da caça.
Apesar de estar atenta a toda esta problemática da gripe A H1N1 (anteriormente conhecida como “gripe suína” e que por isso levou à chacina de milhares de animais sem que os desgraçados tivessem alguma coisa a ver com a transmissão da doença. Agora que penso nisso, realmente as pessoas sem hábitos de higiene são, em teoria, as que mais probabilidades têm de contrair a doença, uma vez que a lavagem frequente das mãos parece ser uma forma de evitar o contágio; às tantas o nome não seria assim tão despropositado…), nunca pensei muito a sério nisto e não alterei hábitos de vida como ir ao cinema, ir jantar fora, ir a um bar. Só alterei o modo de espirrar, o meu braço é agora o feliz contemplado que recebe as ditas “gotículas” que podem transmitir o vírus; de resto, tenho feito a minha vida normal, até fui de férias para o Algarve (embora aí confesso que me fazia uma certa “comichão” ir para dentro de certos bares quando estavam à pinha; fui, mas fiquei sempre perto da porta onde a renovação do ar é garantida, nunca fiando…) e andei na Expofacic sem máscara nem receio.
Mas agora, que as férias ditas “grandes” já passaram, e com o aumento exponencial de emigrantes que regressam à terrinha para ver a família, tenho dado comigo a olhar em redor, com alguma desconfiança, quando vou almoçar ao shopping, a ver se alguém tem ar de doente, ou se espirra para o braço, ou se se assoa e deita o lenço de papel fora.
Talvez pelo facto de a gripe começar a rondar aqui a zona (até já se mandam SMS a avisar “a gripe A anda na Covilhã, na freguesia de Santo António!”; deve ser um serviço novo de um qualquer operador móvel, o GripeMóvel ou AlertaGripe...) começo a ficar um pouco mais preocupada; preocupada não, apreensiva. E isto pega-se tanto ou mais que a própria gripe. Ontem o meu pai já falava em “plano de contingência cá para casa”; ofereci a minha casa como “quarto de isolamento” mas o meu pai respondeu “não é preciso, vamos ver é se não a apanhamos todos ao mesmo tempo”. E aí dei-me conta, aqui o “se” não tem qualquer valor, é mais “quando”. Porque isto vai ser apenas uma questão de tempo. “Quando a apanharmos, que não seja todos ao mesmo tempo”; sim, porque alguém tem que ir fazer as compras.
Dei comigo a pensar que se calhar o meu colega, que se orgulha de ter uma provisão gigantesca de enlatados e fraldas e Bruffen 600 (hum…) em casa, não é assim tão alarmista. Se calhar a probabilidade de nós a apanharmos, uma vez que trabalhamos num hospital, é grandita...
Penso na desgraçada da rapariga que está internada no hospital de S. João e penso que podia ser eu a estar ali (cruzes-canhoto, lagarto-lagarto-lagarto, Diabo-seja-cego-surdo-e-mudo); bem, talvez não, que eu havia de arranjar quem me passasse uma receita de Tamiflu, se visse que não me faziam nada na Urgência.
A gripe A em Portugal, em estilo já quase pandémico é uma realidade, e agora temos que aprender a lidar com isso. Só espero que, se me tocar a mim, S. Tamiflu venha em meu auxílio e que eu possa pertencer ao grupo de “doentes que seguiram com as suas vidas normais, completamente curados”.

domingo, agosto 09, 2009

A banda sonora das férias

Há uma semana que acabaram as férias. Ainda estou deprimida, a praia faz-me muita falta, cada vez mais. Sinto-me "enterrada viva" nesta Beira desolada e despovoada.
As férias não serviram muito para parar, ainda terei que ir a um segundo "round", mas foram boas; foi bom abrir a janela e ver o mar durante 12 dias seguidos, foi bom ver gente e movimento, foi bom ouvir música e dançar.
Para mim, esta é a banda sonora das minhas férias deste ano. Sempre que a ouço lembro-me da praia da Rocha e quase que consigo sentir o cheiro do mar. :)

sexta-feira, julho 17, 2009

Às vezes é preciso parar


Férias, finalmente férias! Vamos ver é se S. Pedro não mas boicota, como tem feitos com os fins de semana que eu programo para ir "pôr os cotos na praia" e depois fico a ver o mar por um canudo.
O melhor das férias é o "dolce fare niente", não haver horários nem tarefas que têm que ser executadas naquele espaço de tempo, é só usar o cérebro se nos apetecer. Eu conto usar o meu muito pouco, só vou ler "Lux", "Caras", "Nova Gente" e "TV7 Dias". Bem, talvez esteja a exagerar, mas escolhi livros levezinhos para estes dias de areia, sol e mar, e uma ou duas revistas ditas "femininas".
Não tenho grandes expectativas para estes dias para além de estar estendida ao sol (ou sombra, consoante a hora), ler, ir a banhos, voltar a estender-me na toalha, comer bolas de berlim todos os dias... Afinal até tenho expectativas para estas férias.
Sei que não vão ser das tais férias com a cabeça no colo da tal pessoa especial nem com beijos doces e quentes, mas sei que vão ser férias de ficar com os amigos na praia até às 8h da noite. E que os corpos vão ficar queimados do sol. E que o meu cérebro vai entrar em modo de economia. Porque às vezes é preciso saber parar.

terça-feira, julho 07, 2009

Onde está o Verão...?


Tenho saudades do Verão. Não só daquele Verão com 27ºC às dez da noite; tenho saudades do Verão com 27ºC às dez da noite, sentada no capot do carro no meio da serra, a olhar o Fundão todo iluminado. Tenho saudades do Verão em que a temperatura às dez da noite não era sempre de 27ºC, ia subindo e subindo. Tenho saudades das noites de Verão em que o cheiro a mato era intenso e o barulho dos insectos era ensurdecedor, mas eu não ouvia nem cheirava nada a não ser o momento que vivia.
Tenho saudades do Verão quente, na esplanada, com os amigos, com muitos amigos, que agora já não moram aqui.
Tenho saudades do Verão das barragens e das piscinas e do rio; das festas nas terrinhas; das noites passadas a rir; das ruas com gente.
Tenho saudades do Verão com 3 meses de férias, ou até só com 15 dias, mas 15 dias e 15 noites recheados de expectativas, de animação.
Tenho saudades do Verão dos corpos queimados pelo sol, do grupo de amigos na praia até às 8 da noite; do Verão das cabeças deitadas no colo daquela pessoa especial, as mãos passeando pelo cabelo, e pela face, e pelo pescoço.
Saudades do Verão com a excitação do encontro depois do jantar, da troca de olhares, do toque discreto a dizer "anda", da linguagem corporal a dizer "quero-te".
Saudades do Verão dos beijos quentes e doces, das mãos passeando pela pele, das palavras sussurradas ao ouvido, da respiração ofegante, do olhar extasiado, do contacto com pele quente, da excitação da antecipação.
Tenho tantas saudades desses verões, que nem sempre são no Verão, mas que no Verão verdadeiro me deixam ainda mais saudades...

segunda-feira, junho 29, 2009

(sorriso)



"Estás a tremer. Estás nervosa?"
"Não, estou com frio
"Eu estou nervoso."
"Porquê?"
"Tenho medo..."
"Medo do quê?"
"Medo do que possa acontecer."
"Quem tem medo compra um cão..." (sorriso)
"E depois, o que acontece?"
"Não sei. Só vendo..." (sorriso)

...

(Sorriso, sorrisos, risos.)

"O que é isto?"
"Não sei, diz-me tu."
"Também não sei..." (sorriso)

...

"Porque te estás a rir?" (sorriso)
(Riso nervoso) "Porque estou feliz."



(gostava de voltar a sorrir assim)

sexta-feira, junho 26, 2009

A canção da Terra

Nunca tive posters do Michael Jackson no quarto. Nunca comprei um disco dele. Mas sei de cor o vídeoclip (na altura "teledisco") do "Thriller"; aliás, o meu pai tinha um esquema de ginástica ao som dessa música, que eu dancei vezes sem conta como "mascote" do grupo de ginástica rítmica.
Ele fez parte da minha infância e adolescência, por isso aqui fica a minha homenagem.


domingo, junho 07, 2009

Se calhar o doutor tem razão...

"Fazia tudo outra vez
Não aprendia a lição
Começava de novo

Chorava mais uma vez
Sentia pena de mim
Sei que valia a pena

E pode ser que eu mereça
Cair no erro outra vez

Cair no erro outra vez e mais do mesmo
Tudo o que eu quero afinal
É mais do mesmo

Eu dava uma vez
mais tudo por tudo
A menos que alguém
Me desse mais

Hoje eu vou até ao fim
Para voltar ao final
Como quem recomeça

E pode ser que eu mereça
Cair no erro outra vez

Cair no erro outra vez e mais do mesmo
Tudo o que eu quero afinal
É mais do mesmo

Cair no erro outra vez e mais do mesmo
Tudo o que eu queria afinal era outra vida com sal

E mais do mesmo."

"Mais do mesmo" - dR.estranhoamor

Ou não...


Banda sonora: http://mp3.rtp.pt/mp3/wavrss/at3/drestranhoamormaisdomesmomp3_40731-0902121839.mp3

domingo, maio 31, 2009

Noite Hard Rock na Moagem ou "O regresso à adolescência"


Ontem foi a primeira verdadeira noite de verão, esplanada com fartura, desde as 19h até à 1h30m, minis e tremoços. Finalmente!
Não sei se para comemorar o primeiro sábado de "verão", na Moagem decorreu a noite "Hard Rock"; fomos até lá ao fim da noite, para "morder o ambiente". Já chegámos tarde e pelo que percebi, as bandas que lá foram (duas) eram de adolescentes aqui da terrinha que faziam umas covers de grupos hard rock. Não tocavam mal e vê-los ali fez-me recuar uns bons 14 anos e ver-me ali, no meio do mosh, a curtir com os amigos.
Há 14 anos também existiam bandas destas, que até tinham temas originais; havia duas que eram particularmente do nosso gosto, pois delas faziam parte amigos nossos: os "Negative I.Q." e os "Bowser". E ontem, ao ver os miúdos todos cantar em frente ao palco e andarem ao mosh, ao som da música da banda dos amigos, fez-me viajar para bem longe no tempo. Lembrei-me do Rock Fest'em Vale, um festival de rock que decorreu em Valverde, tinha eu uns verdes 17 aninhos. E do concerto dos Bowser no bufete da escola secundária, onde o saldo foi umas quantas mesas e cadeiras partidas. E do concerto dos Primitive Reason no recinto da nossa extinta FACIF.
Andava eu nestas divagações quando a dita banda começa a tocar "Killing in the name", dos Rage Against the Machine. Arrepiei-me toda; não que a música em causa seja de arrepiar mas porque as recordações ficaram ainda mais vivas. A música tem o condão de me fazer recordar as coisas de forma ainda mais nítida, parece que revivo a situação toda. E essa música trouxe-me imagens nítidas, como as minha botas dr. Martens, as minhas calças pretas elásticas, as minhas sweats de R.A.T.M., as minhas camisas de flanela aos quadrados. E os moshes. E os concertos. E o liceu. E a adolescência. Senti-me verdadeiramente trintona. Acho mesmo que me senti um pouco velha. Uma das minhas amigas, que era conhecida como a "metálica do Bairro do Cabeço", estava estática a olhar para o palco, quiçá também perdida em recordações.
Inevitavelmente, passou-me todo o meu tempo de liceu pelos olhos, e senti tantas tantas saudades! Posso dizer que vivi a minha adolescência ao máximo: cheguei tarde quando era suposto chegar cedo e tinha o meu pai à espera sentado na sala; fui castigada por não ter cumprido o horário de chegada a casa; fui castigada por emprestar a mota e depois aparecer com ela espatifada; inventei aniversários de amigos todas as semanas para poder ir para o English (cheguei a ter amigos que faziam anos várias vezes por ano); tive notas mais baixas do que as que costumava ter porque estava a atravessar uma fase menos boa; apanhei borracheiras quando ainda nem tinha idade para beber álcool; meti-me num comboio e fui para Castelo Branco sem o meu pai saber, só para ir a outra discoteca. Ah, bons maravilhosos saudosos tempos! A adolescência é a melhor fase da vida de uma pessoa; é dura, é difícil, é um turbilhão de hormonas e pensamentos e sentimentos, mas é de longe a melhor altura. Os amigos são tudo, a família apenas serve para alimentar, dar dinheiro e tecto, podemos mentir aos pais mas nunca aos amigos. Mas se vivêssemos sempre na adolescência nunca lhe poderíamos dar o valor que damos agora. E eu dou. Olho tantas vezes para trás e dou comigo a sorrir, a rever todas as "traquinices" que fiz. E apesar de agora a minha vida não ser tão emocionante como eu gostava, de vez em quando ainda me sinto como uma adolescente, com as tais "borboletas na barriga" e o turbilhão de sentimentos. E é bom.

Apesar de na altura ser apreciadora do hard rock, acho que esta poderia perfeitamente ter sido a banda sonora da minha adolescência. Que posso dizer que foi vivida ao máximo. E ainda bem!

Dancing Queen - ABBA


imagem: slaughterdogrecords.com/webpics/mosh.bmp

domingo, maio 24, 2009

A alma e o vento


A abertura de gavetas continua, embora a montagem de peças de mobiliário tenha abrandado um pouco.
Este pequeno caderno que folheio agora não tem uma única folha datada, mas pelos textos posso situar este algures entre 1993 e 1994 (xiiiii, sou mesmo muito antiga!). Escrever sempre me aliviou a alma e permitia-me viver situações que nunca poderia viver na realidade; a escrita transportava-me para outro mundo onde as coisas corriam sempre como eu queria. E sem dúvida que estes cadernos eram os meus melhores amigos, não desfazendo dos meus amigos de carne e osso, que também eram muito muito bons!

"Acho que sempre o amei. Agora tenho essa sensação. Desde pequenos que nos conhecemos e talvez estivesse destinado que nós nos uníssemos. A minha alma repousa, inquieta, completamente absorta em pensamentos estranhos. Mas em dias de vento, a minha alma acorda e liberta-se. Rodopia com ele, despenteia árvores, entranha-se no corpo de alguém e retira sabedoria. Quando o vento pára, ela volta a mim e utilizo a sabedoria que ela retirou.
Olho para ele de maneiras diferentes, como se fosse cada bocadinho das pessosas que a minha alma visitou a olhá-lo. Isso ajuda-me a compreendê-lo de muita maneiras. Mas continuo a não entendê-lo de outras.
Será que a alma dele não se liberta em dias de vento?
Um dia gostava que a minha alma o visitasse num dia de vento. Não saberia de imediato que fora a ele que visitara mas aconteceriam coisas que eu, mais tarde, compreenderia. Tento imaginar o que iria encontrar na alma dele. Bastante sofrimento, acho... Talvez, num dia de vento..."

Realmente é muito difícil tentar compreender um adolescente uma vez que, por definição, um adolescente não é para compreender. Mas eu não desisti, foram anos a tentar. Não consegui, mas a minha consciência ficou tranquila: ao menos tentei.

Ainda bem que não queimei os cadernos na lareira da minha casa...


(imagem: Alma e o Vento- óleo s/tela de Guilherme de Faria, 30x40cm, coleção Taís Cortez, São Paulo, Brasil)