segunda-feira, abril 20, 2009

Quem procura sempre acha?


Hoje fui à procura de um livro. Ia fisgada em comprar "O Leitor", de Bernhard Schlink; vi o filme no sábado à tarde e achei que seria boa ideia investir no livro. Entrei na loja e comecei a percorrer os corredores com os pés e as prateleiras com os olhos. Destaques, top livro, literatura estrangeira e nada. De repente, numa prateleira baixinha lá o vislumbrei. Desilusão, era tão fininho, umas míseras 144 páginas! Depois de um filme de duas horas estava à espera de um livro mais... robusto, um calhamaço mesmo. Claro que não é o tamanho que importa, mas sim o prazer que nos proporciona, mas o facto é que não comprei o livro.
Enquanto o procurava, dei comigo a pensar que era infinitamente mais fácil pedir ajuda ao colaborador da loja (ainda demorei uns bons 10 minutos a encontrá-lo), mas eu sou como os homens quando se trata de pedir indicações sobre o caminho para um sítio qualquer, prefiro demorar mais mas conseguir sozinha! De facto, as coisas que obtemos por nós próprios têm outro sabor; não nego que toda a gente precisa de ajuda de vez em quando, mas só depois de muita luta e de falhanço total. O facto de termos sempre alguém que nos ajude a fazer tudo pode fechar muitas portas; se eu tivesse pedido ajuda ao colaborador da loja não teria continuado a olhar para as prateleiras e não teria encontrado o livro que acabei por comprar: "Bom Karma - como obter e manter". Há tanto tempo que me questiono sobre essas coisas do karma e nunca pensei que viria a encontrar um livro que pudesse responder a muitas dessas questões. Claro que não me vai tirar todas as dúvidas (se calhar nem me vai tirar nenhuma) mas vai, pelo menos, satisfazer-me a curiosidade acerca deste assunto. Queria tanto fazer uma limpeza de karma, agora já não preciso de recorrer à tal "lavandaria esotérica", posso fazer uma sabonária em casa.
De facto, às vezes procuramos tanto uma coisa e não a encontramos, e quando menos esperamos, aquilo que procuramos é que nos encontra.

sábado, abril 18, 2009

E já lá vão 4 anos... (faz de conta que é dia 26 de Março de 2009)

Agora que aprendi a pôr vídeos no blog não quero outra coisa! Isso e o facto de não andar muito inspirada para escrever, às vezes é difícil organizar ideias e traduzi-las em palavras. Além do mais, e tendo em conta que o meu cantinho fez anos em Março, fica aqui a minha prendinha. É a origem do meu nick no blogger.
Faz de conta que hoje é dia 26 de Março de 2009. :)


terça-feira, abril 14, 2009

O poder da música

Esta é uma das minhas músicas preferidas de Lamb. A qualidade do som e da imagem não são as melhores mas não existe vídeo oficial. Incluí a letra num post de 2006 ("The way you made me feel") mas não há nada que chegue à força da música! Como diria Nietzsche, "Without music, life would be a mistake."

sábado, abril 11, 2009

"He´s not just that into you"


Ontem fui ao cinema ver um filme "de domingo à tarde", apesar de ser sexta feira à tarde. O título era sugestivo do tipo de filme, bem como do seu conteúdo, e por isso mesmo fui vê-lo. Por isso e por não haver nenhum filme na matiné que não fosse "de domingo à tarde".
Título do filme: "Ele não está assim tão interessado". Está-se mesmo a ver o género de filme: relações humanas, sinais mal interpretados, o quotidiano. Se tentarmos ver a coisa de um prisma menos crítico, quase que podemos tirar algumas lições em termos sociológicos. Posso dizer que aprendi algumas coisas, embora a maior parte das "lições" eu já tivesse tido na escola da vida (dramático! eheheh!), como levar uma tampa, por exemplo, e obtido aproveitamento com distinção!
O filme resume-se, basicamente, a um "guia" sobre os sinais que os homens dão quando conhecem uma mulher e revelam se ele ficou interessado ou não. Sei que os homens não são todos iguais, mas lá bem no fundo, são. O fundo genético, o instinto é igual. Está-lhes na "massa do sangue". E realmente há muitas coisas que fazem sentido.
Apercebi-me que os homens vêm as coisas de uma maneira muito mais simples, e que realmente as mulheres tendem a dramatizar as situações. De uma coisa de nada fazem um filme gigantesco (eu sei, eu já os fiz...) e que isso costuma dar mal resultado. E isso fez-me pensar. Fez-me perceber algumas coisas que estavam há muito tempo por esclarecer na minha cabeça. Se calhar se as mulheres pensassem um pouco, mas só um pouco, como os homens, as coisas talvez funcionassem de uma maneira mais simples. Podia perder-se um pouco da magia, que também é importante, mas talvez se evitassem algumas desilusões.
Também falavam no facto de ser sempre o homem a dar o primeiro passo; há homens que dizem "ah e tal, somos sempre nós que temos que tomar a iniciativa, porque é que não podem ser as mulheres a fazê-lo"; se formos ver bem, realmente se o homem não toma a iniciativa é porque não estará muito interessado. E se a mulher vê isso talvez se sinta insegura em ser ela a tomar a iniciativa. Resumindo: é muito complicado!
Por mais que as pessoas tentem perceber o que vai na cabeça de cada um, as pessoas têm vivências diferentes e reagem de forma diferente. Há pessoas que podem já ter sido rejeitadas inúmeras vezes mas lambem as feridas, recuperam e voltam à carga, tomam a iniciativa, não têm medo da rejeição porque já se habituaram a lidar com ela; há outras que não conseguem tomar a iniciativa e preferem perder a oportunidade de ser bem sucedidas (ou não) a tentar uma aproximação. Como diria Shakespeare, "E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!". E como diria eu, "quem quer vai à luta!". Esta frase foi-me "cuspida" com algum desdém por alguém que já fez parte da minha vida e que nunca se poderia ter queixado de falta de luta da minha parte. Enfim, são águas passadas e que já vão bem longe, mas essa frase ficou-me na cabeça. E realmente é verdade, quem quer uma coisa tem que lutar por ela. Não podemos esperar que as pessoas entrem na nossa cabeça e no nosso coração, não podemos esperar que adivinhem o que sentimos ou o que pensamos. Às vezes nós próprias não damos os melhores sinais. Sei que é difícil abrirmos o nosso mundo mais íntimo e pessoal a alguém, mas se não o fizermos podemos correr o risco de passar ao lado de alguma coisa boa. Também corremos o risco de levar (mais) uma tampa mas acho preferível levar a nega do que ficar a pensar nisso o resto da vida "E se eu tivesse...?"
De facto, apesar de ser um filme "de domingo à tarde", que normalmente não necessita do uso do cérebro, deixou-me a pensar. Infelizmente não levámos nenhum homem connosco que nos pudesse dar umas deixas sobre a veracidade do que foi ali retratado, mas muitas daquelas coisas fazem sentido. Ou não farão? Hum... :)

domingo, abril 05, 2009

English Club - o renascer da fénix? Nã...


Como prometido, aqui vai o post sobre o English, a melhor (e única!) discoteca da terrinha. E porquê agora? Porque na sexta-feira, dia 3, foi tentada uma manobra de reanimação da dita, tipo massagem cardíaca ao som de muita martelada (leia-se house music).
Sendo a única discoteca do Fundão, o English sempre foi o ponto de convergência de toda a gente, novos e menos novos, a partir das 2h da manhã, hora a que o senhores agentes da GNR (agora GNR - Comércio Seguro) fazem a ronda para ajudar a esvaziar os bares mais depressa, num gesto de "solidariedade" para com os donos e/ou empregados dos ditos bares.
Há uns anos atrás, o English Bar (agora English Club) era uma discoteca de referência; vinha gente de tod'a Beira Baixa sacudir o esqueleto à nossa humilde discoteca, também famosa pela feijoada à sexta-feira. Era um local de convívio e muitas vezes os pais acompanhavam os filhos nessas saídas; os pais ficavam no bar do rés-do-chão, os filhos iam pintar a manta para as pistas (sim, tinha 2 pistas!).
Famosas eram as noites da saudosa e extinta FACIF, em que no sábado de encerramento, a discoteca enchia até ficar quase a rebentar pelas costuras e era loucura total! Ainda guardo recordações de uma FACIF em que o concerto do último sábado foi Xutos&Pontapés; não cabia mais uma alminha no English, dizem que os próprios Xutos andavam por ali a encanar cervejas, e o ambiente estava ao rubro! Havia pessoas em cima dos muros que rodeavam a pista nova (conhecida como "banheira" devido aos seus fabulosos mosaicos brancos), pessoas em cima das cadeira e parece-me (não juro) que também havia pessoas em cima de algumas mesas. O facto é que estava tudo animadíssimo e foi de facto uma noite memorável na história do English (Bar, na altura).
Como essa houve tantas outras noites, não era preciso motivo para haver festa no English. A desculpa em casa (estamos a falar do tempo da adolescência) era a festa de anos de amigos, alguns dos quais festejavam o anivesário várias vezes ao ano. Ou o fim das aulas. Ou o início das aulas. Ou o facto de estarmos a meio do 2º período. E as famosas matinés do English, com a sua festa da Porca e do Parafuso, em que entregavam à entrada uma porca às meninas e um parafuso aos meninos. O objectivo era encontrar o parafuso que encaixasse naquela porca, e assim era ver rapazes e raparigas tentarem encaixar os seus parafusos e as suas porcas (hum...). Quando encontrassem o par iam ao bar e recebiam uma bebida grátis ou outro presente qualquer (francamente não me lembro, nunca andava à procura do parafuso... era muito tímida). Também me lembro da festa do Graffiti, em que as paredes estavam forradas de plásticos gigantesco e o pessoal fazia graffitis com tintas que brilhavam no escuro. Isso é que eram tempos!
Depois o pessoal cresceu, acabou o liceu, foi para a universidade, e o English passou a ser o ponto de encontro nas férias de Natal, Carnaval, Páscoa e de Verão. Mesmo que uma pessoa saísse de casa sozinha, sem combinar nada com ninguém, sabia que se fosse ao English ia encontrar lá o pessoal todo. Era dado adquirido que início de férias dava direito a ida ao English no sábado. E era fixe encontrar pessoal com quem já não se estava há meses; nessas noites passava-se mais tempo a conversar e a beber do que a dançar. E as noites continuavam mesmo depois da discoteca fechar: ia tudo em romaria (no verdadeiro sentido da palavra!) até à estátua da Nossa Senhora de Fátima (carinhosamente apelidade de Santa), na Serra da Gardunha. O álcool ajudava à locomoção (ou não!) e viam-se grupos de pessoas pela estrada acima para abancar nas escadas que ladeiam o dito monumento. E a noite terminava de manhã, com o fantástico nascer do sol e o debandar do pessoal para casa ou para o parque de campismo, que fica mesmo ali ao lado.
Com o tempo foi necessário modernizar o velhinho English, que foi remodelado e transformado numa discoteca insípida e branca, nada a ver com o English "old school", escuro e tenebroso, mas sempre tão animado!
A mudança de visual do velhinho English roubou-lhe a alma, e o English começou a estar vazio daquelas pessoas que lá iam para se reverem. Havia outras, mas pessoas estranhas, que eu não conhecia. O pessoal deixou de ir ao English.
Claro que ainda existem os resistentes, o pessoal que insiste em ir quando vêm as férias, sempre na esperança de reencontrar os amigos. Mas nunca reencontram ninguém.
Por isso, quando nesta sexta feira anunciaram um DJ set "Mr. Lemon e Mr. Marrusso" a prometer "let´s rock and electrify", eu fiquei com vontade de ir. Era início de férias da Páscoa, podia ser que, pelo menos uma vez, o English voltasse a ser o que era. Estive quase a desistir mas lá fui arrastada para lá, sempre com a esperança de que não me fosse arrepender. Já lá não ia há uns bons meses, e enquanto entrava e subia as escadas pensava que ia ser uma noite bem fixe. Mas quando entrei na pista, a expectativa deu lugar à desilusão. Embora estivesse uma casa compostinha em termos de quantidade de gente, o som não era bem o que eu estava à espera. Resumindo: defraudou as minhas expectativas. Aguentei a meia hora da praxe, paguei uma cerveja do meu cartão a um amigo, dei mais meia hora para não parecer mal, e fui para casa.
Tinha a ideia de que o English seria como a fénix, podia ter sido queimado mas iria renascer. Agora acho que não, acho que o English perdeu a sua alma, e quando os lugares perdem a alma dificilmente voltam a ser o que eram.

quarta-feira, abril 01, 2009

"Some days are better than others"

Há dias em que gostava de passar total e completamente despercebida. Sem que ninguém reparasse em mim, na minha expressão, no meu silêncio.
Gostava de poder dizer as coisas sem ser por meias palavras, gostava de chamar as coisas pelos nomes, agarrar o touro pelos cornos.
Gostava que o meu olhar conseguisse transmitir de forma inequívoca o que me vai na alma, gostava que a tristeza ou a alegria que deles irradia pudesse ser captada, gostava de não precisar de palavras para dizer o que sinto.
Gostava que o meu toque conseguisse transmitir o carinho, o afecto, a paixão, para que nunca restassem dúvidas do porquê de estar ali e não noutro lado qualquer. Gostava de deixar de desejar repetir o irrepetível.
Há dias assim. Felizmente, hoje não é um desses dias!

segunda-feira, março 30, 2009

Bem hajam!!


Eh pá, vi agora que o meu modesto cantinho nesta imensa rede que é a Internet já teve 2000 visitas! Claro que comparado com outros blogues, isto não é nada, mas tendo em conta que sou apenas uma ilustre anónima, estou muuuito feliz!
Bem hajam a todos os que perderam um pouco do seu precioso tempo para passarem por aqui e lerem um pouco daquilo que me vai na alma. Bem hajam pelos comentários e pelas palavras de incentivo. Afinal, são os leitores que dão sentido aos blogues. Bem hajam e voltem sempre!

domingo, março 15, 2009

"Deus te dê em dobro"... o quê?


Hoje fui "agraciada" com a tão popular expressão "Deus te dê em dobro". Ora esta singular expressão é utilizada quando se quer agradecer qualquer coisa, seja a paciência com que se ouve uma pessoa que precisa de desabafar, a compaixão com que se comparte o sofrimento de alguém ou a caridade de dar ajuda a quem mais precisa.
Quando desliguei o telefone fiquei a pensar "O dobro de quê?". Porque normalmente costuma-se dizer "Deus te dê o dobro daquilo que me desejas", o que acaba por ser um pau de dois bicos (é tipo aquela praga "havia de te dar uma dor tão grande que só te desse para correr; quanto mais corresses, mais te doesse, se parasses, rebentasses"); se uma pessoa gosta da outra e até lhe deseja o bem, então Deus irá retribuir com o dobro do bem. Se por acaso é mais uma questão de ódio figadal, então aí a retribuição será em dobro do mal, e aí a coisa fica mais complicada. É, pois, uma expressão com um duplo significado mas que acaba sempre por cair bem, seja por sinceridade, seja por cinismo.
Já a expressão "Deus te dê em dobro" é um pouco dúbia. Deus me dê em dobro o bem que fiz ou o mal que, de alguma forma, ajudei a aliviar? Deus me dê em dobro a paciência que às vezes vou buscar não sei bem onde ou as chatices que às vezes tenho que aturar?
Eu quero acreditar que será sempre "em dobro" o bem que fiz mas olhando um pouco à minha volta, parece-me que não será bem bem isso que quer dizer; porque, e recorrendo à minha frase favorita de Camões que eu nunca me cansarei de utilizar, "os bons vi sempre passar/na vida grandes tormentos/enquanto os maus vi sempre nadar/ em mares de contentamentos", o que eu vejo à minho volta é mesmo isso. Já não se recompensa o bem, acho que o altruísmo apenas traz satisfação pessoal (o que por si só já é um bem, claro!) e não graças divinas que às vezes nos faziam muito jeito que nos fossem concedidas.
Depois penso que até há imensas graças divinas a virem na minha direcção, tipo os tiros das naves espaciais do saudoso jogo dos anos 80 "Space Invaders", mas está a tal história mal resolvida do karma que eu falei num post anterior.
De qualquer maneira, vou tentar esquivar-me ao karma (se tal for possível; pela definição penso que não mas tento na mesma, que se lixe) e ver se alguma das graças divinas com que tantas vezes sou agraciada me acerta e me faz explodir de felicidade. Que Deus me dê em dobro qualquer coisa boa.
(desculpem se este post parece uma revisão linguística, literária e filosófica, mas hoje acordei com os pés de fora e por isso estou rabugenta :p)

domingo, março 01, 2009

O que não é natural...


Dizia o velho e saudoso anúncio do restaurador Olex, "Preto de cabeleira loira e branco de carapinha não é natural". E eu acrescento "O que também não é natural é alheira vegetariana". Sim, porque uma alheira que se preze tem que ter carnunça, geralmente franguinho. Ora ontem resolvi ser uma "ganda maluca" e experimentar uma alheira vegetariana, ou seja, sem carne. Geralmente não gosto muito dessas experiências culinárias; para mim nada de feijoada de chocos (feijoada tem que ter carne), embora aprecie bastante uma boa lasanha vegetariana (é o meu cartão de visita culinário). Como estava a dizer, resolvi viver a vida no limite e comi uma alheira vegetariana; era fabricada em Mirandela, por isso era uma verdadeira alheira, mas em vez de frango tinha azeitonas e pimentos. O sabor era o mesmo, assim como o cheiro. Com um ovo estrelado e umas batatinhas fritas até era capaz de passar por uma verdadeira alheira de Mirandela com carne. O pior foi depois do almoço; parece-me que afinal a alheira vegetariana, apesar de ser mirandesa, não é bem igual à alheira não-vegetariana, e o meu estômago acusou logo o toque. Parece que as minhas entranhas se revoltaram contra o facto de eu estar a comer alheira e enquanto elas esperavam pela carninha, eu presenteava-as com umas belas azeitonas e pimentos. Parece mesmo que o meu cárdia pensou "Ai queres enganar-nos, hein? Há alheira mas não há carninha, é? Então espera aí que eu já te digo.". Rápida comunicação com o intestino e já se sabe: foi a revolta total das entranhas!
Felizmente foi episódio curto, mas obrigou-me a andar a sumo, chá e água a noite toda, bebidas que devo dizer que deviam estar "minadas" porque passei a noite a rir e a dizer disparates. Será que é moca natural? Ou será que as minhas entranhas revoltadas produziram alguma espécie de substância "endorfínica" como comemoração da sua vitória? Hum... O certo é que uma alheira que se preze tem que ter carne, e acho que não irei voltar a comer alheira vegetariana tão cedo. Por afinal não é natural... apesar de ser muito boa!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Parabéns, Charles Darwin!


Como orgulhosa bióloga que sou, não poderia deixar de dar os parabéns a Charles Darwin, que faria hoje 200 anos. É uma bonita idade, 200 anos... E é bonito ver que após quase 200 anos, alguns dos fundamentos da sua teoria de evolução das espécies estão perfeitamente adaptados ao nosso mundo.
No seu livro "A origem das espécies", Darwin introduziu a ideia de que todos os seres vivos evoluíram de um ancestral comum e que essa evolução seria "conduzida" pela selecção natural, ou seja, os caracteres hereditários que favorecem a sobrevivência de um indivíduo num determinado ambiente são cada vez mais frequentes nas gerações seguintes, resultando numa população perfeitamente adaptada a esse mesmo ambiente. O problema é quando o ambiente que rodeia a população muda, aí está o caldo entornado, e os tais caracteres que até favoreciam a população num determinado ambiente passam a ser desfavoráveis num outro, e a população, outrora perfeitamente adaptada, passa a ser "peixe fora de àgua" e corre o risco de se extinguir. Resumidamente, é a lei do mais forte: adaptas-te, tudo bem; não te adaptas, já foste.
(lentamente, a fase darkness está a desparecer...)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

O primeiro borrão de 2009...


Realmente tinha começado bem, o ano. Ainda não tinha havido braços a esbarrar com tinteiros e a deixar borrões nas folhas. A caligrafia até estava a sair bonitinha, sem erros ortográficos. E de repente, a letra começa a sair torta, erros ortográficos aparecem sabe-se lá de onde e tenho que começar a tentar emendá-los. Estava convencida que o caderno não ia ter rasuradelas mas pelos vistos enganei-me.
Ainda dizem que este ano é o ano do Aquário; que seria se não fosse...
(Espero que esta malvada fase darkness passe rapidamente, quero estar na fase wonder!!)

É mais do mesmo... que miséria!

Bem gostava de escrever algo mais alegre mas realmente a coisa está preta. E agora já nem posso culpar a chuva pela minha "depressão", uma vez que S. Pedro finalmente ouviu as preces de muitos crentes aqui em baixo e fechou a torneira. Parece que a "culpa" desta "depressão" está mesmo algures entre a minha cabeça e os meus pés...
Neste momento, sinto-me cansada. Não cansada fisicamente, mas um cansaço psicológico, se é que isso existe. Estou farta de ver injustiças, farta de ver singrar quem não merece, farta de tentar mostrar o que valho e ninguém ver. Por isso começo a questionar: "será que valho mesmo aquilo que penso?". Pergunta estúpida, absurda mesmo, acho que ainda sei avaliar as minhas qualidades. Mas olho à volta, e a dúvida assalta-me: "se calhar há aqui qualquer coisa que me escapa...".
Sempre fui lutadora, sempre tentei lutar por aqui que queria, às vezes até à exaustão, às vezes mesmo quando já não havia mais por que lutar. Mas agora estou cansada. Já não me apetece lutar. Apetece-me deixar-me ir à deriva dos acontecimentos, tipo folha de árvore que caiu num rio de águas tumultuosas e que espera para ver onde a corrente a vai levar. Vejo tantas pessoas a quem as coisas caem na sopa, assim sem mais nem menos, e penso: "porque é que, por uma vez na vida, não pode cair-me uma coisa fixe na sopa, tipo um fio de natas, em vez de caírem moscas atrás de moscas?". Uma coisa. Não peço mais. Depois de tantas lutas perdidas, de tanta energia desperdiçada com batalhas vãs, só peço uma coisa fixe a cair-me na sopa; pode ser um fio de natas, um punhado de "croutons" (sabem, aqueles pedacinhos de pão frito que se põem nas sopas passadas) ou até um ovinho batido (como na sopa de tomate).
Sei que as coisas têm mais valor e outro sabor (rima inesperada) quando são obtidas com esforço, mas um presente da vida de vez em quando até que sabia bem. Tenho muitas coisas boas, e lutei por todas elas, e tenho orgulho disso. Mas parece que há coisas que têm que ser oferecidas pela vida, e parece que há pessoas que têm um íman para atraírem essas coisas. Eu acho que não tenho esse íman... Até podia ser o meu presente da vida, um íman para atrair coisas boas! Se funcionar tão bem como o "caçador de sonhos" que tenho por cima da cama...
Sei que a felicidade absoluta não existe, o que existe são momentos felizes, e eu consigo ter vários momentos desses com coisas que parecem não ter grande significado (planear ir comer um gelado depois do trabalho, receber uma chamada de um amigo de quem há muito não tinha notícias, ir ao cinema com os amigos). Mas às vezes isso não me chega...

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Direito de matar ou direito de morrer...?


Hoje de manhã ouvi nas notícias que finalmente autorizaram a retirada da alimentação artificial que mantinha viva, embora em estado vegetativo (será que estava mesmo viva?) uma mulher de 38 anos, Eluana Englaro. Fiquei contente, sou uma defensora acérrima da eutanásia; acho cruel prolongar uma vida que não bem uma vida, é um estado, é apenas estar ali, é apenas ser observado sem poder observar, é não ser autónomo, é precisar de uma máquina para respirar, para comer. Isso para mim não é viver.
Na famosa Wikipédia, a eutanásia (do grego ευθανασία - ευ "bom", θάνατος "morte") é definida como "a prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista.". Ou seja, acabar com um sofrimento que ninguém pode compreender, só mesmo quem está a passar por ele. Para mim, isso é um acto de misericórdia, não é um crime.
Claro que não é fácil tomar essa decisão. Quando o "enfermo" está consciente, a decisão é dele. Lembro-me da história de Ramón Sampedro, um espanhol que ficou tetraplégico num acidente e esteve 30 anos deitado numa cama. O caso dele comoveu-me, quando via as reportagens dele a pedir encarecidamente que o matassem porque ele não tinha força sequer para se suicidar, inconscientemente punha-me no lugar dele e tentava imaginar o que seria estar presa a um corpo inerte. Lembro-me de ele dizer que era uma cabeça presa a um cadáver e que já não queria viver assim. Era um homem na posse das suas faculdades mentais (embora admita que pudesse haver ali um toque depressivo) que não era capaz sequer de levantar um braço, quanto mais suicidar-se. Até para se suicidar precisava de ajuda! Ainda hoje me lembro de ver no Telejornal o jornalista anunciar que finalmente Ramón Sampedro tinha morrido, uma morte horrível por envenenamento com cianeto de potássio; não mereceria este homem uma morte digna, sem sofrimento? Não mereceria este homem partir em paz, serenamente, depois de 30 anos de sofrimento diário sem fim à vista? Infelizmente, a lei é clara e não é possível, pelo menos em Espanha, por fim à vida de um tetraplégico que não tem qualquer hipótese de um dia voltar a ser autónomo, e que está numa angústia psicológica brutal porque tem plena consciência disso.
Agora põe-se a questão de o "enfermo" não ter consciência de nada. Estar em coma, em estado vegetativo, apenas subsiste porque existem máquinas que o alimentam, que respiram por ele. A família vê-se a braços com uma decisão difícil. Eu sei, eu já passei por isso. Mas apesar da carga psicológica, acreditem que não é assim tão complicado como uma pessoa pensa. Basta pensar um pouco nas consequências de manter viva uma pessoa que está "morta"; eu era uma criança, o meu pai explicou-me da melhor maneira que soube e eu compreendi. E não hesitei em responder que era melhor desligar a máquina; porque compreendi que estar vivo não é só ter o coração a bater e os pulmões a oxigenar o sangue. Estar vivo é estar em contacto com o que nos rodeia, é poder reagir a um abraço, a um beijo, a um sorriso. De que serve ter o coração a bater se não se pode abraçar quem se ama e senti-lo bater mais depressa?
Apesar de defender a eutanásia, há uma coisa no caso da Eluana que me deixa apreensiva: os médicos apenas lhe vão retirar a alimentação e a hidratação. Ela vai demorar quase duas semanas a morrer, e vai morrer de fome e de sede. Ora, para mim isto não é bem bem eutanásia. O anestesista que acompanha o caso diz que ela não vai sofrer porque não tem actividade cerebral mas o facto é que vai ser uma morte lenta. E para mim a eutanásia devia ser uma morte relativamente rápida.
Recordo um filme, "Dead Man Walking", em que um preso é condenado à morte por injecção letal. Isto não é eutanásia? Porque é que dão uma morte indolor e rápida a um criminoso que matou não sei quantas pessoas à machadada e não mostra um pingo de arrependimento, e a uma desgraçada que está em coma há mais de 15 anos porque teve um acidente de viação deixam-na morrer à fome? Hum, sentimentos contraditórios apoderam-se de mim. Já não sei se estou assim tão contente por terem autorizado a retirada da alimentação artificial a Eluana Englaro.
O que continuo a defender é o direito a viver uma vida digna e autónoma, e quando isso não é possível, ao menos que se tenha direito a morrer com dignidade.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

"Wonder"


"lately i find myself
amazed at all around me
everything i see
like all of life's ablaze with light
that suddenly i see, only now i see

the wonder, the wonder of it all
wonder everywhere, more than we know
heaven's not up there, but on earth below

don't know if god exists
but there's some magic out there
so much we're not aware
and then sometimes suddenly i hear
a harmony sing, of each and everything

the wonder, the wonder of it all wonder everywhere, more than we know
heaven's not up there, but on earth below"

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Afinal não sou a única...


Não acredito muito em astrologia mas às vezes, quando não sei muito bem em que acreditar, até tenho curiosidade em ler as "previsões astrológicas". Seja qual for o profissional do ramo que eu consulte na internet, todos dizem o mesmo: 2009 é o ano do Aquário. Todos prevêm crescimento em todos os sectores e dizem que finalmente os Aquarianos irão colher os frutos de todo o seu trabalho e esforço. Gostava de acreditar nisso e vou tentar; what goes around comes around, pode ser que acreditando nestas previsões optimistas elas se concretizem.
Hoje estou num daqueles dias em que olho para o nome do meu blog e penso "Foi mesmo escolhido a dedo, pá!". Hoje estou mesmo na fase darkness... E é ainda pior quando olhamos à volta e vemos que não somos os únicos a estar assim, a modos que coisinho. Faz-me lembrar quando estava no 1º ano da universidade, cheia de vontade de me vir embora e não tinha coragem para o fazer. Foi só ver o pessoal da minha turma a debandar para fazer novamente os exames e tentar de novo a sua sorte que a coragem apareceu logo, assim, zás!, em menos de nada. Bastou um telefonema para o meu pai, arrumar o essencial, ir até casa e explicar os meus motivos. Na semana seguinte estava a abandonar a Universidade e a voltar a estudar para os exames.
Não é segredo para ninguém que me conhece que sou uma inconformada; pronto, não me posso queixar mas o ser humano é, por natureza, insatisfeito e quer sempre mais e mais e mais. Há muito tempo que me sinto assim, presa a uma rotina que já não me preenche, e a desejar muitas vezes não ter nada, para assim poder arriscar mais. Porque tendo em conta a maneira como as coisas estão, só mesmo um louco é que decidiria largar tudo o que tem por uma possível aventura. Sim, eu tenho noção que sou privilegiada mas não me sinto realizada. E não sei se vale a pena trocar a realização pelo privilégio...
Hoje tive noção que não sou a única. Que há outras pessoas à minha volta que, apesar de serem também elas privilegiadas, também não se sentem realizadas. Que têm outros planos para a sua vida. Que querem fazer outras coisas. Que não querem fazer o que fazem o resto da sua vida. Afinal não sou a única...
Eu nunca deixei de procurar a minha realização profissional, embora não consiga definir exactamente o que quero fazer e onde o quero fazer. Já tive fases de procura activa que em nada resultaram, e fases de procura passiva, em que pura e simplesmente esperava que alguma coisa aparecesse no horizonte. Mas hoje bastou alguém à minha volta exprimir em voz alta aquilo que eu sinto para me encher com aquela coragem que eu senti no dia em decidi voltar a fazer os exames. E decidi voltar à fase de procura activa. Com um problema adicional: já não estou tão livre. Assumi compromissos que me "prendem" um pouco, embora NUNCA definitivamente. Mas que me fazem olhar para trás e pensar 2 ou 3 vezes.
Não gosto muito de olhar para trás mas assusta-me ainda mais olhar para a frente. Não saber o que lá vem. Não saber se o conseguirei enfrentar. Não saber quais serão as consequências dos meus actos. Depender dos "ses" que governam este mundo. "Se eu fizesse assim, acontecia assado". Ah, se ao menos soubessemos o que é "assim" e "assado"...
O passado é um país distante onde vagueiam pessoas que nos parecem familiares mas o futuro é um continente inexplorado povoado de completos desconhecidos. Podemos ter sorte e encontrar pessoas porreiras ou ter o azar de dar de caras com autênticos anormais que nos vão fazer a vida negra. Seja como for, há que receber o futuro de peito aberto, para o que der e vier.
Só espero que os profissionais da astrologia tenham razão e que este ano seja mesmo mesmo bom para os Aquarianos. Pelo menos está a ser bom numa coisa: percebi que afinal não sou a única.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Houve festa em Aveiro! E que festa...!


Pois é, mais um ano... Mais uma vez sinto que estou a abrir um caderno novinho, com folhas brancas a pedir para serem escritas. Vamos lá a ver escrevo com uma letra bonita e sem erros ortográficos.

Posso dizer que o ano começou bem. Depois do Natal dei comigo a pensar " é desta que fico em casa a ver filmes na noite da passagem de ano", embora já tivesse marcado férias para essa semana e estivesse com vontade de ir para fora. O pessoal alinhou e aí fomos nós, a caminho de Aveiro. É curioso como passei tantos anos em Aveiro a querer vir embora e agora tenho passado as noites mais divertidas lá. Realmente a idade muda uma pessoa...
Foi uma festa porreira, com gente gira e um ambiente fantástico. O Alvim é um senhor, carago!, nunca pensei que fosse assim; geralmente quando se vai com grandes expectativas a desilusão é maior do que quando não se espera nada. Eu ia com alguma expectativa mas garanto que não me desiludi nada, embora a certa altura, durante o jantar, tenha sido assaltada pelo receio de a noite ser uma banhada. Tudo bem, no verão de 2007 tínhamos ido passar uma noite em Aveiro e tinha sido altamente, mas "o que foi não volta a ser/mesmo que muito se queira", como dizem os Xutos & Pontapés, e desejar que a noite fosse igualmente boa ou, quem sabe, melhor, era esticar um pouco a corda... ou não!
A festa foi espectacular, a companhia foi excelente e a música foi do melhor! Toda a gente sabe que o Alvim tem a mania de passar a música do D'Artacão, e para mim era um dos (esperados) pontos altos da noite (como vêm, as minhas expectativas eram realmente baixas); mas ver malta na casa dos 30 a cantar "Era uma vez os três/ os famosos Moscãoteiros" a plenos pulmões foi lindo, muito para além do que eu poderia esperar.
Foi um início de ano fantástico, com animação e boa disposição. Fartei-me de dançar, não toquei numa pinga de álcool (a não ser o belo champanhe para brindar ao novo Ano) e consigo lembrar-me de tudo; não houve música que eu não conhecesse, que não cantasse, que não dançasse.
E dei comigo a pensar que afinal não é assim tão mau estar na casa dos 30; viver a adolescência ao som de Xutos, Smashing Pumpkins, Guns 'n' Roses foi bem melhor do que vivê-la ao som dos D'Zert ou das Play Girls ou lá como elas se chamam.
Já há muito tempo que não tinha uma passagem de Ano tão porreira e tenho esperança que seja um prenúncio de um ano bom.
As primeira páginas do caderno "2009" começaram a ser escritas com letra bonita e sem borrões, vamos ver se assim se mantém...

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Do they know it's Christmas time?


É verdade, estamos quase no Natal... Não sei se é bom ou mau, uma vez que parece que o Natal foi ontem. O tempo voa a uma velocidade supersónica...

Não sei se fruto de toda esta conjuntura depressiva provocada por uma dita "crise" (que alguns insistem em dizer que é como o Pai Natal, isto é, não existe), eu, que até gosto do Natal, este ano estou assim a modos que coisinho... Fiz a àrvore de Natal anteontem e, sinceramente, foi um frete. Em 30 anos de vida, este foi o primeiro Natal em que foi um frete fazer a árvore. Não sei o que se passa mas acho que é geral. No laboratório, em 8 anos que lá estou, é o primeiro ano em que não há enfeites de Natal nas salas, nem o famoso pinheiro de Natal à entrada.

Isto está a deixar-me preocupada: estaremos todos à beira da depressão?

Já há iluminação de Natal nas ruas mas ainda não ouvi a música. As luzes parece que não iluminam nada, isto está muito esquisito.

A única coisa que me anima neste Natal é mesmo o facto de ter férias e poder estar com aquelas pessoas que não vejo há séculos! Estou deserta para que chegue a semana do Natal para poder tomar o tal "banho de gente". É que este Fundão está morto; não se passa nada, os bares fecham e até o English, o nosso local de paragem (outrora) obrigatório ao fim de semana vai encerrar as portas (ainda hei-de fazer um post sobre o English, merece!)...

Tenho esperança (porque o Natal é tempo de esperança) que as coisas melhorem, que as pessoas e a economia mundial se animem, porque este clima depressivo está a começar a mexer comigo. No nosso cantinho do céu no laboratório, a insanidade impera e a boa disposição também, valha-me ao menos isso, mas não é o suficiente. There is someting in the air... Estou a ficar deprimida, é melhor parar por aqui. Melhores dias virão. Espero que já amanhã...


terça-feira, setembro 16, 2008

Não há coincidências.Não...?

Eu costumava acreditar que não havia coincidências, que tudo acontecia por uma razão. Num dos cadernos que guardo religiosamente desde os meus 13 anos, uma espécie de diário mas em tamanho A4 (e que não sei se guardarei durante muito mais tempo), escrevi um texto sobre isso mesmo: que estar num determinado sítio a uma determinada hora é resultado de uma conjunção astral que possibilita um determinado acontecimento. Tipo, se eu não tivesse saído de casa àquela hora não tinha encontrado aquela pessoa e não tinha acontecido aquele beijo. Ui, acho que a minha adolescência foi feita dessas "coincidências", ou pelo menos eu sempre quis acreditar nisso. Mas isso foi lá atrás, há 15 anos... Será?

Nestes últimos tempos fui de novo assaltada por essa estranha sensação de não haver coincidências, estranhamente envolvendo as mesmas pessoas. Foi estranho, quase um regresso ao passado. E deixou-me melancólica, sem saber se me estava a sentir mal ou bem...

É muito aborrecido ter coisas mal resolvidas, porque basta uma pequena distracção para que o passado nos entre pela porta e nos deixe de cara à banda. Bem, mais ou menos, que a idade é outra e o jogo de cintura também. O que eu não estava a contar é que esta situação mexesse comigo, e isso incomoda-me um pouco, confesso.

Esta sensação de dejá vu apanhou-me de surpresa, pois não estava à espera que me tocasse ou me deixasse com um frio na barriga. Mas deixou. Grande m... O que vale é que a malta é crescida, e as cabeçadas servem para se aprender com elas. É por isso que eu digo "nunca" a alguns amigos que, com ar maldoso, fazem insinuações acerca destas "coincidências" que aconteceram neste curto espaço de tempo. É que o espaço de tempo é que me deixa a pensar!

De qualquer maneira, tenho que confessar, faz parte do ser "adulta", que até apreciei um pouco a situação. Apesar de ter sido apanhada um pouco de surpresa e me ter sentido com 15 anos, é bom sentir o frio na barriga mas com total controlo da situação. Ufa, ao menos isso, assim sempre se aprecia melhor a coisa!

Para ajudar à festa, ontem fui ver o "Mamma Mia" e a nostalgia apoderou-se totalmente de mim, justamente agora que a coisa estava controlada!! Malditos sejam os Abba e as suas músicas lamechas e tão surpreendentemente reais!

Acho que a culpa também é dos meus cadernos que guardo religiosamente debaixo da minha cama. Aposto que são esses desgraçados que estão a enviar-me mau feng shui durante a noite. Tenho mesmo que me desfazer deles; embora por um lado me custe porque são sete anos da minha vida que estão ali, descritos ao pormenor, por outro (já) não me identifico com a rapariga que escreveu aquilo (e ainda bem!) e custa-me ler aqueles textos porque parece que estou a viver novamente aquela situação, e isso assusta-me. Não sei mesmo o que fazer... Estava a pensar queimá-los na lareira da minha casa, quando me mudar para lá, tipo um ritual de corte radical com o passado, corte que eu pensava que já tinha feito mas que, pelos vistos, não fiz. Mas e se me arrependo? E se daqui a outros 15 anos eu os quiser voltar ler e voltar a sentir aquele turbilhão de emoções? Realmente é triste, preciso de recorrer aos meus diários para sentir um turbilhão de emoções... Bem dizia uma amiga minha, é preferível sentir dor do que não sentir nada.

domingo, julho 06, 2008

Há 15 anos atrás...


"Era uma vez uma menina. Uma menina normal, não daquelas que tocam piano, usam vestidinhos e trancinhas, e que fazem crochet à hora do chá. Essa menina tocava guitarra, vestia calças de ganga e sapatilhas, usava o cabelo comprido e solto, e à hora do chá lia livros de aventuras.

Essa menina estava apaixonada. Uma paixão normal, não daquelas em que se faziam serenatas, e em que era o homem que tomava a iniciativa, e em que se cora e se baixam os olhos que ele a olha, e em que não se diz o que se sente. Uma paixão em que é ela que toma a iniciativa, em que quando ele a olha, ela olha nos olhos dele, bem fundo, e em que ela diz o que sente.

Esse menino de quem ela gostava era uma menino normal. Não daqueles que toca violino, que quer um cavalo e uma limusine, e que faz companhia às senhoras enquanto elas bebem chá e comem bolinhos. Esse menino também tocava guitarra, também usava calças de ganga, queria uma mota e ao lanche bebe Coca-Cola e come uma tosta mista ou um bolo na companhia dos amigos e amigas.

Um dia, essa menina disse ao menino que amava tudo o que sentia. Disse por palavras, frases, gestos expressões, e não por carta em papel muito bonito e perfumado, escrita com uma pena de pato, ao luar, entre muitos suspiros.

O menino olhou-a nos olhos e disse que não a amava. Que apenas gostava dela como amiga mas que talvez um dia sentisse algo mais forte.

A menina gostou da franqueza com que ele disse o que sentia. E quando chegou a casa chorou. Chorou e libertou o coração do sofrimento que sentiu quando as palavras brotaram dos lábios dele como penas e atingiram o coração dela como facas e que a puseram a sangrar por dentro.

O menino gostava (gostava, não amava) de outra menina que também usava calças de ganga mas que tinha a mentalidade das meninas que fazem crochet à hora do chá.

Hoje, ele namora com essa menina e a outra menina está a sofrer, e o coração sangra, e está seco de tanto sangrar.

Outros meninos e meninas que são amigos do menino e da menina que o ama dizem à menina que vale a pena esperar, que ele sente algo pela menina que não quer sentir ou que não sabe que sente.

E neste momento, a menina que usa calças de ganga e sapatilhas, que usa cabelo comprido e solto, que toca guitarra e lê livros de aventuras à hora do chá sente-se tão fraca como as meninas que usam vestido, tranças e fazem crochet à hora do chá e que tocam piano para os amigos dos pais.

E o amor que a menina sente pelo menino é tão puro, tão forte que não vai ser destruído pela outra menina, pelo tempo ou pela distância.

E ainda agora, a menina que usa calças de ganga e sapatilhas e que tem longos cabelos encaracolados está à espera do amor que há-de vir a nascer no coração do menino que ela ama. E quando esse amor nascer, há-se ser tão forte, tão sólido, tão puro que nada nem ninguém (nem mesmo a outra menina das calças de ganga) o vai destruir... Porque o amor, tal como a esperança, não morre..."

??/??/1993

domingo, outubro 14, 2007

Sem título


Sem título ou sem palavras, não sei bem... Há sentimentos que me revolvem as entranhas mas que são difíceis expressar.
Ponho-me a pensar na vida, na vida como existência, e muita vezes pergunto-me: para quê? ou então, porquê? Desde pequenos, aqueles que tiveram uma educação católica, fomos incutidos com a ideia de que Deus é um velhote de barba e túnica brancas e que a Sua bondade é infinita. Mas depois ligamos a televisão e vemos terramotos que fazem milhares de vítimas, entre elas crianças, vemos inundações levar os poucos haveres pertencentes a famílias pobres. E às vezes, infelizmente, vemos bem perto de nós pessoas a lutarem pela vida, muitas vezes uma luta desigual que acaba com a derrota. E é aí que me pergunto: para quê? Para quê tanta luta, tanto esforço, tanto sofrimento? E porquê? Porque é que o velhote de barba branca, na Sua imensa bondade, permite estas situações? Há tanta gente a pedir para morrer e continua a viver, há tanta gente a pedir para viver e acaba por morrer - há aqui qualquer coisa que não está bem...
Em certas situações dizemos "foi melhor assim" ou "já viveu uma boa vida, está na hora de descansar"; mas agora não posso dizer isso. Não, não foi melhor assim; não, não estava na hora de descansar, ainda tinha toda a vida pela frente. Então porquê?

Queria dizer muita coisa mas não sei o quê nem como. Apenas queria manifestar a minha revolta. Não posso dizer que perdi um amigo porque nunca privei muito com ele mas privo com pessoas que o conheciam bem, e vejo o sofrimento delas. Sei que ele era uma pessoa boa. E que era jovem. E que estava a lutar pela vida.
Infelizmente sei o que é o vazio da ausência. Sei o que é não ter o cliché "estava na hora, já tinha vivido tudo" para nos confortar. E custa muito mais. Porque nos perguntamos constantemente: porquê?
Por isso é que não sei o que dizer. Porque sei que nada do que se diga alivia a dor. Apenas posso dizer que o tempo tudo cura. E que as pessoas só morrem se nós deixarmos; elas continuam vivas no nosso coração e no nosso pensamento.