sábado, maio 21, 2011

Copo meio vazio

E pronto, mais um sonho que fica arrumado a um canto. A medicina junta-se ao doutoramento, ao trabalhar na investigação, ao marido e aos filhos, sem falar dos irmãos. Olho para esse canto e dou por mim a pensar: "mas é para isto que estou guardada?"
Analisando a minha vida posso dizer que sonhos concretizados são poucos mas tentativas de os concretizar, muitas! E isso dá-me alguma paz de espírito. Obviamente que realizei alguns sonhos, mas neste momento estou na fase "copo meio vazio", só vejo o que não consegui concretizar.
Neste momento acho que a insatisfação própria do ser humano é uma porcaria, e que ser acomodado é que é fixe, pelo menos uma pessoa não se chateia nem se desilude. Confesso que começo a ficar farta de desilusões, farta de perseguir sonhos e não os conseguir realizar, por isso acho que vou deixar de tentar. Estou cansada. Tenho mesmo que gostar daquilo que tenho em vez de ter aquilo de que gosto, é para isso que estou guardada.
O que vale é que acredito na reencarnação, e sei que na próxima vida vou conseguir estas coisas todas, o que irá fazer de mim alguém muito cansado mas muito feliz. Isto se não reencarnar numa minhoca e passar a vida a escavar túneis na terra molhada.

quinta-feira, abril 28, 2011

Amizade

 Imagem: kimcats
Quando era adolescente dizia muitas vezes, normalmente depois de uma das muitas "discussões" que temos com os nossos amigos na adolescência, "a amizade não se nega a ninguém". Numa época em que os amigos são tudo e os pais apenas "servem" para nos alimentar e dar dinheiro, ai deles que se intrometessem na nossa vida, quando se iniciava uma amizade era para sempre. Quando havia um conflito, a maior parte das vezes por coisas insignificantes agora, mas de importância extrema na altura, ambas as partes queriam ser detentoras da razão e era difícil chegar a um consenso. Passada essa fase, começavam as tentativas de aproximação de forma subtil, ninguém queria dar o braço a torcer, mas a amizade é tão importante na adolescência que rapidamente o orgulho era deixado de lado e tudo voltava a ser como antes. Essa era a grande vantagem das zangas de amigos na adolescência, não se guardava rancor.
Como Aquariana que sou, gosto de ter os meus momentos de solidão, sabem-me bem, mas não consigo estar muito tempo sem ver os amigos. Uma ida ao café, uma noite na discoteca, uma semana na praia, nada disto tem piada sem os amigos. E por isso eu dou tanta importância aos amigos, é preciso tentar sempre não "fechar portas" quando surgem conflitos, agora muito mais difíceis de resolver do que na adolescência. Quando uma amizade vale a pena há que lutar por ela. Mas quando é que sabemos que uma amizade vale a pena? Como separar o trigo do joio, que é como quem diz, saber distinguir o que é amizade do que não é?
Outra coisa que era comum na adolescência era separar muito bem separado os amigos dos namorados, ou se é uma coisa ou se é outra. Agora é claro que a segunda não pode existir sem a primeira, mas a questão era outra: quando o namoro acabava, normalmente acabava a amizade. Melhor dito, quando o namoro começava, estava escrita a sentença de morte da amizade. Com o fim do namoro lá se ia a amizade. Com todas as provocações, falso desprezo e outras "provas de maturidade" tão típicas da adolescência.
Sempre achei mais suportável uma traição de namorado que de amigo, embora não saiba muito bem porquê. Um amigo é alguém nos completa, alguém que não nos pode desiludir, é a nossa alma-gémea, que sabe dizer a palavra certa no momento certo. De um namorado já se pode esperar mais qualquer coisa, a pessoa com quem estamos é a pessoa da nossa vida até aparecer outra; afinal de contas, não conhecemos todas as pessoas do Mundo.
É verdade que, muitas vezes, o fim de um relacionamento amoroso "mina" todas as amizades que surgiram entretanto (inclusive entre o próprio casal), e embora eu o consiga perceber, não acho muita piada. Claro que isso vai muito da forma como ambas as partes se vêm uma à outra, e muitas vezes é a única opção. Se uma das partes continuar a olhar para a outra como "ex-qualquer coisa" é possível que a amizade esmoreça e acabe por desaparecer. Por muito esforço que se faça para apagar a imagem do "ex" e mostrar que vale a pena lutar pela amizade. Porque até pode não resultar como namoro mas pode ser a amizade perfeita. Daquelas em que se sente vontade de estar com a pessoa só pelo prazer de desfrutar da companhia. Mas isso é impossível quando ainda paira no ar a imagem do "ex-qualquer coisa". E também quando se sente que a nossa presença não é desejada; também não será indesejada mas não é imprescindível, é uma espécie de "mal necessário". Acabamos por sentir falta da companhia, das conversas, do à-vontade. Acabamos por sentir que não soubemos separar o trigo do joio. De certa forma, acho que nos sentimos enganados, porque até tentámos preservar a amizade mas sem saber se essa era a vontade da outra parte.
Agora sei que não é verdade que a "amizade não se nega a ninguém"; o que é verdade é que a amizade não se pede, ou se sente ou não se sente. De facto, não vale a pena passar tempo com alguém que não está disposto a passá-lo connosco, mas continuo a achar que pode ter sido tempo gasto, mas nunca terá sido tempo perdido.

quarta-feira, abril 13, 2011

Perseverança: defeito ou qualidade?

Nestes tempos conturbados de crise e FMI e desemprego, começo a questionar-me se ser perseverante é uma qualidade ou um defeito.
Como disse no post anterior, sinto que há algo mais para mim e continuo a lutar e a procurar, embora não saiba muito bem qual é o alvo da minha busca. Sinto-me incompleta e talvez seja por isso que procuro sempre lutar por alguma coisa. É uma forma de me sentir "viva"; o sentimento de expectativa de algo faz-me correr uma espécie de adrenalina nas veias, mas uma adrenalina boa, que não me assusta nem me provoca pânico. É quase uma adrenalina calmante, por mais contraditório que possa parecer; é o sentir que estou a fazer algo por mim, que não me sento à espera que a vida me dê algo, que parto à luta pelas coisas. Sinto uma espécie de orgulho de mim própria.
A 3 dias de iniciar mais uma demanda por um sonho antigo (posso dizer " a iniciar mais uma vez", tendo em conta que é a 4ª vez que tento) começo a pensar se estarei a fazer a coisa certa. Quer dizer, eu sei que é uma coisa que eu quero desde sempre, mas agora eu estou um pouco diferente, já vivi outras coisas; a minha vida agora é muito diferente da vida que eu tinha quando tentei pela última vez entrar em Medicina, estava no 2º ano da Universidade, prestes a passar para o 3º, já lá vão 13 anos. Agora tenho outras responsabilidades, outra idade, mas o gosto e o sonho da Medicina continuam cá. Se calhar com outra calma e sem a urgência dos 20 anos. Mas ainda continuam por cá.
Nesse último ano que tentei entrar no curso de Medicina, e mais uma vez falhei, o meu pai disse-me "deixa lá filha, não está no teu karma". E essa frase tem-me passado pela cabeça muitas vezes nestas últimas semanas. Estarei a forçar uma coisa que não está destinada a ser? Será que deveria parar de lutar? Saber desistir é uma virtude...
Imagino como será se conseguir entrar. O momento em que vou saber o resultado. A minha reacção. A decisão nada fácil que vou ter que tomar, seguir o sonho ou escolher a segurança e o conforto. Claro que digo a toda a gente que tenho tempo para decidir (e tenho), que não vale a pena estar a morrer de véspera como o perú, que posso nem sequer chegar à fase final e posso nem sequer entrar, por isso não vale a pena estar a mortificar-me com decisões que nem sequer sei se vou ter que tomar. Mas minto se disser que não penso nisso de vez em quando, ultimamente cada vez mais. E minto também se não disser que me aquece o coração imaginar que finalmente consigo.
Tenho medo de não conseguir tomar uma decisão. Com a crise que vivemos, com o desemprego a aumentar, com os tempos difíceis que se avizinham, marcados por frases "quem tem emprego que o agarre bem!", tenho medo de não conseguir tomar uma decisão. Tenho medo de largar tudo e depois não ser capaz (porque agora eu tenho 33 anos, 11 passados a trabalhar num hospital e já sei o que me espera) e tenho medo de me acobardar e ficar para sempre a pensar " e se eu tivesse ido?". Sei que não quero ficar a trabalhar para sempre onde trabalho. Sei que quero fazer outras coisas, que a rotina está a matar-me aos poucos, que a desmotivação cresce todas as semanas. Sei que há algo mais para mim, que eu não posso estar guardada para isto, tem que haver mais.
Estas dúvidas que me assaltam fazem-me pensar que afinal, se calhar já não quero assim tanto ir para Medicina. Ou então é o peso das responsabilidades que assumi. E é por isto que não sei se faço bem em tentar uma 4ª vez. Porque estou a ter que lidar com a possibilidade de entrar e ter que tomar a decisão mais difícil da minha vida (até agora).
Sem dúvida que saber desistir é uma virtude. Mas como é que sabemos que chegou a hora de desistir? Começo a ficar confusa e a pensar demais nas coisas, tento racionalizar tudo quando sei perfeitamente que há coisas que não podem ser racionalizadas.
Sei que isto são os nervos que começam a dar sinal, apesar da minha aparente calma e descontracção estou a "fervilhar". Mas independentemente do resultado, sei que tenho que fazer isto. Para exorcizar este fantasma de uma vez por todas. Só espero ter maturidade suficiente para tomar uma decisão. Se a isso me vir obrigada.

segunda-feira, março 28, 2011

Epifania

Ontem tive uma epifania, que é como quem diz, vi a luz. Na minha cabeça soou o jingle publicitário do detergente Skip de há uns valente anos atrás:" Eureka! Achei! Um novo sistema encontrei!" Não que tenha propriamente descoberto a pólvora, mas finalmente consegui interiorizar o tal "comportamento repetitivo" que, segundo uma psicóloga minha amiga, constitui o meu karma. E, estranhamente, apercebi-me disso enquanto tentava encontrar técnicas de relaxamento para combater o medo de voar. Num dos sites que consultei lia-se "Seu medo pode ser resultado do fato de saber que você não está no controle da situação."; e fez-se luz! O meu comportamento repetitivo é baseado em "se queres uma coisa bem feita, fá-la tu". A minha preocupação incessante de lutar por aquilo que quero sem deixar que as coisas amadureçam, tudo leva o seu tempo; a minha inquietude em planear tudo ao pormenor e imaginar diferentes cenários para não ser apanhada de surpresa. Eu não deixo que sejam as outras pessoas a controlar a situação, mesmo que queira e que deva deixar que assim seja. Esse é o meu grande problema. E isso é mau. Muito mau. Porque leva-me a ter que "engolir sapos" porque não quero perder o controlo, tenho que sorrir e dizer que está tudo bem mesmo quando não está. Porque isso leva-me a que eu reprima aquilo que me incomoda, se não o fizer expludo e posso vir a perder a razão, o que leva a uma perda de controlo.  
Não gosto de confrontos directos, nunca gostei, mas sinto falta deles. Tento sempre controlar-me nas palavras, "palavra fora da boca é pedra fora da mão" e eu já levei umas quantas "pedradas verbais" e doeu. Talvez por isso tente escolher muito bem as palavras e o modo como as digo. Mas há situações em que não devia tentar controlar as emoções, pelo menos não totalmente. Se alguma coisa não agradar há que dizê-lo.
Ontem interiorizei que não ganho nada em "engolir sapos" quando a situação não me agrada. Não me vou tornar uma desbocada, há que ter algum tento nas palavras e escolhê-las consoante a situação, mas o controlo fica-se por aí. Se algo não me agrada tenho que dizê-lo; sempre o senti mas não o dizia imediatamente, ficava a remoer, a escolher as palavras "politicamente correctas" e só depois me manifestava. Serviu-me de grande coisa, serviu. Com isso só consegui ganhar "recalcamentos" e ansiedade e noites mal dormidas, com palavras por dizer entaladas na garganta. O que vale é que passa, mas até lá peno um pouco. 
Apercebi-me que é libertador dar uma boa resposta no momento certo, tentando não baixar o nível nem ofender as outras pessoas. Mas "levar desaforo" para casa é que não!
Fiquei contente por finalmente perceber qual é realmente o meu karma: não passa de um comportamento repetitivo de controlo excessivo. É infinitamente mais fácil combater o inimigo quando se sabe quem ele é.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Olhos e terras de cegos

imagem: proverbiospedra.blogspot.com
Numa época em que a banda sonora da minha geração é a música "Parva que sou" dos Deolinda (e independentemente de se gostar ou não da música, do grupo ou do estilo, a letra é a mais pura das verdades), o meu inconformismo vem novamente à tona.
Numa época em que é ver debandar jovens licenciados com grande potencial produtivo, em que há quem "dê o salto" daqui para fora, que o barco está quase a afundar, começo eu a pensar novamente na minha vida.
Numa época em que ter emprego é quase como ter olho em terra de cegos e em que ter uma casa é um luxo inalcançável para os jovens que iniciam agora a sua vida profissional, dou por mim a olhar para aquilo que tenho e a pensar "gosto daquilo que tenho mas não tenho aquilo que gostava de ter". O que é um problema grave, pois eu não sei muito bem o que quero. Sei que aquilo que tenho não é aquilo que quero. Não quero mais nem menos, quero diferente.
Vejo povos revoltados com os seus governos, vejo regimes totalitários caírem, vejo o mundo a mudar e tenho vontade de mudar também. Vontade essa que nunca me abandonou, apenas adormece de tempos a tempos. Vontade de fazer outras coisas, de ver outros sítios, outras gentes. Não apenas de passagem, mas viver esses sítios e essas pessoas por uns tempos. Talvez não para sempre, mas durante uns tempos.
Penso muito nisso, esse pensamento tem-me assaltado a mente, tanto que me faz acordar às 6h da manhã e não mais me deixa dormir, às voltas na minha cabeça. Porque quero muito mudar. Mas tenho medo... Claro que tenho medo, pois se tenho um olho em terra de cegos, como é que abdico desse "olho" em troca do incerto? Como é que numa época em que se vive de subsídios (quem os consegue), em que quem estudou durante anos acaba a trabalhar numa caixa de um hipermercado (quando consegue), em que quem quer o seu cantinho, o seu espaço tem que se sujeitar a juros elevadíssimos ou a arrendar um apartamento muitas vezes a cair de velho (quando os há), eu posso dizer que o meu "olho" não me basta?
Eu tento convencer-me que sou privilegiada, que tenho casa, saúde, emprego, nada me falta, tenho uma vida boa, e sei que tenho; mas quem é que cala esta voz de inconformismo dentro de mim? Quem é que sossega esta vontade de viver outras realidades, de seguir outros caminhos?  Eu não quero mais e mais e mais, não almejo ser milionária, nem ter uma casa com piscina. Não quero ter mais do que tenho, queria era ter algo diferente. E queria não ter medo.
Tenho tentado, sempre que aparece algo que me parece que eu gostasse de fazer, lá estou eu a tentar, a dizer timidamente "eu gostava de tentar"; mas quem depois me chama, com o meu currículo à frente, olha para mim como se eu fosse uma tolinha incapaz de dar valor à benesse que a vida me deu. E pergunta o que faço eu ali.
Isto desmoraliza uma pessoa, embora não me faça desistir. E eu continuo a tentar mudar e apanhar alguma coisa diferente, ao mesmo tempo que continuo a tentar convencer-me que tenho a vida ideal. Que tenho coisas que pessoas mais novas que eu se calhar nunca ou dificilmente irão ter, como casa própria e um emprego dito "estável". Mas não consigo calar a voz que, lá bem do fundo, me sussura que há algo mais para mim lá fora, fora desta terra de cegos onde eu, por ter olho, sou rei,

segunda-feira, fevereiro 14, 2011


Happy Valentine's Day. Not.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Retrospectivamente...

Olho para a coluna do lado esquerdo do blogue e apercebo-me que em 2010 escrevi menos de um terço dos posts de 2009. Claramente 2010 foi um ano pior em termos de escrita. Motivo? Passam-me vários pela cabeça mas não sei qual será o principal: preguiça, falta de inspiração, muito para dizer mas falta de organização de ideias. Não sei. O que sei é que escrevi muito menos que o ano passado. 2009 está em vantagem nesse campo.
Olho para trás, para 2010. Foi pior que 2009? Não posso dizer que tenha sido. Foi diferente, isso sem dúvida. Arranjei um cantinho para mim e habituei-me a estar sozinha; é preciso fazer esse exercício, nunca se sabe o que a vida nos reserva. Pelo sim pelo não há que estar preparado.
Trabalho? Tudo na mesma. Alguns projectos, que espero que dêem frutos em breve, mas "a bem dizer", tudo na mesma, como a lesma. Olhando para 2009, claramente um empate.
Amor? Como disse acima, há que aprender a estar sozinha. Não penso nisso. Não posso pensar nisso. Não quero pensar nisso. Consome-me e eu ainda sou muito nova para me consumir. (estranha contra-posição de ideias...) Neste campo, 2009 leva a melhor. Por uma unha negra, mas leva.
Viagens? Aqui sim, 2010 claramente em vantagem! Visitei Viena, uma cidade maravilhosa que adorei e que espero visitar novamente, desta vez com mais tempo. Regressei a Chamrousse, após 21 anos. Foi uma experiência memorável, há que dizê-lo, mas sem qualquer arrependimento. 2010 ganha em milhas aéreas. 
Festas? Claramente menos que em 2009. Os álbuns de fotografias com o sufixo "2010" são menos que com o sufixo "2009", talvez na mesma proporção que os posts neste blogue. Mas como se costuma dizer, "poucas mas boas".
Assim, feitas as contas temos: 2009 - 4; 2010 - 4. Resumindo, no geral 2010 não foi nem melhor nem pior que 2009.
Agora vem aí outro ano, e a "responsabilidade" de fazer dele um ano melhor que o anterior. Mas eu nem quero pensar nisso. Sinceramente, é mais do mesmo. Fazem-se milhentas listas de decisões e resoluções de Ano Novo: "vou deixar de fumar"; "vou fazer uma dieta a sério e perder aqueles 5 quilos que tenho a mais"; "vou ser mais empenhado no meu trabalho"; " vou ser uma pessoa melhor". Como dizem os ingleses, bullshit. 
A vida traz-nos surpresas, nem sempre agradáveis, que nós temos que "encaixar" na nossa vida. As melhores coisas acontecem sem que nós estejamos à espera, independentemente das resoluções que tomámos na "noite mágica" de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro. Talvez nos sintamos mais poderosos nessa noite, talvez pensemos que conseguimos dar a volta à nossa vida, talvez sejamos inundados de uma esperança avassaladora que nos faz sentir que dias melhores virão. 
Para mim, 2010 começou muito bem mas não foi um ano especialmente bom. Como vai terminar assim a modos que "periclitante" e, consequentemente, 2011 vai começar da mesma maneira (culpa do Barouk e das "maléficas" irmãs canadianas), tenho uma pequena esperança que este possa realmente ser um bom ano. Não que seja a noite de Passagem de Ano que vai ditar o rumo de 2011 mas vamos acreditar que possa influenciar. No meu caso, e retrospectivamente, em razão proporcionalmente inversa.
De qualquer maneira, que a esperança do Ano Novo nos inunde a todos e que 2011 seja (pelo menos) um pouco melhor que 2010.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Agora que tenho tempo livre (demais, diga-se de passagem) podia escrever mais. De facto já tentei iniciar três textos mas depois aquilo não me soa bem e amachuco a folha de papel, que é como quem diz, apago o rascunho.
A inércia é uma chatice porque traz mais inércia, e quanto menos faço menos me apetece fazer, embora eu deteste estar sem fazer nada. Isto é um pouco contraditório mas tendo em conta que já não saio de casa há quase uma semana, não apanho ar puro nem sol nem chuva, é normal que o meu raciocínio se encontre um pouco toldado.
Neste momento o meu pé esquerdo é o centro do meu mundo, e isso é triste. Tudo o que faço (ou melhor, que não faço) é em função do meu pé: levanto-me às 9h30m para tomar o antibiótico, porquê? Por causa do pé. Alguém me vem visitar, porquê? Por causa do pé. Apetecem-me pratos de que eu já não me lembrava, porquê? Por causa da "depressão" que o meu pé me inflige por não poder sair de casa. O meu pé é o meu mundo. Felizmente espero que não seja por muito tempo, tanto que o outro pé está a ficar ciumento e sobrecarregado; tem-me doído mais do que o habitual e tem razão, afinal está privado de sair e não tem culpa nenhuma. Também a vez dele chegará, temos que ser uns para os outros, e ele lá se vai aguentando.
Como estou fechada em casa não vivencio nenhum situação que mereça algum tipo de comentário ou reparo; o contacto com o mundo faço-o através de televisão, da net e de alguns amigos que vão aparecendo ou telefonando. No entanto, apetece-me escrever. Mas sem assunto é difícil. E com sono pior ainda. Vou dormir. Talvez amanhã corra melhor.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

De pé ao peito

E pronto, lá fui à faca. Não foi o drama que eu pensava que poderia ser, foi tudo muito calmo e controlado, o bloco operatório é apenas uma sala cheia de máquinas com um candeeiro que faz lembrar as colmeias.
Não gostei da anestesia geral, deu-me uma "moca" brutal que demorou horas a passar; pelos vistos a anestesia tem uma componente analgésica da famílias dos opiáceos e por isso estive quase 7 horas sem conseguir dizer nada de jeito, a saltitar entre o estado de vigília e um sono falso e desagradável. Se é isto a "moca" de heroína eu nunca me viciarei numa coisa dessas!
Agora passo os dias a saltar da cama para o sofá, do sofá para a cama, vejo televisão o dia todo (dou graças pela TV Cabo, havia de ser bonito gramar com as "Tardes da Júlia" o mês todo...) e dou uns passeios pela casa com as minhas novas amigas canadianas, a Sheila e a Nancy. São umas queridas, fazem-me companhia e apoiam-me imenso mas são pouco faladoras e também não comem nada de jeito. Feitios...

domingo, novembro 21, 2010

Sunday, bloody bastard sunday...

Os domingos deprimem-me. Sempre me deprimiram, já desde os primórdios da minha infância. Na altura marcavam o final de um ciclo interminável de dois dias em que não havia escola e em que era ramboiada de manhã à noite. Depois passaram a ser o dia de viagem de regresso a Aveiro, para mais uma semana de aulas numa cidade que eu odiava. Agora não marcam o dia que precede o início das aulas mas muitas vezes ainda é o dia de viagem de regresso mas desta vez a casa, o que é igualmente deprimente, principalmente depois de um fim de semana com os amigos. E continua a deprimir-me, mesmo que não tenha saído no fim de semana. Até no verão, quando estou de férias, é um dia deprimente; numa escala menor, mas ainda assim deprimente.
Lembro-me que, quando estive em Viena, passei lá um domingo e verifiquei que é exactamente igual ao domingo em Portugal. Andei a passear pela cidade e dei comigo a pensar "é tal e qual lá"; não se via viv'alma nas ruas, parece que aos domingos desce um manto de depressão sobre o Mundo.
Nos domingos não me apetece fazer nada, fico melancólica e talvez por não ter muito que fazer, os meus pensamentos viajam por sítios que não deviam e vão buscar coisas que deviam ficar sossegaditas, enterradas algures nas circunvalações cerebrais mais profundas. Talvez seja o poder hipnótico do fogo na lareira ou o calor que dela emana, o facto é que começo a divagar. E não gosto nada de divagar aos domingos, principalmente quando está a chover.
Houve uma altura em que aos domingos chorava sempre. Não me recordo bem porquê, mas sei que saía sozinha para tomar café, os meus amigos ou estavam em casa a ressacar ou tinham saído com os respectivos pares (nunca percebi muito bem porque é que aos domingos saíam sozinhos, podiam escolher outro dia da semana para estarem a sós ou até irem variando de dia da semana) e depois vagueava pelo Fundão, autêntica cidade-fantasma. Só se viam casalinhos a passear pelas ruas, a ver as montras, parecia o dia de S. Valentim. E aquilo enervava-me um bocado. Sentia-me mesmo sozinha.
Agora não, os tempos mudam, a idade também, e mesmo que estejam de ressaca, os amigos acabam por aparecer ao domingo, afinal as bebedeiras já não são tão fortes (o corpo já não aguenta tanto) e o café faz milagres quando estamos de ressaca. De qualquer maneira, os pensamentos continuam a vaguear, talvez porque o ritmo de domingo é um ritmo mais lento e modorrento.
Chego à conclusão que não gosto de estar sem fazer nada, o que me vai trazer muitos dias melancólicos nos próximos tempos. Se calhar é melhor não acender a lareira.

domingo, outubro 03, 2010

Ressabiamento com 18 anos

Hoje tem lugar o último concerto em Portugal da tour 360º dos U2. Quando puseram os bilhetes à venda no ano passado não consegui comprar nenhum; durante o ano fui ouvindo falar no concerto, nos bilhetes, gente ainda à procura deles. De quinta feira para ontem não pararam de chover mensagens de pessoas a querer vender bilhetes, muitas delas a quererem fazer negócio vendendo os ditos bilhetes, que em alguns casos custaram cerca de 70€, a preços bem acima dos 100€. Comecei a ficar assim a modos que enervada porque gostava de ir ver o espectáculo, mas não idolatro assim tanto os U2 e nunca daria por um bilhete para um concerto deles mais do que o preço real do bilhete (nem deles nem de nenhum outro grupo). E resignei-me a não ir, afinal até já vi um concerto deles e nessa altura eu ouvia muito U2, fazia mais sentido para mim (deixei de ouvir U2 há uns anos, agora só ouço mesmo o que passa na rádio). O pior foi quando me apercebi que havia gente a vender os bilhetes pelo preço real deles. Aí é que me enervei mesmo. Embora não conheça muito da discografia actual deles (como disse, só ouço o que passa na rádio) até gostava de ter ido, pelo espectáculo que caracteriza as actuações deles. Lembro-me que no concerto de 1997, no já extinto estádio de Alvalade, do palco fazia parte um gigante limão para onde toda a gente olhava (clara referência à musica "Lemon" do álbum que dava nome à tour daquele ano, a Pop Mart Tour 97), à espera de os ver sair de lá. Tirando isso tenho muito poucas recordações do concerto, para além da entrada no estádio (como sportinguista que era (sou?) e com 19 aninhos, foi uma emoção descer ao relvado do estádio do meu clube), do limão e de uma rapariga escolhida do público ir cantar com o Bono. Ah, e das grades contra as quais estava a ser brutalmente esmagada e que teria certamente atravessado, não fosse um senhor, já com os seus 30 e muitos anos (portanto, à data, um quase idoso para mim), ter feito de barreira para mim e para as pessoas que estavam comigo e que eu não consigo lembrar quem eram (éramos um grupo grande e acabámos por nos perder uns dos outros). O homem era um fanático, lembro-me que era forte e alto, tinha uma t-shirt branca dos U2 com as datas dos concertos de uma tour qualquer nas costas e berrava a plenos pulmões "Sunday, bloody sunday!" enquanto tentava saltar no meio daquele compactamento de pessoas que se empurrava contra as grades. Apesar de não ter grandes memórias do concerto em si, sei que gostei, tanto quanto uma miúda de 19 anos podia apreciar um concerto dos U2. Claro que apreciei muito mais o dia seguinte, quando fiz o meu piercing. Disso nunca mais me esqueci!
Tinha portanto 19 anos e um ressabiamento com 5 anos: o concerto de Guns´n´Roses em 1992, ao qual o meu pai, evidentemente, não me deixou ir. O concerto de U2 foi o meu primeiro grande concerto, mas devia ter sido o dos Guns, esses sim eu idolatrava: tinha as paredes do quarto forradas com posters deles, tinha uma pasta com recortes de notícias, fotos, tudo o que saía na imprensa sobre eles. Sabia as músicas todas, tinha todos os álbuns, pedia como prenda de Natal cassetes VHS com o concerto deles em Tóquio. Por um bilhete para um concerto deles eu teria (na altura) passado uma noite em claro, ao frio. Digamos que o concerto dos U2 foi um "prémio de consolação" que o meu pai me deu por não ter permitido que eu fosse ao dos Guns. Por isso me disse logo que sim e me comprou ele próprio o bilhete (na altura foi só ir ao Banco Português do Atlântico e comprar; simples); por isso e por já ter 19 anos e estar na universidade.
Agora passa-se o inverso: vou ver Guns como prémio de consolação por não ter ido ver U2, desta vez não por o meu pai não me deixar ir, mas por não ter conseguido comprar o bilhete, seja por não ter conseguido arranjar um há um ano atrás, seja por não ter vil metal disponível para o comprar agora. Apesar de estar entusiasmada (há 18 anos estaria histérica, delirante, em êxtase) não deixo de estar um pouco apreensiva pois não sei o que vou encontrar; quer dizer, até sei: um Axl Rose com 45 anos, sem os calções brancos, mas diz quem já os viu nesta digressão que continua a ser o Axl Rose. Até dizem mais, "ele está mais velho e ainda bem porque nós também!", grande verdade. De qualquer maneira, até me posso arrepender mas como diz uma amiga minha, "arrepende-te do que fizeste e não do que não fizeste". Tenho um bilhete para o concerto dos Guns'n'Roses, com 18 anos de atraso, é certo, mas se não lhe der uso ainda me vou arrepender mais. E tendo sido os Guns A minha banda, A banda da minha adolescência, A banda que eu idolatrei durante uns anos, tenho que ir vê-los. Para que não fique nenhum ressabiamento por resolver. Menos um na lista, venha o próximo.

quarta-feira, setembro 29, 2010

"Um sopro no coração"

Andava eu a vasculhar gavetas em busca do meu boletim de vacinas quando dou de caras com uma folha retirada de uma revista, cuidadosamente guardada numa mica. 

"Andava eu pelos dezanove anos e acabara o primeiro ano da faculdade. Aquelas férias de natal foram uma farra constante porque então tinha muitos amigos e todo o tempo do mundo. Ganhara a carta de condução e o velho Wolseley dos meus avós. E eram festas e licores e "whiskies" e comezainas e todos os excessos que caracterizam os natais insulares. E precisamente na véspera do regresso ao exílio coimbrão, adoeci. Cólicas, náuseas, vómitos, febre, um mal-estar a abalar-me todo. Como em casa de ferreiro, espeto de pau, fui ao dr. Rui, o colega do meu pai que nos aturava. O senhor virou-me do avesso. E, para grande espanto, por mais que me queixasse da barriga, fixou-se no peito. Franziu a cara, enrugou a testa, apurou o ouvido, voltou a auscultar, mudou-me de posição, voltou a mudar, por fim sentou-se, pousou o estetoscópio e declarou solene: "Tens um sopro no coração!"
Borrei-me de medo. Não sabia o que aquilo era, nem me atrevia a perguntar. "Um sopro sistólico por provável lesão mitral", concluiu, mais preciso.
Foi o pânico. Porque nessa idade eu não sabia que, por detrás dos aparatosos palavrões médicos, escondem-se coisas simples; ou, então, são pompas, cortinas de fumo para mascarar o quão pouco sabemos da máquina humana. Porém, naquele momento, uma coisa aprendi: frente ao médico, paramentado de estetoscópio e bata branca, investido no poder do seu saber, nós, os pacientes (não seria melhor "sofredores"?) lemos mais na expressão do rosto e nos cuidados postos na observação do que propriamente nas palavras ditas. E, naquele susto, esqueci-me das cólicas intestinais. Desapareceram.
Ainda nessa manhã rumei ao cardiologista, outro velho conhecido, que me recebeu numa festa: "Ah, isso não tem importância." Seguiu-se o ritual do electrocardiograma, à época um aparelho enorme, cheio de fios. E ali estendido, todos ligado, só ventosas, eléctrodos e braçadeiras, lembrava-me do laboratório do dr. Frankenstein, das séries negras americanas. Voltou o terror. Porque, enquanto me vestia, vislumbrei no gabinete ao lado o dr. Semião, atento, descodificando aqueles metros de papel, com a ajuda de uma lente e de um poderosíssimo foco luminoso. "Estou arrumado", pensei. Mal sabia que o senhor disfarçava uma grave doença ocular, à beira da cegueira. E ao dia seguinte apanhei o barco de regresso, com o meu pai, cara de caso, à despedida, que nada daquilo era grave, mas que não me esquecesse de ir ao médico mal chegasse a Coimbra. 
Decidi-me pela sumidade da moda, um distinto professor com consultório nas Avenidas. Era um Príncipe todo cheio de nove horas. Matematicamente, às cinco da tarde, interrompia as consultas para o chá com torradas. O qual atravessava, imponente, a sala de espera, num belo serviço de prata. E um gabinete nos conformes, móveis de estilo, tudo torcidos e tremidos, onde naufraguei afundado num sofá baixinho frente à enorme secretária de pau santo, do alto da qual o Príncipe nos esmagava em olhar "plongé". Seco, confirmou o diagnóstico. Nem piei.
Mas passei os três meses seguintes com medo de o coração falhar, a ver o pulso, a tensão, o branco dos olhos, e julguei que morria ao descobrir umas manchas violáceas nas articulações dos dedos. E hesitava sobre a melhor estratégia de sobrevivência: se vigilância apurada com consulta ao catálogo das doenças, se ignorar a realidade. Tornei-me num hipocondríaco profissional. Mas é trágico ter-se 19 anos com um sopro no coração e pensar que nos resta pouco tempo. E comecei a sofrer de enxaquecas, náuseas, vómitos e a vista a desfocar e metido no quarto às escuras, invadido de profunda tristeza. Sofria. Com saudades da vida. Até que uma tarde, ao passar no largo da Portagem, esbarrei com uma placa. Dizia :"Cardiologista".
Não era príncipe nem amigo da família. Apenas um cordial desconhecido, sentado num vulgar gabinete, olhando naturalmente as pessoas. Ouviu-me. Percebeu a minha infelicidade. Resistiu à tentação de me dar pastilhas para os nervos (felizmente há 30 anos a farmacologia da alma não tinha o "marketing" que hoje lhe conhecemos). Perdeu meia hora desdramatizando o medo da doença. Paciente, incentivou todas as perguntas possíveis. Saí aliviado, a saber que poderia fazer tudo, excepto correr a maratona, praticar atletismo de competições e exercícios violentos. 
A medicina é uma arte. Acho que aprendi mais naquela tarde do que no resto dos meus anos de faculdade. A relação. Entender e vivenciar a angústia do outro. Alguém que está fragilizado perante o médico. Tenso. E que lê mais nos silêncios e omissões do que nos discursos e afirmações. É terrível estar-se investido nesse poder mágico de curar pessoas. Quanto ao sopro, foi bom. Livrou-me da tropa."

                                                                                                      crónica de Ricardo França Jardim
"Um sopro no coração" in revista Pública
27 de Julho de 1997

Reli esta crónica e situei-me no tempo: estava à espera dos resultados da minha segunda candidatura a Medicina. Acreditava que ia conseguir. Por isso chorei tanto quando soube que não entrei. Mas não desisti; no ano seguinte voltei a tentar. E a falhar. E agora, 12 anos passados, volto a ler esta crónica e a sentir-me como me senti em 1997: com esperança de conseguir ser a médica num vulgar gabinete. Há que saber desistir, mas acho que ainda não é agora. Ainda lá vou mais uma vez... Desta vez a última. Mas vou. 

sábado, setembro 25, 2010

Me liga, vai... ou talvez não!

Não gosto de falar ao telefone. É verdade, sou mulher e abomino falar ao telefone. Eu preciso de contacto visual; pela expressão de uma pessoa eu consigo perceber o rumo da conversa, coisa que é difícil perceber pelo telefone (embora com pessoas que já conheço muito bem consiga fazê-lo). Daí se percebe que falar com pessoas que não conheço ou que conheço não muito bem provoque em mim um certo desconforto. Se conheço a pe
Nssoa, a coisa torna-se mais fácil porque consigo visualizar a pessoa e até posicioná-la num determinado cenário, tipo sentada no sofá ou numa cadeira na sala. O tom de voz é-me familiar e por isso tenho perfeita noção se a conversa está a fluir bem ou se liguei em má hora, consigo perceber se me está a despachar porque até tem o jantar ao lume ou porque está a ver televisão e não apanha metade do conteúdo da conversa. Isso, de certo modo, deixa-me mais confortável, apesar de não existir o contacto visual. Se não conheço a pessoa, tento imaginar como ela é, construo uma imagem de quem está do outro lado da linha. O tom de voz é-me perfeitamente desconhecido mas como quando ligo para pessoas que não conheço é para tratar de alguma coisa, não me interessa se me está a despachar ou não; quero é tratar do meu assunto e pronto.
Agora quando a pessoa do outro lado do telefone é um misto de conhecido-desconhecido, a coisa piora um pouco. Primeiro, consigo visualizar a pessoa porque a conheço mas não a consigo situar num determinado local porque, ao mesmo tempo, a desconheço. Depois, não consigo perceber na voz se está contente por estar a falar comigo ou se liguei numa péssima hora, até porque pode estar a ser educada em estar a ouvir-me quando, na realidade, queria era mandar-me passear e desligar o telefone. E depois é o nervosismo de estar a falar com uma pessoa que conheço mais ou menos mas que não vejo e, por isso, não consigo avaliar o grau de interesse na conversa. Aí vem o ataque de insegurança e o nervosismo e o trocar as palavras todas e o falar depressa depressa, antes que a pessoa se canse de me ouvir e eu não consiga dizer tudo o que quero. Isso é desgastante para mim, e por isso detesto falar ao telefone, mesmo quando me apetece ouvir a voz de alguém que está longe. Faz-se o “sacrifício”, até porque ninguém me obriga a ligar, mas quando desligo fico com a sensação que fui trapalhona, que me atropelei no meio das palavras e sinto-me uma adolescente desajeitada. Apesar das 32 primaveras já vividas, no que toca a conversas telefónicas, continuo a ser uma adolescente tímida, embora reze a história que as adolescentes gostam de falar horas e horas ao telefone. 

domingo, setembro 05, 2010

Mais um Verão

Praia da Ribeira do Cavalo, Sesimbra
E "prontos", mais um Verão está prestes a passar. Setembro já chegou e as férias, cheias de praia e sol e areia e mar e amigos e gelados, já lá vão.
Foi um Verão preenchido, poucos foram os fins de semana que passei no Fundão; acho que o meu lema de vida  "carpe diem" vai ser transformado em "carpe diem, o que se leva da vida é o que se goza". Gozei a praia, os amigos, as noites quentes (e se foram quentes, este ano...), experimentei coisas novas e aventureiras, o que deu para ver que a minha relação com a adrenalina está mais pacífica.
Com o terminar do Verão e o aproximar do Outono, começo a ficar melancólica. O mês de Setembro sempre foi um pouco deprimente para mim; apesar de gostar da escola, era sempre uma altura de mudança de rotina e isso perturbava-me um pouco. Ainda hoje, quando chego a Setembro, e principalmente quando chove, tenho exactamente a mesma sensação que tinha quando era miúda e começava a preparar o material para a escola. Sinto-me melancólica e, por que não dizê-lo, até um pouco triste.
De qualquer maneira, e como para mim isto dos blogs é um pouco sazonal, cheira-me que vou começar a escrever mais. Estou de volta ao meu cantinho à "beira-net" plantado.

sábado, maio 01, 2010

"Linha orientadora" ou "capricho do destino"

Embora não seja fanática da teoria do destino, em que se defende que nascemos com o nosso percurso de vida traçado, tenho que me render às evidências e aceitar que quando o destino se orienta numa determinada direcção, é quase impossível mudá-lo.
Sempre acreditei que nascemos com uma linha orientadora traçada, mas que o destino somos nós que o fazemos; vamos sempre parar àquela linha mas o caminho que percorremos até lá chegar, somos nós que o traçamos. É como a história daquele senhor que vai à bruxa e esta lhe diz que vai morrer num acidente de avião; ao ouvir isto, o senhor evita o dito meio de transporte e durante anos consegue escapar ao trágico destino. Até ao dia em que cai um avião em cima da sua casa e o senhor morre. Moral da história: por mais voltas que demos, vamos sempre parar à linha orientadora.
Eu sempre quis ser médica. Lembro-me que, quando o hospital da Covilhã estava a ser construído, sempre que ia para Aveiro, e da estrada via o local das obras, dizia "Um dia ainda hei-de trabalhar ali...", semana após semana, durante 4 anos. E de facto aconteceu, não como médica, mas fui lá parar. A minha linha orientadora apontava para ali e eu lá fui parar.
O facto de não acreditar em coincidências também reforça a minha "rendição" ao poder fantástico do destino. Para algumas pessoas, destino e karma são a mesma coisa; eu considero que são duas "entidades" distintas, mas é apenas a minha interpretação. Talvez para mim o karma tenha uma conotação mais pesada, como um fardo que se traz de uma outra existência, uma penitência que tem que se cumprir por erros passados. Para mim o karma é sempre mau, embora saiba que não é assim; a mim soa-me sempre a coisa ruim. Já o destino parece uma coisa mais leve, o destino pode ser bom, embora nem sempre seja.
Às vezes fazemos tudo o que está ao nosso alcance para mudar o rumo das coisas; no entanto aparecem sempre empecilhos, pequenas pedras na engrenagem que nos impedem de atingir o nosso objectivo. Conseguimos retirar algumas dessas pedras, resolver alguns dos contratempos, mas eles continuam a aparecer como cogumelos. Nessa altura temos que nos render às evidências: não está no destino que determinado acontecimento tenha lugar. E apesar de acreditar que somos nós que traçamos o nosso destino, a linha orientadora está lá. E não vale a pena gastar energia para a tentar mudar, por mais voltas que dermos, vamos sempre, mas sempre, lá parar...

"Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho
se faz caminho ao andar

Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar

Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar..."

António Machado
poeta espanhol

quarta-feira, abril 14, 2010

Danke schön, Wien!

Os brasileiros têm uma fixação pela Europa. Basta ver uma ou duas novelas produzidas do lado de lá do Atlântico para nos apercebermos que, para eles, a Europa é um mundo cheio de coisas boas. É na Europa que existem as melhores lojas, a água Evian é um "must" para eles (eu já provei e acho que é uma bela porcaria, viva a nossa Luso, Vitalis ou Glaciar!) e estudar na Europa é uma mais-valia para o currículo de qualquer "brasuca".
Eu vivo na Europa (acho que Portugal AINDA pertence à Europa, embora por vezes não pareça) mas também sinto um fascínio por essa "outra" Europa que fica para lá de França, que era a fronteira da "minha" Europa.
Alguém escreveu ou disse, um dia, que quando viajamos, trazemos sempre connosco um pedaço dos sítios que visitámos, e que a nossa personalidade vai sendo construída com esses pedaços. Em suma, cada sítio que visitamos muda-nos um pouco. Estes dias passados em Viena mudaram-me, mas acho que foi mais que um pouco, foi mesmo muito. Não sei bem porquê; talvez porque me senti bem num país que não é o meu, numa língua que não é a minha. Talvez porque me senti adaptada a uma realidade que me é estranha. Talvez porque caminhei nas ruas e andei no metro e me diluí no meio daquela gente toda, sem sentir que era uma "estrangeira". Pode parecer estranho e infantil, mas senti-me invencível, orgulhosa de mim por conseguir viver como minha uma rotina que não é a minha; consegui sentir que fazia parte de uma cidade que não é minha. Consegui "fundir-me" com Viena. E gostei da sensação.
Andar naquelas ruas cheias de edifícios magníficos e imponentes, respirar aquele ar cheio de História, ir à ópera (que foi um momento tocante, a minha primeira ida à ópera foi em Viena!), ouvir o "Danúbio Azul" tocado na terra do seu compositor. Ouvir a minha música clássica preferida (Air Suite nº3, de Bach) tocada ali, a uns metros de mim foi arrepiante, não consegui conter as lágrimas; esta música traz-me à lembrança um dia específico da minha infância, um dia sem nada de especial mas em que eu me lembro de ouvir esta música na rádio, num anúncio a um banco, enquanto me vestia e a minha mãe me preparava o pequeno almoço. Realmente, o que se leva da vida é o que se goza.
Sinto-me diferente, não sei se para melhor, mas seguramente diferente. Perdi o medo de voar. Perdi o medo de estar "sozinha" numa terra estranha, perdi o medo de não saber desenrascar-me. (ah, esse hábito tão português do "desenrascanço" foi uma preciosa ajuda para mim!)
Estes dias em Viena fizeram-me crescer como pessoa. Este crescimento provoca alguma dor e desconforto, mas faz parte de qualquer tipo de crescimento, de termos a noção que estamos diferentes. Que, de alguma maneira, mudámos de pele. Agora tenho mais um pedacinho de outra cidade dentro de mim. E isso faz de mim uma pessoa diferente da que eu era há uma semana. E essa mudança faz-me ter noção que aquilo que eu quero nem sempre é aquilo que eu preciso, que aquilo que eu quero pode não ir de encontro às minhas expectativas, que aquilo que eu quero pode não ser o "conto de fadas" com que sonho. Por tudo isso, agradeço a essa cidade maravilhosa (que não é no Brasil mas sim na Europa) que, por algum motivo que eu não entendo, me fez crescer mais um pouco. Danke schön, Wien!

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Uma data que odeio...

Odeio o dia de S. Valentim. Enerva-me haver um dia em que existe a suposta obrigação de se demonstrar amor e carinho pela cara-metade, quando isso devia ser feito todos os dias. Enerva-me não poder ir jantar fora nesse dia porque não se consegue uma mesa no restaurante. Enervam-me os coraçõezinhos e os peluches e o cor-de-rosa todo que pinta esse dia. Enerva-me. Não quero com isto dizer que me enervam as manifestações de amor e carinho, enerva-me é o floreado todo em volta disso. Quando se gosta, gosta-se e demonstra-se com palavras e gestos; pessoalmente não aprecio manifestações de amor e carinho que envolvam ursinhos cor-de-rosa com folhinhos. Acho muito mais bonito e, por que não dizê-lo, romântico, jantar num bom restaurante; passar uma noite num belo hotel; telefonar à hora do costume, supostamente a quilómetros de distância, e depois de desligar o telefone bater à porta de casa. Mas isso pode e deve ser feito durante o ano inteiro, não só no dia de S. Valentim, que, como já disse, odeio.
No liceu era um dia (claro está!) enervante; de manhã, quando chegávamos, lá estava o belo do marco do correio cheio de corações, prontinho a receber as arrebatadas cartas de amor dos alunos, escritas em folhas cheias de corações, algumas perfumadas, metidas em envelopes com o nome do destinatário e a turma. Já não me lembro se era no fim da manhã ou da tarde, mas sei que numa aula qualquer o professor distribuía as cartas e para alguma pessoas era humilhante, pois não recebiam nenhuma. Nos intervalos comparavam-se cartas e tentava-se descobrir quem era o remetente; como boas cartas de amor, muitas não tinham assinatura.
Eu apenas recebi uma carta de amor no dia dos Namorados, e ainda por cima era a gozar. Talvez por isso eu não goste do dia de S. Valentim, se calhar é uma espécie de "trauma". No entanto, recebi algumas fora dessa data; e essas eram a sério.
Só passei um dia dos Namorados com namorado, e mesmo assim as coisas já não estavam bem, por isso posso dizer que nunca comemorei um dia de S. Valentim (já referi que odeio esse dia?) a preceito, o que não é de todo mau: nunca recebi os malfadados ursinhos de peluche cor-de-rosa nem as caixas de chocolates em forma de coração.
Claro que não acho mal que se comemore o dia de S. Valentim; isto tem alguma razão de ser, como o Natal ou o dia da Mulher. Parece que o imperador romano Cláudio II proibiu a realização de casamentos no seu reino com o objectivo de formar um grande e poderoso exército, pois acreditava que os jovens se não tivessem família, alistariam-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano, Valentim, continuou a celebrar casamentos (em segredo), mesmo com a proibição do imperador; este descobriu e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens enviavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Valentim foi decapitado no dia 14 de Fevereiro de 270. Ou seja, o dia dos Namorados é a comemoração da morte do bispo Valentim... Hum, estou confusa.
Krakauer escreveu que "a felicidade só é real se é partilhada", o que me deixou a pensar; se duas pessoas viverem uma mesma situação de maneira diferente, se a felicidade sentida por uma das partes não for sentida pela outra, essa felicidade deixa de existir. Esfuma-se. Desaparece. A felicidade é sempre sentida de maneira diferente; para mim a felicidade está em pequenas coisas, pequenos momentos. Rir da mesma coisa; gostar da mesma música; o formigueiro na barriga quando as mãos se tocam; o enroscar dos pés; o sorriso ao acordar; o espreguiçar na cama. Pode não ser sentida da mesma maneira ou nas mesmas coisas, mas se não é sentida de todo deixa de fazer sentido. Talvez o dia de S. Valentim sirva para um casal reforçar essa partilha da felicidade. O que não faz com que eu passe a gostar mais desse dia. Não gosto. Ponto.

sábado, janeiro 16, 2010

Noutra pele

Apetece-me escrever, mas não consigo organizar ideias. Já comecei três textos mas chego a meio e perco-me. As ideias estão lá, o pior é organizá-las...
Ontem li um texto que um amigo meu escreveu; era um monólogo bastante longo, cheio de sentimentos não muito bons, mas cheio de sentimentos. Era um texto que eu poderia ter escrito. Não me identifiquei com a narradora (felizmente, apesar de tudo, não me posso queixar da minha vida) mas identifiquei-me com o texto. E verifico que me falta fluidez nas palavras. Sei o que quero escrever mas não o consigo fazer.
Tenho lido pouco, talvez por isso não consiga escrever como antes. A leitura facilita a escrita, sempre ouvi dizer.
Talvez se me pusesse noutra pele as palavras saíssem mais facilmente; na pele de um homem, em vez de uma mulher. Dizem que os homens são mais racionais, não se deixam levar tanto pelas emoções; isso poderia ajudar-me a organizar as ideias e talvez conseguisse, finalmente, construir um texto. Mas acho que não consigo pôr-me na pele de um homem, embora tenha alguma curiosidade em saber como eles vêem as coisas; como será ver o mundo sem nos deixarmos levar pelas emoções?
Isto enerva-me um pouco, sempre foi tão fácil para mim escrever. No liceu escrevia textos que deixavam os professores abismados; eram textos cheios de metáforas (como já disse uma vez, isto não é defeito, é feitio) e com muitos segundo sentidos, a interpretação dependia sempre de quem lia. Agora, ou pelo menos durante esta semana, tenho tido alguma dificuldade em conseguir escrever. Se, neste momento, estivesse numa aula de Português no liceu e me pedissem para escrever um texto, acho que iria ter uma avaliação negativa.
Tenho dois livros "na forja" para ir comprar: Pedro Paixão, "Do mal o menos"  e José Luís Peixoto; em relação a este último não sei que livro comprar. "Morreste-me" parece ser um bom livro mas não sei se consigo neste momento ler sobre a morte de um pai, invariavelmente irei colocar-me na pele do escritor (aí está!) e não quero fazê-lo, não agora, o tempo virá... Talvez compre "Cemitério de Pianos", parece-me mais pacífico.
Preciso de ler. Urgentemente. Algo me alimente o espírito, que me ajude a organizar-me por dentro, que me ajude a encontrar de novo o caminho para a escrita. Algo que me ponha noutra pele, numa pele mais organizada, numa pele que consiga escrever de uma forma natural. Algo que me ponha, de novo, na minha pele de "escritora inata".

Por ora, é o melhor que consigo fazer.

domingo, dezembro 27, 2009

2009, o ano do Aquário. E 2010?...

E pronto, está passado o Natal. Os neurónios natalícios lá deram um arzinho da sua graça, a neve ajudou um pouco, e consegui sentir o Natal. Confesso que estava a ficar assustada com a perspectiva de passar pelo Natal como "cão por vinha vindimada", que é como quem diz, com indiferença.
Agora vem a azáfama da passagem do Ano. Diziam os profissionais da astrologia que 2009 era o ano do Aquário, que coisas maravilhosas iriam acontecer, a todos os níveis. Não me posso queixar de 2009, mas, como boa aquariana, estava à espera de um ano assim recheadinho de coisas altamente espectaculares com as quais nem me atreveria a sonhar! Realmente 2009 foi melhor que os anos anteriores: fiz novos amigos, reforcei amizades antigas, fui a sítios a que nunca tinha ido, passei fins de semana espectaculares; até que foi um ano recheado mas não senti, sinceramente, que fosse "O" ano do Aquário. Talvez porque tenha nascido no primeiro dia do signo, e com o reforço do meu ascendente Capricórnio, eu não seja uma aquariana pura. Agora que penso nisso, tendo em conta que demorei quase 3 dias para nascer, eu até seja mais capricorniana que aquariana...
Como sempre, olho para o Ano Novo como um caderno em branco, no qual poderei escrever o que me apetecer, ou então fazer desenhos, ou jogar ao galo. Um ano que começa é quase como um "renascer", é ter a possibilidade de não cometer os mesmos erros (há tantos erros à disposição...) e de aprender com eles. É crescer mais um pouco, é ter novos objectivos e ter vontade de os concretizar.
Este ano, as previsões dos profissionais de astrologia vão na mesma direcção: para os nativos de Aquário, 2010 será "ano de concretizações", "colher frutos do que se iniciou em 2009", "boas perspectivas financeiras e de carreira profissional". Podem ser balelas, mas que dão alento, lá isso dão! De facto, este ano pode não ter sido o que eu estava à espera, posso não ter concretizado sonhos antigos, mas sinto que mudei como pessoa; sinto que cresci em muitos aspectos, sinto que encaro as coisas de maneira diferente.
Por isso, quando soarem as doze badaladas no dia 31 de Dezembro, estarei rodeada de bons e grandes grandes amigos, pronta para receber o Novo Ano, com tudo o que de bom e mau (se tiver que ser) que ele trouxer. Acima de tudo, espero que 2010 me traga aquilo que preciso, pois muitas vezes aquilo que queremos não é bem aquilo que precisamos.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Natal, Natal, Natal, Natal...

E pronto, cá estou eu de volta. A decisão foi tomada, bem ou mal, a dúvida já não me come as entranhas. Uma sensação de alívio invadiu-me o espírito e a minha cabeça voltou a encher-se de coisas mais interessantes. Enfim, liberdade!!


Estamos quase no Natal. Este ano passou a uma velocidade estonteante; ainda ontem estávamos a comemorar a passagem do ano e hoje estamos a uma semana do Natal...
Ainda não decidi se gosto ou não do Natal. Quer dizer, gostar até gosto. No Natal costuma estar frio e eu adoro o frio que nos faz ficar com as bochechas e o nariz vermelhos; adoro as luzes de Natal que iluminam as cidades, a música natalícia que se ouve na rua, o constante vai-e-vem das pessoas que compram as últimas prendas. Gosto de todo o ritual da preparação da consoada, a escolha da ementa, o decorar da sala. Adoro de acender a lareira (como eu gosto de lareiras...), ficar a olhar para o fogo, quase hipnotizada pela dança das chamas. Mas não sei se gosto do Natal em si, da véspera, do dia. A família que se junta pelo Natal é pequena, não há crianças, a noite passa assim quase como uma noite normal, com a diferença da ementa, do serviço de mesa, do local da refeição (trocamos a cozinha pela sala). E sinto-me sempre melancólica. Invariavelmente penso nos meus futuros natais...
O dia de Natal é um tédio, a televisão passa filmes que todos os anos são "estreias" (quantas vezes teremos visto "Música no Coração", "Sozinho em casa" e todas as sequelas, "Shrek" e por aí fora), e pronto, está o Natal passado.
Este ano ainda não decorei a árvore de Natal. Costumo fazê-lo no dia 8 de Dezembro, é uma espécie de ritual, mas este ano não se proporcionou e a vontade também ainda não apareceu. Conto que até 5ª feira ela apareça, se não vai mesmo sem vontade.
A par do "desleixo" em relação à decoração da árvore, também as prendas estão atrasadas; costumo ter as prendas compradas por altura do 8 de Dezembro, mas desta vez ainda me faltam, deixa lá ver... todas! Conto tratar disso durante os próximos dias, se não vou chegar à véspera sem um único presente para oferecer.
Este ano nem me lembro de desejar boas festas às pessoas; vou a uma loja e só quando a empregada educadamente me deseja "boas festas" é que eu me apercebo que estamos no Natal.
Não sei que se passa este ano, mas cheira-me que deve ter a ver com a malvada gripe, que tanto stress me provocou e que deve ter feito com que os meus neurónios "natalícios" tenham tirado férias. Espero que regressem ao activo rapidamente, de preferência antes da véspera de Natal.